O CRC é um espaço de diálogo entre cristãos de diferentes sensibilidades, e entre cristãos e não cristãos.

20 de novembro de 2015

CRC, 40 Anos - Os Fundadores

Constituição CRC
Escritura em 5 Outubro de 1975

Autografantes/Fundadores: 
1 - Maria Manuela Silva 
2 - Henrique José Monteiro Santa Clara Gomes 
3 - Fernando Manuel Van-Zeller Gomes da Silva 
4 - Diogo Manuel dos Santos Duarte 

Restantes Fundadores: 
5 - Agostinho José Luís de Jesus Jardim Gonçalves 
6 - Alberto Luís Pimenta de França de Oliveira 
7 - Amélia Vitória de Melo Frazão Moreira 
8 - Ana Luísa Cardoso dias Janeira 
9 - António Francisco Barroso Sousa Gomes 
10 - António José Dimas Almeida 
11 - António Manuel Antunes de Matos Ferreira 
12 - António Manuel de Almeida Janela 
13 - António Resina Rodrigues 
14 - Basílio de Jesus Gonçalves Domingues 
15 - Bertina Meunier da Silva Araújo de Sousa Gomes 
16 - Branca Bebiano Costa e Moura 
17 - Cândida de Saúde Costa Baptista 
18 - Carlos Alberto Barroso Capucho 
19 - Carlos Leonel Pereira dos Santos 
20 - Comunidade de Malpique (Irmãs Doroteias) 
21 - Congregação dos Padres dos Sagrados Corações 
 22 - David Maria Domingues 
23 - Equipe Graal de Lisboa 
24 - Eva la Salette Rodrigues 
25 - Fernando Alves Cristóvão 
26 - Fernando José Patrício de Lemos 
27 - Francisco de Assis de Mendonça Lino Neto 
28 - Francisco Luís Sarsfield Pereira Cabral 
29 - Henricus Wilhomus Schampons 
30 - Henrique de Oliveira Robalo 
31 - Horácio Peixoto de Araújo 
32 - Igreja Paroquial de São Nicolau e São Julião 
33 - Ilídio Rosário dos Santos Moreira 
34 - Instituto Missionário Filhas de São Paulo Costa de Santa Tecla 
35 - Irmãzinhas de Jesus 
36 - Isabel Adelaide Guedes Sales Henriques Belchior 
37 - Ismael Nabais Gonçalves 
38 - João Alexandre do Nascimento Baptista 
39 - João Manuel Resina Rodrigues 
40 - João José Seabra Diniz 
41 - José Alfredo Pimenta de Sousa Monteiro 
42 - José Almeida Fernandes 
43 - José Augusto Martins Ramos 
44 - José Carlos da Silva Sousa 
45 - José Guilherme da Rocha Leão Martins Alves 
46 - José João da Conceição Gonçalves Mattoso 
47 - José Luís Machado Seruya 
48 - José Maria Cabral Ferreira 
49 - José Maximiano de Albuquerque Almeida Leitão 
50 - José Pedro Condeixa da Gama Castanheiro 
51 - Judite da Assunção dos Santos Martins Alves 
52 - Lucy Elisabeth Wainewright Matoso 
53 - Maria Augusta Gonçalves Seabra Diniz 
54 - Manuel Joaquim da Silva Pinto 
55 - Maria Estrela Palmeiro Duarte 
56 - Maria Fernanda Ferreira dos Santos Vaz 
57 - Maria Idalina Cobra Pereira Resina Rodrigues 
58 - Maria Imaculada de Clazabal e Albuquerque Cabral 
59 - Maria Isabel Semedo Carmelo Rosa 
60 - Maria Isabel Vassalo Santos Cabral 
61 - Maria Joana Barbas 
62 - Maria José da Gama Lobo Salema 
63 - Maria Lúcia Albuquerque de Almeida Leitão 
64 - Maria Luísa Sarsfield Pereira Cabral 
65 - Maria Manuela Graça Taumaturgo Brito de Araújo 
66 - Maria Nunes 
67 - Maria da Piedade Costa Baptista 
68 - Maria Rita Granado do Amaral 
69 - Maria do Rosário Morgado de Oliveira 
70 - Maria Teresa de Jesus Rosa Baltasar Oliveira Robalo 
71 - Maria Teresa Lopes Tavares de Almeida Fernandes 
72 - Maria Teresa Ramos Lopes Gomes da Silva 
73 - Maria Viegas Pimenta Reynolds de Sousa 
74 - Maria Vitalina M. Martins Leal de Matos 
75 - Movimento Rural Cristão 
76 - Sidónio da Costa Sasseti Paes 
77 - Sidónio de Freitas Branco Paes 
78 - Teresa Maria Anjos Reynolds de Sousa Santa Clara

