15 de julho de 2008
A Oposição Católica ao Estado Novo (2)
A Oposição Católica ao Estado Novo (1)
26 de junho de 2008
Oposição Católica ao Estado Novo, 1958-1974
CICLO DE COLÓQUIOS 2007/2008 - 6º
A Oposição Católica ao Estado Novo 1958-1974
Dia 8 de Julho de 2008, 3ª feira às 18:30
Fernando Rosas
Guilherme d’Oliveira Martins
João Miguel Almeida
Local: Auditório do Centro Nacional de Cultura
Largo do Picadeiro, nº 10-1º. Lisboa.
(metro Baixa-Chiado)
ENTRADA LIVRE
2 de junho de 2008
Portugal, Democracia Laica e Plural (3)
Portugal, Democracia Laica e Plural (2)
Portugal, Democracia Laica e Plural (1)
27 de maio de 2008
26 de maio de 2008
A Construção da Laicidade (3)
A Construção da Laicidade (2)
A Construção da Laicidade (1)
21 de maio de 2008
Laicidade, Lacismo e Democracia (3)
Laicidade, Lacismo e Democracia (2)
Laicidade, Lacismo e Democracia (1)
10 de maio de 2008
Laicidade, Lacismo e Modernidade (3)
Laicidade, Lacismo e Modernidade (1)
1 de maio de 2008
Conferências de Maio - Programa
Questões sobre Laicidade
Dia 7 de Maio, 4ªfeira, 18h30m
Fr. Bento Domingues
José Vera Jardim
Maria Lúcia Amaral
2 - Laicidade, Laicismo e Democracia
Dia 14 de Maio, 4ªfeira, 18h30m
Esther Mucznik
José Carlos Calazans
Pe. José Tolentino Mendonça
3 - A Construção da Laicidade
Dia 21 de Maio, 4ªfeira, 18h30m
José Eduardo Franco
Leonor Xavier
Luís Salgado de Matos
4 - Portugal, Democracia Laica e Plural
Dia 28 de Maio, 4ªfeira, 18h30m
José Lamego
Pe. Peter Stilwell
Rua de Santa Isabel, 128-130. Lisboa (Metro: Rato)
[vide mapa aqui]
22 de abril de 2008
Novo Número da "Reflexão Cristã"
Já saiu o nº 29-30 da Reflexão Cristã. Nesta edição encontram-se glosadas as comunicações apresentadas durante o ciclo de conferências 2006-2007, dedicadas a diferentes aspectos do tema "Diálogos sobre Jesus". Alain Hayat, José Tolentino Mendonça, Artur da Cunha Oliveira, Faranaz Keshavjee, António Dias Farinha, Joaquim Carreira das Neves, João Duarte Lourenço, José Augusto Ramos, Irmã Maria Julieta, rscm, D. Manuel Clemente, D. Carlos Moreira de Azevedo, Caetano Pacheco de Andrade, Joaquim Teles Sampaio e Maria Joaquina Nobre Júlio foram os seus autores. Germano Cleto oferece uma pequena recensão sobre a recente obra de José Luís de Matos, Igreja Católica - Choque de Paradigmas (Caminho, 2007). 21 de abril de 2008
Salvos na Esperança - Leitura e Testemunho
Após intervenção a cargo de João Bénard da Costa [vide post anterior], Laurinda Alves comunicou a sua perspectiva sobre a prática quotidiana da esperança: reportando-se à própria experiência como voluntária em meio hospitalar, reflectiu acerca do testemunho de integridade que muitos dos que se debatem com a sua própria finitude aí conseguem, ainda, manifestar. Como cultivar, então, tal virtude? Segundo a jornalista, a busca de uma unidade interior passa pela recusa do entendimento mediaticamente descalibrado da realidade, bem como pela procura de uma espiritualidade assente na reflexão e no serviço.
20 de abril de 2008
Salvos na Esperança - Comunicação
Em Esperança salvos somos...
