Cristianismo e Democracia
Largo do Picadeiro, nº 10, 1º - Lisboa.
[Metro: Baixa-Chiado]
O CRC é um espaço de diálogo entre cristãos de diferentes sensibilidades, e entre cristãos e não cristãos.
Encontra-se já publicado o mais recente número duplo (33-34) da revista Reflexão Cristã.
O Centro de Reflexão Cristão tem o prazer de anunciar o primeiro dos colóquios 2009/2010:
O CRC renova o convite à participação nas Conferências de Maio deste ano, as quais decorrerão de acordo com o seguinte programa:
Darwin: um diálogo entre Fé e Ciência é o tema do próximo colóquio dinamizado pelo Centro de Reflexão Cristã, a realizar-se no dia 22 de Abril, quarta-feira, pelas 18h:30m. Este contará com as intervenções do P. João Resina e do Prof. João Caraça, e será, como habitualmente, seguido de debate.
Local: Centro Nacional de Cultura (Galeria Fernando Pessoa)
Largo do Picadeiro, Nº10 - 1º. Lisboa (Metro: Baixa-Chiado)
ENTRADA LIVRE
Rua de Santa Isabel, 128-130. Lisboa (Metro: Rato)
Estado e Religiões – Liberdade, Autonomia e Laicidade
Dia 13 de Janeiro de 2009, Terça-Feira, 18h30m
José de Sousa e Brito
Luís Salgado de Matos
Local: Centro Nacional de Cultura - Galeria Fernando Pessoa
Largo do Picadeiro, nº10-1º, Lisboa.
(Metro - Baixa-Chiado)
CICLO DE COLÓQUIOS 2007/2008 - 6º
A Oposição Católica ao Estado Novo 1958-1974
Dia 8 de Julho de 2008, 3ª feira às 18:30
Fernando Rosas
Guilherme d’Oliveira Martins
João Miguel Almeida
Local: Auditório do Centro Nacional de Cultura
Largo do Picadeiro, nº 10-1º. Lisboa.
(metro Baixa-Chiado)
ENTRADA LIVRE
Já saiu o nº 29-30 da Reflexão Cristã. Nesta edição encontram-se glosadas as comunicações apresentadas durante o ciclo de conferências 2006-2007, dedicadas a diferentes aspectos do tema "Diálogos sobre Jesus". Alain Hayat, José Tolentino Mendonça, Artur da Cunha Oliveira, Faranaz Keshavjee, António Dias Farinha, Joaquim Carreira das Neves, João Duarte Lourenço, José Augusto Ramos, Irmã Maria Julieta, rscm, D. Manuel Clemente, D. Carlos Moreira de Azevedo, Caetano Pacheco de Andrade, Joaquim Teles Sampaio e Maria Joaquina Nobre Júlio foram os seus autores. Germano Cleto oferece uma pequena recensão sobre a recente obra de José Luís de Matos, Igreja Católica - Choque de Paradigmas (Caminho, 2007). “O objecto da fé reside em coisas que não vemos, mas cuja realidade brilhará plenamente quando as pudermos ver.
O objecto da esperança reside, também, em coisas que não possuímos, mas que virão. Mas já não virão em esperança, porque as possuiremos e não teremos que as esperar.
Mas a caridade, pelo contrário, não deixará de aumentar. Porque se amamos a Deus, que não vemos, quanto mais O amaremos quando O virmos”.
E, no entanto, para alguns, a Esperança permanece a virtude mais misteriosa, aquela que pasma o próprio Deus, como escreveu Péguy em Le Porche du Mystère de la Deuxième Vertu, quando lhe chamou petite fille esperance. “Que esta gente veja como tudo hoje se passa / e creia que amanhã irá melhor, / Que vejam como tudo hoje se passa e creiam / que amanhã de manhã irá melhor / E espantoso é mesmo a grande maravilha da minha graça / É o que a mim mesmo me espanta”, como de Péguy traduziu Manuel de Lucena em idos que já lá vão.
Bento XVI não se quedou poeticamente no pórtico do Mistério da chamada segunda virtude. Abordou-a, como havia abordado a Caridade. Como pastor e como Filósofo, se me é lícito transpor para o autor da encíclica uma imagem que usa a propósito de Cristo, e que não me recordo ter visto alguma vez com tanta clareza e com tanta força.
