O CRC é um espaço de diálogo entre cristãos de diferentes sensibilidades, e entre cristãos e não cristãos.

27 de abril de 2004

Conferências de Maio 2004 do Centro de Reflexão Cristã

CIDADE DE DEUS - CIDADE DAS PESSOAS

* A cidade como espaço de Solidariedade
(3ª feira, 4.Mai.04 - 18:30 h)

Nuno Teotónio Pereira
Pe. Valentim Gonçalves
Maria Calado
moderador: Frei Bento Domingues

* Sinais de Deus na Cultura
(3ª feira, 11.Mai.04 - 18:30 h)

Adília Lopes
Pe. João Resina Rodrigues
António Osório
moderador: Guilherme d'Oliveira Martins

* Culturas e Religiões - Que diálogo?
(3ª feira, 18.Mai.04 - 18:30 h)

Pe. Peter Stilwell
Abdool Karim Vakil
Esther Muznick
moderador: Francisco Sarsfield Cabral

* Igreja - Que presença no Mundo Urbano
(3ª feira, 25.Mai.04 - 18:30 h)

Alfredo Bruto da Costa
Pe. António Janela
Duarte Nuno Simões
moderador: José Torres Campos

As Conferências de Maio serão realizadas às 3ªs. feiras, das 18:30 às 20 h,
no Centro de Estudos da Ordem do Carmo,
na R. de Stª Isabel, 130, Lisboa
Metro: Rato
Autocarros: 9, 20, 32 e 38

Morgado propõe publicitação de processos e condenações por corrupção

A propósito do Colóquio Corrupção/Cidadania Activa, com a participação de Maria José Morgado e Luís Salgado Matos
inserido no ciclo SETE PECADOS SOCIAIS / SETE SINAIS DE ESPERANÇA

Público, 17.Mar.04
Nuno Sá Lourenço


A juíza e ex-responsável da Polícia Judiciária, Maria José Morgado, defendeu ontem num colóquio a necessidade do Ministério da Justiça começar a fazer "publicidade periódica de notificações de operações suspeitas, processos, acusações e condenações ao nível do combate à corrupção". A autora do livro "Inimigo sem rosto - fraude e corrupção em Portugal" falou no Centro Nacional de Cultura, em Lisboa, sobre esse tema, tendo tido como co-orador o investigador universitário Luís Salgado Matos.

Entre as áreas abordadas, a ligação da política à corrupção foi dos mais debatidos. Depois de desafiada por Luís Salgado Matos a responder se existia falta de oferta política no combate ao fenómeno, a magistrada reconheceu "um grande fosso entre a preocupação política [com a corrupção] e os actos".

A inexistência de publicitação das investigações foi um exemplo dessa discrepância entre o discurso político e a sua conduta. Daí que Maria José Morgado tenha defendido a premência de "fazer uma estatística semestral ou anual [dos casos detectados] sem pôr em causa o bom nome das pessoas" A "falta de actuação da fiscalização em tempo real" foi outra das deficiências apontadas e "maus métodos de trabalho e más direcções", as razões apontadas para ausência de fiscalização eficiente. Sobre os métodos assinalou a "ausência de cruzamento de dados", a "impossibilidade de investigação a partir de sinais exteriores de riqueza", o "não acesso às contas bancárias", e a falta de "promoção pelo mérito". Aqui o dedo voltou a ser apontado aos políticos. A juíza afirmou que "enquanto as nomeações para as direcções fossem feitas por cartão partidário não teremos bons resultados".

O debate chegou também ao financiamento partidário, com a magistrada a defender "a demissão do líder partidário e o seu afastamento de qualquer cargo público durante uns anos". "Seria muito mais sério funcionar dessa forma, em vez de ter que se esperar pelo andamento de um processo-crime [tal como a lei prevê actualmente]", defendeu. Sobre o impacto da corrupção, e depois de questionada por Luís Salgado Matos sobre se o país não estaria a pintar um quadro demasiado negro da situação, Maria José Morgado foi buscar um exemplo para sustentar a análise "preocupante" que fez. "Hoje são os próprios empresários que reivindicam o fim do sigilo bancário, porque a corrupção só favorece a economia paralela". Maria José Morgado destacou ainda os efeitos negativos na economia ao lembrar que "a corrupção entra no bolso de cada um". Deu alguns exemplos: "Nós estamos a pagar auto-estradas mais caras por causa da corrupção. A corrupção pode até fazer aumentar o preço dos medicamentos." Maria José Morgado não se limitou a criticar o poder político, tendo considerado negativo o facto dos tribunais julgarem poucos casos. A juíza apresentou como um dos problemas no combate à corrupção "não termos o efeito disciplinador, pedagógico dos tribunais". "Falta esse barómetro", queixou-se a magistrada.

A meio do debate tentou mesmo defender a necessidade do combate à corrupção com uma comparação caseira: "A corrupção é como o pó numa casa. Pó vamos ter sempre, mas se deixamos de limpar, então é o caos."