Como tema da sua segunda encíclica, Bento XVI escolheu a Esperança. Spe Salvi é o título dela. No Natal de 2005, ano primeiro do seu pontificado, falou sobre a Caridade (Deus Caritas Est). É quase certo poder afirmar que, na terceira, invocará a Fé e ver, nesta ordenação das virtudes teologais, a Palavra do Apóstolo das Gentes na Primeira Epístola aos Coríntios: “Porém a maior destas, a Caridade é” (Cor.I, XII, 13) “porque tudo encobre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta” (Cor.I, XIII, 7). Esta poderosa encíclica em que, dos autores não canónicos, Santo Agostinho é o mais citado, pode resumir-se na glosa à passagem do comentário do autor das Confissões ao Salmo 91:
“O objecto da fé reside em coisas que não vemos, mas cuja realidade brilhará plenamente quando as pudermos ver.
O objecto da esperança reside, também, em coisas que não possuímos, mas que virão. Mas já não virão em esperança, porque as possuiremos e não teremos que as esperar.
Mas a caridade, pelo contrário, não deixará de aumentar. Porque se amamos a Deus, que não vemos, quanto mais O amaremos quando O virmos”.
E, no entanto, para alguns, a Esperança permanece a virtude mais misteriosa, aquela que pasma o próprio Deus, como escreveu Péguy em Le Porche du Mystère de la Deuxième Vertu, quando lhe chamou petite fille esperance. “Que esta gente veja como tudo hoje se passa / e creia que amanhã irá melhor, / Que vejam como tudo hoje se passa e creiam / que amanhã de manhã irá melhor / E espantoso é mesmo a grande maravilha da minha graça / É o que a mim mesmo me espanta”, como de Péguy traduziu Manuel de Lucena em idos que já lá vão.
Bento XVI não se quedou poeticamente no pórtico do Mistério da chamada segunda virtude. Abordou-a, como havia abordado a Caridade. Como pastor e como Filósofo, se me é lícito transpor para o autor da encíclica uma imagem que usa a propósito de Cristo, e que não me recordo ter visto alguma vez com tanta clareza e com tanta força.
Diz o Papa, no sexto capítulo da sua carta encíclica: “A figura de Cristo é interpretada, nos antigos sarcófagos, sobretudo através de duas imagens: a do filósofo e a do pastor. Em geral, por filosofia não se entendia então uma difícil disciplina académica, tal como ela se apresenta hoje. O filósofo era antes aquele que sabia ensinar a arte essencial: a arte de ser rectamente homem, a arte de viver e de morrer.” (…) Quase ao fim do século terceiro, encontramos pela primeira vez em Roma, no sarcófago de um menino e no contexto da ressurreição de Lázaro, a figura de Cristo como o verdadeiro filósofo que, numa mão, segura o Evangelho e, na outra, o bastão do viandante, próprio do filósofo.” (…) “O mesmo se torna visível na imagem do pastor. Tal como sucedia com a representação do filósofo, assim também na figura do pastor a Igreja primitiva podia apelar-se a modelos existentes da arte romana. Nesta, o pastor era, em geral, expressão do sonho de uma vida serena e simples de que as pessoas, na confusão da grande cidade, sentiam saudade. Agora a imagem era lida no âmbito de um novo cenário que lhe conferia um conteúdo mais profundo.” (…) A certeza que existe Aquele que, mesmo na morte, me acompanha com o seu bastão e com o seu cajado conforta-me. Esta era a nova ‘esperança’ que surgia na vida dos crentes”.
O Vigário de Cristo na Terra não é Cristo e sabe-o bem. Mas a ele lhe cabe ensinar, como seu bastão, a arte de viver e de morrer, como a ele lhe cabe, com o seu cajado, amparar-nos no caminho, Pastor que também é, desde que Cristo disse a Pedro: “Apascenta as minhas ovelhas”. De Pedro é Bento XVI o sucessor.
No XI capítulo da Epístola aos Hebreus (v.1) diz S. Paulo: “A fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se vêem”. Curiosamente, esta tradução do Padre Annes de Almeida aproxima-se da leitura do Papa, depois de ter sido posta em causa tanto por Lutero como por alguma exegese católica. Bento XVI demora-se na interpretação desta passagem. Como ele próprio diz, ela não traduz apenas uma convicção (“estar convencido das coisas que não se vêem”) mas estabelece objectivamente uma prova. A fé fundamenta a esperança, a fé prova-nos as coisas que ainda não vemos e só esperamos. Como diz o Papa: “Atrai o futuro para dentro do presente, de modo que aquele já não é o puro ‘ainda-não’. O facto de este futuro existir, muda o presente; o presente é tocado pela realidade futura, e assim as coisas futuras derramam-se naquelas presentes e as presentes nas futuras”. Não é o corriqueiro “enquanto há vida há esperança”, é a prova de que a única esperança é a que se concretizará depois da morte. Nenhuma esperança se pode realizar totalmente na nossa vida terrena, mas todas se realizarão na “vida eterna”.