Diz o Papa, no sexto capítulo da sua carta encíclica: “A figura de Cristo é interpretada, nos antigos sarcófagos, sobretudo através de duas imagens: a do filósofo e a do pastor. Em geral, por filosofia não se entendia então uma difícil disciplina académica, tal como ela se apresenta hoje. O filósofo era antes aquele que sabia ensinar a arte essencial: a arte de ser rectamente homem, a arte de viver e de morrer.” (…) Quase ao fim do século terceiro, encontramos pela primeira vez em Roma, no sarcófago de um menino e no contexto da ressurreição de Lázaro, a figura de Cristo como o verdadeiro filósofo que, numa mão, segura o Evangelho e, na outra, o bastão do viandante, próprio do filósofo.” (…) “O mesmo se torna visível na imagem do pastor. Tal como sucedia com a representação do filósofo, assim também na figura do pastor a Igreja primitiva podia apelar-se a modelos existentes da arte romana. Nesta, o pastor era, em geral, expressão do sonho de uma vida serena e simples de que as pessoas, na confusão da grande cidade, sentiam saudade. Agora a imagem era lida no âmbito de um novo cenário que lhe conferia um conteúdo mais profundo.” (…) A certeza que existe Aquele que, mesmo na morte, me acompanha com o seu bastão e com o seu cajado conforta-me. Esta era a nova ‘esperança’ que surgia na vida dos crentes”.
O Vigário de Cristo na Terra não é Cristo e sabe-o bem. Mas a ele lhe cabe ensinar, como seu bastão, a arte de viver e de morrer, como a ele lhe cabe, com o seu cajado, amparar-nos no caminho, Pastor que também é, desde que Cristo disse a Pedro: “Apascenta as minhas ovelhas”. De Pedro é Bento XVI o sucessor.
No XI capítulo da Epístola aos Hebreus (v.1) diz S. Paulo: “A fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se vêem”. Curiosamente, esta tradução do Padre Annes de Almeida aproxima-se da leitura do Papa, depois de ter sido posta em causa tanto por Lutero como por alguma exegese católica. Bento XVI demora-se na interpretação desta passagem. Como ele próprio diz, ela não traduz apenas uma convicção (“estar convencido das coisas que não se vêem”) mas estabelece objectivamente uma prova. A fé fundamenta a esperança, a fé prova-nos as coisas que ainda não vemos e só esperamos. Como diz o Papa: “Atrai o futuro para dentro do presente, de modo que aquele já não é o puro ‘ainda-não’. O facto de este futuro existir, muda o presente; o presente é tocado pela realidade futura, e assim as coisas futuras derramam-se naquelas presentes e as presentes nas futuras”. Não é o corriqueiro “enquanto há vida há esperança”, é a prova de que a única esperança é a que se concretizará depois da morte. Nenhuma esperança se pode realizar totalmente na nossa vida terrena, mas todas se realizarão na “vida eterna”.
“Vida eterna”. Bento XVI demora-se nessa expressão e demora-se de modo inusitado. “Queremos nós realmente isto: viver eternamente? Hoje, muitas pessoas rejeitam a fé, talvez simplesmente porque a vida eterna não lhes parece uma coisa desejável. Não querem de modo algum a vida eterna, mas a presente; antes, a fé na vida eterna parece, para tal fim, um obstáculo. Continuar a viver eternamente – sem fim – parece mais uma condenação do que um dom. Certamente a morte queria-se adiá-la o mais possível. Mas, viver sempre, sem um termo, acabaria por ser fastidioso e, em última análise, insuportável”.
Jorge de Sena, num poema sublime, escreveu: “De morte natural nunca ninguém morreu / não foi para morrer que nós nascemos”. Conheceria ele de Santo Ambrósio, o De excessu fratris sui Satyri (Elegia à morte de Sátiro, irmão defunto) citado pelo Papa, e em que Ambrósio diz também que a morte não é natural, que Deus não instituiu a morte. “Deu-a como remédio quando a vida dos homens começou a ser miserável. Deus teve que pôr fim a estes males, para que a mote reutilizasse o que a vida havia perdido”. Sena, de novo, referindo-se a Deus: “De nós se acresce ele mesmo, que será / o espírito que formos, o saber e a força. / Não é nos braços dele que repousamos / mas ele se encontrará nos nossos braços / quando chegarmos mais além do que ele. / Não nos aguarda – a mim, a ti, a quem amaste / a quem te amou a quem te deu o ser – / não nos aguarda, não. Por cada morte / a que nos entregamos el’se vê roubado / roído pelos ratos do demónio, / o homem natural que aceita a morte / a natureza que de morte é feita”.