CRC, 40 Anos - Memória e História

[clique para aumentar]

[Publicação dos Estatutos do Centro de Reflexão Cristã,
Diário do Governo, 29 de dezembro de 1975 ]

18 de novembro de 2015

Comemoração do 40º Aniversário do Centro de Reflexão Cristã - Convite

Caro(a) Sócio(a) e Amigo(a),

Informamos que no próximo dia 21 de Novembro vamos comemorar o 40º Aniversário do CRC
Apelamos à participação de todos os sócios e amigos, especialmente dos sócios fundadores. 

A Direção do CRC vem convida-lo a participar no Encontro de Sócios e Amigos que se realiza no dia 21 de Novembro no Convento de São Domingos, R. João de Freitas Branco, 12. 1500-359 Lisboa (Metro: Alto dos Moinhos), com o seguinte programa: 

10h30 – Receção aos participantes
10h45 – “CRC – do passado recordado e do presente compreendido, providencia-se o futuro” – Comunicação de Frei Bento Domingues.
12h00 – Celebração Eucarística, presidida por Frei Bento Domingues.
13h00 – Almoço servido no local*.
14h30 – Evocação e homenagem aos sócios fundadores.
15h00 – “CRC – passado presente e futuro” – introdução ao debate por José Matoso, Guilherme d’Oliveira Martins e João Miguel Almeida.
17h00 - Encerramento.

Contamos com a presença e a colaboração de todos. Gostaríamos de saber se alguém tem pequenos filmes ou vídeos de iniciativas realizadas e fotos de encontros. Poderemos não os poder utilizar neste Encontro, mas poderão vir a ser utilizados em próximas iniciativas. Estamos satisfeitos com as respostas que os sócios e amigos estão a dar às nossas iniciativas para dar um novo impulso ao CRC. 


*O almoço será servido no local, sendo o seu custo 10 €. 
Agradecemos que confirme por esta via ou através do 961 560 924, a sua intenção de participar no mesmo até ao próximo dia 16 de Novembro. 
Alertamos que, estando inscrito no almoço, e não compareça, terá de suportar o seu custo. 

Contamos convosco. Podem contar connosco. 
José Leitão (Presidente da Direção do CRC) 
http://centroreflexaocrista.blogspot.pt/ 
centroreflexaocrista@gmail.com

13 de setembro de 2015

A Ecologia Integral do Papa Francisco - Francisco Ferreira

A Ecologia Integral do Papa Francisco - Teresa Vasconcelos

A Ecologia Integral do Papa Francisco - P. José Manuel Pereira de Almeida

Ecos do I Colóquio CRC 2015-2016 - A Ecologia Integral do Papa Francisco

Agradecendo aos participantes deste colóquio inaugural 2015-2016, aqui deixamos testemunho fotográfico, seguido de gravação das intervenções que compuseram o primeiro colóquio CRC 2015-2016, dedicado à reflexão sobre o tema "A Ecologia Integral do Papa Francisco".

[O presidente do Centro de Reflexão Cristã, José Leitão, apresenta os intervenientes e saúda os participantes.]

[No painel, da esquerda para a direita: P. José Manuel Pereira de Almeida, Francisco Ferreira, Teresa Vasconcelos; ao centro, o moderador, Miguel Raimundo]

[Perspetiva dos participantes]

29 de julho de 2015

Primeiro Colóquio CRC 2015 / 2016

CICLO DE COLÓQUIOS 2015/2016

Colóquio I
10 de setembro de 2015
5ª Feira, 18h30m


A Ecologia Integral do Papa Francisco

[Giotto di Bondone]




Local: Sede do Centro de Reflexão Cristã 

Rua Castilho, 61 – 2º Dtº. Lisboa. 

[Metro: Marquês de Pombal]


ENTRADA LIVRE

14 de junho de 2015

IV Conferência de Maio 2015 - Comunicação de Abdool Karim Vakil

Bismillah-hir-Rahman-I-Rahim, Em Nome de Deus o Misericordioso o Misericordiador.