A renovação do CRC

Centro de Reflexão Cristã renova-se e acentua diálogo inter-religioso e com não-cristãos

Guilherme d’Oliveira Martins novo presidente

Revista do Centro pode integrar redes internacionais

António Marujo, Público

Um novo Centro de Reflexão Cristã (CRC), com menos preocupações teológicas e mais centrado na “afirmação do lugar do cristão na sociedade moderna” e na promoção do “diálogo cívico e inter-religioso” – essas são as ideias principais de Guilherme d’Oliveira Martins, deputado e ex-ministro da Educação no Governo do PS, novo presidente do CRC, apostado na renovação desta organização.
Nascido no rescaldo do 25 de Abril de 1974, juntando na sua fundação católicos e protestantes e com uma acentuada vocação de dinamizar a reflexão cultural e teológica, o CRC impôs-se, ao longo destas quase três décadas, como um lugar de encontro de diferentes sensibilidades cívicas e religiosas. Mas, nos últimos anos, vários dos fundadores lançaram-se em outras iniciativas e o CRC acabou por se reduzir à organização de conferências.
A nova direcção, liderada por Guilherme d’Oliveira Martins, pretende que a actividade do centro se alargue também à promoção de estudos e inquéritos, de modo a compreender “novas realidades urbanas e fenómenos como a exclusão, a diversidade cultural ou a imigração”.
Em declarações ao PÚBLICO, o novo presidente diz que se trata de uma “estratégia de renovação: este é um novo tempo, que exige novas respostas”. Mas a nova direcção pretende “estabilizar a vocação do CRC” e fazer da instituição um lugar de diálogo entre cristãos e não-cristãos. Por isso, a primeira iniciativa que pretende ter algum impacto é a organização de um ciclo de debates sobre os pecados sociais e os sinais de esperança na sociedade portuguesa, propostos pelos bispos na última carta pastoral, de Setembro de 2003.
“Pretendemos não só analisar a situação, mas também apontar caminhos de solução para os problemas”, diz Oliveira Martins. Também nesse sentido, o presidente do centro diz pretender ir ao encontro de jovens universitários, no que respeita à sua participação nos estudos sobre as novas realidades urbanas.

A preocupação de complementaridade com outras organizações está também nos objectivos da nova direcção. Bem como o diálogo ecuménico e inter-religioso: o CRC foi pioneiro no diálogo inter-religioso em Portugal, recorda Oliveira Martins, e agora o centro quer voltar a “lançar pontes com outras confissões cristãs e outras religiões não cristãs”.
“Muitos debates que actualmente atravessam a Europa –como o caso do véu islâmico, em França – passam pelo diálogo inter-religioso”, afirma o presidente do CRC. “Esse é o único modo de contrariar formas radicais de fundamentalismo”, acrescenta.

Também a revista “Reflexão Cristã”, que foi pioneira na produção de uma reflexão cultural e teológica católica no pós-25 de Abril, será renovada, de modo a fazer dela um espaço de debate “aberto e plural”. A publicação do CRC irá integrar redes internacionais (Europa, Brasil, América Latina) de revistas especializadas, podendo mesmo vir a publicar, para Portugal, exclusivos de revistas como as francesas “Esprit” ou “Études”.

22 de abril de 2004

Estado investe pouco mas exige medalhas

A propósito do último colóquio do CRC - Mercantilização do Desporto, Competição Saudável:

Diário de Notícias, 22.Abr.04

CIPRIANO LUCAS

«Em Portugal não se conhece a percentagem do PIB para as actividades desportivas, factor determinante para compreender o atraso estrutural do desporto no nosso país», referiu Vicente de Moura, no decorrer do debate sobre o tema «A mercantilização do desporto», promovido pelo Centro de Reflexão Cristã, no Centro Nacional de Cultura em Lisboa, e com a presença do presidente do Comité Olímpico de Portugal (COP), José Couceiro, treinador do Alverca, Manuel Brito, professor universitário, e Guilherme Oliveira Martins, deputado.

O presidente COP apresentou uma síntese sobre a evolução do movimento olímpico e a sua «comercialização», referindo que Portugal é dos países da Europa que menos investem no desporto, mas é também onde «os políticos exigem resultados de alto nível, que custam milhares de contos». A média do investimento nos países da União Europeia é de 2%. «Nas minhas contas, o Estado português nem sequer chega a disponibilizar 1%... talvez 0,8%», acrescenta. Por isso, «as federações vivem com dificuldades e são obrigadas a recorrer a outras fontes de financiamento» com a envolvente comercial, adianta o presidente do COP, que de seguida defende, sem complexos, «a aposta na base da prática desportiva em detrimento da alta competição». Em traços gerais, Vicente Moura defende que deveríamos equacionar o investimento do desporto profissional numa «lógica de autonomia financeira, caso contrário... não é profissional». No entender do dirigente, vivemos em Portugal uma «situação artificial, pois o mecenato não funciona... só as empresas estatais é que aderem, o que inviabiliza a Fundação do Desporto».

Para José Couceiro, ex-presidente do sindicato dos jogadores e director da SAD do Sporting, a evolução do profissionalismo deve-se, antes de mais, «ao interesse dos governos em ganharem competições, medalhas. Marx acertou em cheio quando defendeu que a base económica iria vencer... e isso verificou-se também no desporto». Para o técnico, «o desporto viveu como uma escravatura no século XX, liderado por instituições com modelos fascistas como a UEFA e a FIFA, onde só interessa o rendimento desportivo e económico. Ainda assim, refere, hoje, o futebol é «a única actividade onde as mais-valias vão para os trabalhadores».

16 de abril de 2004

Ciclo de Colóquios - 7 Pecados Sociais 7 Sinais de Esperança

Próximo Colóquio:
Mercantilização do Desporto/Competição Saudável 20 Abril.2004 (3ª feira) às 18h30m

José Vicente Moura [presidente do Comité Olímpico Português]
José Couceiro [treinador do Alverca, antigo presidente do Sindicato dos Jogadores de Futebol]
Moderador: Manuel Brito

Local: Auditório do Centro Nacional de Cultura
Largo do Picadeiro, nº 10-1º Lisboa
(metro Baixa-Chiado)