Não vou tão longe que diga que o Papa subscreva estes versos. Mas o Papa põe-se a questão, e pergunta o que é que na verdade a vida e o que é que significa realmente eternidade. “Não sabemos o que queremos, não conhecemos vida verdadeira”. Permanecemos no que Agostinho chamou docta ignorantia. Mas, citando de novo Agostinho, o que sabemos que deve existir é algo que não conhecemos e o que nos impele para ele é a Esperança. “Quando a hora chegar” onde “em Espaço caiba a Eternidade”, como se diz no final do poema de Sena (A Morte, o Espaço, a Eternidade, in Metamorfoses) que algo sacrilegamente e algo sagradamente conflui para mim como as palavras de Bento XVI.
Escreve o Papa: “Conjecturar que a eternidade não seja uma sucessão contínua de dias do calendário, mas algo parecido com o instante repleto de satisfação, onde a totalidade nos abraça e nós abraçamos a totalidade.” “Mergulhamos no oceano do amor infinito” como o Mergulhador de Paestum, “no quando antes, depois, o tempo deixar de existir”.
Esta impossibilidade de pensar ou imaginar a vida eterna tem anulado todas as visões do Paraíso, quer seja a de Dante, tão demoradamente humana, quer seja a das inúmeras representações do Céu dos grandes pintores do século XV. Que vemos nelas? Vultos de plácidos rostos e de azul vestidos, sentados em adoração. Vida nunca ninguém a imaginou no reino de Bemaventurança. E é no entanto na esperança dela que reside a nossa Esperança.
Bento XVI demora-se na análise das imagens terrenas que tentaram substituir a vida eterna, a vida depois da morte, pelos vários paraísos terrenos.
Remonta a Francis Bacon e à crença no progresso que fará surgir um mundo totalmente novo. “Do arco e da flecha à megabomba” ironizou no século XX Adorno, também citado pelo Papa, certamente na primeira encíclica que o cita e ele e a Hockheimer. Como cita o Gorgias de Platão e vários textos de Kant.
E quando o Papa pede uma “autocrítica do cristianismo moderno”, fala expressamente do cristianismo que já conhece o desespero das esperanças frustradas da Revolução Francesa ou da Revolução de 1917.
“Não é a ciência que redime o homem”, diz o Papa. “O homem é redimido pelo Amor”. Aquele amor de que fala S. Paulo (Rom.VIII, 38-39): Porque cero estava, que nem morte nem vida, nem anjos nem Principados, nem Potestades, nem o presente nem o porvir, nem a altura nem a profundeza, nem alguma outra criatura, nos poderá afastar do Amor de Deus, que em Cristo Jesus, Senhor nosso está”.
Sempre me espantou – e sempre admirei – a esperança de homens que não acreditam em qualquer vida para além desta, num futuro paraíso terreno, seja o da sociedade sem classes, seja o do progresso ilimitado. Se eu for só poeira ou cinza nesse futuro distante, como poderei saber se a minha esperança se alcançou? A minha última visão do mundo é uma visão de ódio e desespero, de raivas e de vinganças. Como consolar-me com um futuro que não conhecerei?
Bento XVI di-lo, com força admirável, nesta Encíclica, em que também interpela a consolação de tais esperanças.
“A época moderna desenvolveu a esperança da instauração de um mundo perfeito que, graças aos conhecimentos da ciência e a uma política cientificamente fundada, parecia tornar-se realizável. (…).Mas, com o passar do tempo fica claro que esta esperança escapa sempre para mais longe. Primeiro deram-se conta de que esta era talvez uma esperança para os homens de amanhã, mas não uma esperança para mim. E, embora o elemento « para todos » faça parte da grande esperança – com efeito, não posso ser feliz contra e sem os demais – o certo é que uma esperança que não me diga respeito a mim pessoalmente não é sequer uma verdadeira esperança”.
Qual é a verdadeira esperança? Essa, a tal que “espanta o próprio Deus”, vem da con-solatio, a consolação do amor solidário de Deus.
Para exprimir essa solidariedade, Bento XVI, nesta assombrada e assombrosa encíclica, cita, de São Bernardo, a frase que o próprio Papa adjectiva como “maravilhosa”. Impassibilis est Deus, sed non incompassibilis” (“Deus é O que não pode padecer, mas se pode compadecer”).
Acreditá-lo depende mais da nossa Esperança do que da nossa Fé. Ou, talvez, da nossa Caridade. “Uma chama inatingível, que nem o sopro da morte / consegue sufocar”, para acabar re-citando Péguy.
João Bénard da Costa, Público, 16.12.2007.