Meus caros irmãos e irmãs em Deus,

Assalamo Aleikum, Que a Paz de Deus esteja convosco.
Começo por invocar o nome de Deus, todo Glorioso, todo Misericordioso, Deus Criador da Terra e do Céu, e de tudo o que se encontra entre estes, Deus de Abraão, de Ismael, de Isaac, de Moisés e de Aarão, Deus de João Baptista, de Jesus Cristo e da Virgem Maria, e Deus de Mahomé, que a Paz e a Graça de Deus estejam com todos estes nobres Profetas e Mensageiros de Deus.
O tema proposto para reflexão é “Diálogo Inter-Religioso” e ocorre aqui perguntar “Que Diálogo?”. Em primeiro lugar importa assentar ideias sobre o pano de fundo desse diálogo. Estão aqui reunidos representantes das três religiões Abraâmicas havendo aqui um elemento comum, uma raiz que emana do Patriarca Abraão que faz parte integrante da fé de todos nós. Como elemento essencial da sua fé, o muçulmano aceita-o como um Profeta e Mensageiro de Deus, por sinal aquele que lançou as raízes da religião monoteísta – a crença num só Deus
Deve causar surpresa a alguns dos presentes se eu disser que Abraão para nós muçulmanos foi o primeiro Muslim ou Muçulmano e isso porque foi submisso a Deus.
Muslim quer dizer precisamente “aquele que se submete a Deus”. E o mesmo acontece a todos os outros Mensageiros de Deus que mencionei no início. Ora, nós muçulmanos, nas nossas cinco orações diárias, mencionamos, em todas elas, o nome do Profeta Abraão a quem enviamos bênçãos de Deus.

[continua AQUI]

13 de junho de 2015

IV Conferência de Maio 2015 - Intervenção de José Oulman Carp

O dialogo entre as religiões Abraâmicas surge, pela primeira vez na Península Ibérica, durante o califado Al-Andalus.  Estima-se que a população nessa época fosse de  cerca de 10 milhões: bastante heterogénea, constituída por árabes e berberes, moçárabes (hispano-godos que, sob o domínio muçulmano conservaram a religião cristã mas com ritos moçárabes; adoptaram  assim a forma de vida exterior dos muçulmanos;  e ainda judeus que se dedicavam ao comércio e à recolha dos impostos; para  além destas duas profissões eram também  médicos, embaixadores e tesoureiros cientistas  

As cidades de Toledo, Mérida, Valencia e Lisboa eram importantes centros moçárabes na península.
Existia geralmente um respeito mútuo entre os seguidores das três religiões e as tensões eram somente causadas devido a problemas referentes ao domínio territorial.
O diálogo inter-religioso termina no período entre 1525 e 1648 quando surge na Europa uma guerra religiosa que termina com o tratado de Vestefália, em 1648;
A falta de diálogo foi agravada pela Inquisição que começa nos territórios Ibéricos em 1492 e em Portugal em 1536 terminando somente em 1821.

[continua AQUI]

31 de maio de 2015

Programa Ecclesia - Entrevista ao Presidente da Direcção do Centro de Reflexão Cristã - José Leitão

IV Conferência de Maio 2015 - Ecos e Testemunhos

No momento de publicação das imagens da última das conferências do corrente ano, a Direcção do CRC agradece aos que fizeram das Conferências de Maio 2015 espaço de verdadeira reflexão e diálogo sociais e eclesiais - anfitriões, intervenientes, participantes e divulgadores.
Contamos com todos vós para a dinamização de próximas iniciativas, a divulgar em breve. 

[Painel: Da esquerda para a direita: Guilherme d'Oliveira Martins, 
José Leitão, José Oulman Carp e Abdool Karim Vakil.]
 [Perspectivas do painel e auditório.]

















24 de maio de 2015

IV Conferência de Maio 2015 - Diálogo Inter-Religoso: Caminho para a Paz

Lembramos os nossos sócios e amigos que no próximo dia 27 de Maio, quarta-feira, pelas 18h:30m, se realizará no Centro Nacional de Cultura a última das Conferências de Maio CRC 2015, dedicada ao tema Diálogo Inter-Religioso: Caminho para a Paz. Nesta intervirão Guilherme d'Oliveira Martins, José Oulman Carp e Abdool Karim Vakil. Contamos com a vossa presença!

III Conferência de Maio 2015 - Ecos e Testemunhos












[Diversos aspectos dos participantes na conferência; 
acima, da esquerda para a direita, o painel: Tomás Virtuoso, Maria do Rosário Carneiro, 
José Leitão e Alfredo Bruto da Costa.]

19 de maio de 2015

III Conferência de Maio - Doutrina Social da Igreja, Inclusão e Desenvolvimento - Dia 20

As nosso associados e amigos chamamos a atenção para que se realizará no próximo dia 20 de maio, amanhã, quarta-feira, pelas 18h30m, a 3.ª Conferência de Maio  CRC 2015. Esta será dedicada ao tema Doutrina Social da Igreja, Inclusão e Desenvolvimento promovida pelo Centro de Reflexão Cristã no Centro Nacional de Cultura [Largo do Picadeiro, n.º  68 Metro: Baixa-Chiado]. 
Tal conferência contará com a participação de Alfredo Bruto da Costa, Maria do Rosário Carneiro e Tomás Virtuoso.

Contamos consigo amanhã.

II Conferência de Maio 2015 - Ecos e Testemunhos














[Vários aspectos do painel, composto (da esquerda para a direita) por Miguel Raimundo, José Tolentino Mendonça, José Leitão e Emília Nadal, bem como do auditório]

II Conferência de Maio 2015 - Intervenção de Miguel Raimundo

Cultura da beleza, do dom e da gratuidade

Conferências de Maio – 2015


Ao preparar esta intervenção, constatei que me estava a orientar essencialmente para dois ou três temas que correspondem a domínios onde a minha experiência pessoal me diz que há dificuldades sérias de fazer valer uma cultura da beleza, do dom e da gratuidade.
Desde logo, o trabalho: sendo professor universitário, sou sensível ao tema do trabalho, porque a minha tarefa depende muito da forma como outras pessoas (os alunos) vivem o trabalho e como lhe dão (ou não) sentido.
Também quis falar sobre a forma como é patente, e talvez objecto de crescente indiferença, o egoísmo na vida social e em particular nas relações familiares. Ligo isto, também, ao tema do valor da vida, à importância da fidelidade, não como abstracção, mas como realidade de todos os dias, e à forma como tudo isso se relaciona com o tema da pertença a uma cultura.
Procurarei tornar claras as relações que me parece que existem entre todos estes temas, entre si e com o tema geral de que me cabe falar; esta comunicação decorre, assim, em temas dos quais a actividade do CRC muito se tem feito eco, ao longo destes 40 anos da sua existência; faço aqui, desde logo, essa justa homenagem, e sublinho que é com muita honra que procuro contribuir para continuar essa reflexão.
Começarei pelo tema do trabalho. No seu livro “Alegrias e Tristezas do Trabalho” (D. Quixote, 2009), Alain de Botton dedica um capítulo à actividade do fabrico de biscoitos, onde procura perceber, entre outras coisas, o processo que levou à concepção e produção de uma nova marca de biscoito para ser lançada no mercado. Aplicando a sua combinação típica de profundidade e leviandade, o autor revela-nos elementos curiosos. Um responsável, depois de confessar que não tem quaisquer conhecimentos de pastelaria, revela que o processo, por si dirigido, demorou dois anos e custou três milhões de libras, visando satisfazer, com precisão cirúrgica, não um genérico e indiferenciado desejo de comer uma guloseima, mas uma específica necessidade de conforto, para cuja identificação foi constituído um grupo de estudo, reunido num hotel durante uma semana, de modo a comunicar ao responsável pelo projecto todas as ansiedades e desejos insatisfeitos. As tarefas assumem tal complexidade que no processo que vai da concepção à comercialização, participam um total de 5.000 trabalhadores. Como o autor comenta mais adiante, “o pesar era a única resposta racional à notícia de que um funcionário tinha passado três meses a conceber uma promoção para supermercados, baseada na oferta de três autocolantes” de personagens de desenhos animados.    
Não se trata, naturalmente, de denegrir o trabalho, ou certos tipos de trabalho. Trata-se de sublinhar que a forma como hoje a vida se organiza torna mais difícil que as pessoas encontrem, naquilo que fazem, uma razão para continuar. Não pode deixar de impressionar uma tamanha concentração de recursos, de tempo, de esforço humano, em tarefas cujos horizontes são tão estreitos. Há aqui, como sublinha Alain de Botton, uma disparidade entre a seriedade dos meios e a vacuidade dos fins; os biscoitos são desenhados da melhor forma possível para responder a uma carência, mas fazem-no de uma forma que paradoxalmente aumenta o vazio por trás dessa carência, e portanto, a ideia que fica é a da inutilidade do esforço. Botton cita um trecho de Ruskin, onde se diz que não há pior desperdício, nem pior forma de matar alguém, do que desperdiçar o seu trabalho.

O texto bíblico já reflectia sobre estas coisas: “Porque gastais o vosso dinheiro naquilo que não alimenta? E o vosso salário naquilo que não pode saciar-vos?” (Isaías, 55, 2). É que as coisas não são todas iguais: umas salvam, outras não.