CICLO DE COLÓQUIOS 2007/2008 - 5º
Salvos na Esperança
Dia 15 de Abril de 2008, 3ª feira às 18h30m
João Bénard da Costa
Laurinda Alves
Pe. Peter Stilwell
Local: Sala Sophia de Mello Breyner Andresen
Centro Nacional de Cultura
Rua António Maria Cardoso, nº 68. Lisboa.
(metro Baixa-Chiado)
este 4º Colóquio 2007/2008 pretendeu perspectivar o presente da relação entre os mass media e o fenómeno religioso - particularmente o Cristianismo - em Portugal. O primeiro interveniente, José António Santos (Agência Lusa), reflectiu sobre esta questão no âmbito específico da actividade de uma agência de notícias. Da sua comunicação constou uma apreciação estatística da informação veiculada entre Maio e Dezembro últimos, da qual se pôde concluir que 0,9% da mesma se reportou a matéria religiosa, a longa distância das temáticas mais noticiadas, relativas aos domínios político (27%) e económico (17%), configurando mesmo um dos aspectos da agenda noticiosa menos abordados.CICLO DE COLÓQUIOS 2007/2008 - 4º
O Cristianismo nos Meios de Comunicação
Dia 19 de Fevereiro de 2008, 3ª feira às 18h30m
António Marujo
Francisco Sarsfield Cabral
José António dos Santos
Manuel Vilas-Boas
Paulo Rocha
Local: Auditório do Centro Nacional de Cultura
Largo do Picadeiro, nº 10-1º. Lisboa.
(metro Baixa-Chiado)
ENTRADA LIVRE
CICLO DE COLÓQUIOS 2007/2008 - 3º
Cristianismo em Rede – A Igreja na Net
Dia 15 de Janeiro de 2008, 3ª feira às 18h30m
Ana Cláudia Vicente
Carlos Cunha
Tiago Cavaco
Local: Auditório do Centro Nacional de Cultura
Largo do Picadeiro, nº 10-1º. Lisboa.
(metro Baixa-Chiado)
ENTRADA LIVRE
Jesus de Nazaré segundo Ratzinger / Bento XVI
Dia 11 de Dezembro de 2007
José Luís de Matos
Pe. Henrique Noronha Galvão
Local: Auditório do Centro Nacional de Cultura
Largo do Picadeiro, nº 10-1º. Lisboa.
(metro Baixa-Chiado)
ENTRADA LIVRE
Terças-feiras às 18h30m
A actualidade de Cristo - Abrir horizontes
Dia 20 de Novembro de 2007
Anselmo Borges
Maria José Bijóias Mendonça
Local: Auditório do Centro Nacional de Cultura
Largo do Picadeiro, nº 10-1º. Lisboa.
(metro Baixa-Chiado)
ENTRADA LIVRE
Na Assembleia Geral do CRC efectuada a 27 de Setembro de 2007, foram tomadas diversas decisões sobre o funcionamento do Centro, sendo de destacar as seguintes:
a) Admissão de 7 novos Sócios;
b) Foram apreciados e votados favoravelmente o Relatório das Actividades 2006/07, assim como, o Relatório e Contas de 2006;
c) Foram divulgadas as propostas em estudo para as próximas iniciativas do CRC;
d) Foram eleitos os novos Corpos Sociais, que ficaram assim constituídos:
Direcção
Guilherme d'Oliveira Martins (Presidente)
Maria Cristina Clímaco (Vice-Presidente)
José Luís de Matos (Secretário)
Carlos Leonel Santos (Tesoureiro)
Ana Cláudia Vicente (vogal)
Mesa da Assembleia Geral
José Torres Campos (Presidente)
António José Paulino (Vice-Presidente)
Germano Cleto (Secretário)
Conselho Fiscal
Alberto Pinto de Magalhães (Presidente)
António Sampaio Carvalho
Luís Wemans
Conselho Consultivo
Alfreda Fonseca
fr. Bento Domingues, op
Fernando Melro
Francisco Sarsfield Cabral
Manuel Vilas Boas
Irmã Maria Julieta, rscm
Pax Christi
Pe. Peter Stilwell
Vai realizar-se na 5ª feira, 27 de Setembro de 2007, pelas 18:00 h uma Assembleia Geral do CRC, na sede [R. Castilho, 61-2ºD Lisboa], com a seguinte Ordem de Trabalhos:
1. Informações
2. Admissão de Novos Sócios
3. Apreciação do Relatório e Contas referente ao ano de 2006 e do Parecer do Conselho Fiscal
4. Eleição dos Corpos Sociais para o biénio 2007/8
5. Apresentação do Programa de Actividades do CRC
6. Outros assuntos de interesse para o CRC.