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12 de maio de 2015

II Conferência de Maio - Cultura da Beleza, do Dom e da Gratuidade - Dia 13

Relembramos os nosso associados e amigos que se realizará no próximo dia 13 de maio, quarta-feira, pelas 18h30m, a 2.ª Conferência de Maio  CRC 2015. Esta será dedicada à Cultura da Beleza, do Dom e da  Gratuidade promovida pelo Centro de Reflexão Cristã no Centro Nacional de Cultura [Largo do Picadeiro, n.º  6: Metro-Baixa-Chiado]. 
Tal conferência contará com a participação de Emília Nadal, Miguel Raimundo e José Tolentino de Mendonça.

Contamos consigo na próxima quarta-feira e nas seguintes.

11 de maio de 2015

Comunicação de Isabel Balbino - Igreja Serva e Pobre

Um novo olhar por uma janela antiga

Não é algo de novo que quero trazer. É algo comum que pretendo atrair à consciência. Talvez por isso, por ser comum, aquilo que quero partilhar convosco corre o risco de se esvanecer diante dos nossos olhos.
Há algum tempo defendi a minha dissertação em Psicologia Clínica, sobre Autenticidade e Bem-Estar. O arguente perguntou-me: “Que traz a sua dissertação de novo, em que acresce ao que já se sabe?” Fiquei perplexa pois a relevância dos resultados empíricos que obtive, tal como os li, não estava em algo novo ou surpreendente mas em algo que, em maior ou menor grau, nos acompanha desde sempre: auto alienação e não aceitação de si. São dois dados tão conhecidos, tão adquiridos que parecem inofensivos. Quem não se perdeu já em considerações sobre como seria a sua vida se tivesse outras condições, aptidões ou medidas? Quem não se queixa de algo que lhe falta ou tem a mais? A insatisfação é uma espada de dois gumes! Pode lançar-nos na Vida ou no Vazio.
Eis-me então perante o desafio de agarrar em algo quotidiano e insuflar-lhe interesse!

Tal como me foi proposto, vou referir-me aos Homens e Mulheres numa Igreja Serva e Pobre mas, antes disso, queria introduzir três palavras que me ajudarão a abordar o tema: Habituação, Guardar e Finitude. Vou ainda socorrer-me de algumas imagens da área da saúde e da psicologia, pois são as que me são mais familiares e penso que servem o propósito de fazer-me entender.

Habituação
É um processo mental saudável mas, como em tudo, ‘não há bela sem senão’. Em que consiste? Um exemplo simples: vivo há seis anos junto à linha de comboio de Entrecampos e perto do Aeroporto. No primeiro dia em que dormi na nova casa ouvi todos os comboios e aviões e não ‘preguei olho’. Agora não ouço comboios, nem aviões, nem carros e eles passam bem perto todos os dias. O som destes transportes tornou-se uma coisa tão adquirida, tão presente, tão comum que, pouco a pouco, foi-se esvanecendo da minha atenção e passou de (saliente) figura a (plano de) fundo. E ainda bem que é assim ou já teria enlouquecido...
A questão é que não nos habituamos só a estímulos desagradáveis ou perturbadores. Podemos habituar-nos a tudo o que está próximo, presente, que é constante no nosso dia-a-dia, incluindo as pessoas (rotina!). Os seus movimentos, a sua maneira de ser e pensar, o tom da sua voz pode tornar-se tão familiar que deixa de despertar a atenção e chegamos a dá-las por adquiridas. São pessoas inerentes ao nosso mundo e, imperceptivelmente, deixamos de dar por elas ou, pelo menos, pelo que elas representam para nós. Passam também de figura a fundo… Recuperam a ribalta ao nosso olhar quando, por alguma razão, percebemos quão significativas são como acontece nos sustos, nos acidentes, morte ou então em celebrações festivas em que elas são protagonistas.
Alienarmo-nos do que nos envolve (ou de nós próprios) pode ir do normal ao patológico. Todos nós já sonhámos acordados ou nos distraímos e isso é normal mas não conseguir recuperar a relação consigo mesmo, com os outros ou com o meio envolvente é patológico. Volto muitas vezes a uma imagem de Jeremias que me ajuda a despertar dos sonos do ser humano alienado: “Assemelha-se ao cardo do deserto, mesmo que lhe venha algum bem, não o sente, pois habita na secura do deserto, numa terra salobra, onde ninguém mora” (Jr 17,6).
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