“Vida eterna”. Bento XVI demora-se nessa expressão e demora-se de modo inusitado. “Queremos nós realmente isto: viver eternamente? Hoje, muitas pessoas rejeitam a fé, talvez simplesmente porque a vida eterna não lhes parece uma coisa desejável. Não querem de modo algum a vida eterna, mas a presente; antes, a fé na vida eterna parece, para tal fim, um obstáculo. Continuar a viver eternamente – sem fim – parece mais uma condenação do que um dom. Certamente a morte queria-se adiá-la o mais possível. Mas, viver sempre, sem um termo, acabaria por ser fastidioso e, em última análise, insuportável”.
Jorge de Sena, num poema sublime, escreveu: “De morte natural nunca ninguém morreu / não foi para morrer que nós nascemos”. Conheceria ele de Santo Ambrósio, o De excessu fratris sui Satyri (Elegia à morte de Sátiro, irmão defunto) citado pelo Papa, e em que Ambrósio diz também que a morte não é natural, que Deus não instituiu a morte. “Deu-a como remédio quando a vida dos homens começou a ser miserável. Deus teve que pôr fim a estes males, para que a mote reutilizasse o que a vida havia perdido”. Sena, de novo, referindo-se a Deus: “De nós se acresce ele mesmo, que será / o espírito que formos, o saber e a força. / Não é nos braços dele que repousamos / mas ele se encontrará nos nossos braços / quando chegarmos mais além do que ele. / Não nos aguarda – a mim, a ti, a quem amaste / a quem te amou a quem te deu o ser – / não nos aguarda, não. Por cada morte / a que nos entregamos el’se vê roubado / roído pelos ratos do demónio, / o homem natural que aceita a morte / a natureza que de morte é feita”.
Não vou tão longe que diga que o Papa subscreva estes versos. Mas o Papa põe-se a questão, e pergunta o que é que na verdade a vida e o que é que significa realmente eternidade. “Não sabemos o que queremos, não conhecemos vida verdadeira”. Permanecemos no que Agostinho chamou docta ignorantia. Mas, citando de novo Agostinho, o que sabemos que deve existir é algo que não conhecemos e o que nos impele para ele é a Esperança. “Quando a hora chegar” onde “em Espaço caiba a Eternidade”, como se diz no final do poema de Sena (A Morte, o Espaço, a Eternidade, in Metamorfoses) que algo sacrilegamente e algo sagradamente conflui para mim como as palavras de Bento XVI.
Escreve o Papa: “Conjecturar que a eternidade não seja uma sucessão contínua de dias do calendário, mas algo parecido com o instante repleto de satisfação, onde a totalidade nos abraça e nós abraçamos a totalidade.” “Mergulhamos no oceano do amor infinito” como o Mergulhador de Paestum, “no quando antes, depois, o tempo deixar de existir”.
Esta impossibilidade de pensar ou imaginar a vida eterna tem anulado todas as visões do Paraíso, quer seja a de Dante, tão demoradamente humana, quer seja a das inúmeras representações do Céu dos grandes pintores do século XV. Que vemos nelas? Vultos de plácidos rostos e de azul vestidos, sentados em adoração. Vida nunca ninguém a imaginou no reino de Bemaventurança. E é no entanto na esperança dela que reside a nossa Esperança.
Bento XVI demora-se na análise das imagens terrenas que tentaram substituir a vida eterna, a vida depois da morte, pelos vários paraísos terrenos.
Remonta a Francis Bacon e à crença no progresso que fará surgir um mundo totalmente novo. “Do arco e da flecha à megabomba” ironizou no século XX Adorno, também citado pelo Papa, certamente na primeira encíclica que o cita e ele e a Hockheimer. Como cita o Gorgias de Platão e vários textos de Kant.
E quando o Papa pede uma “autocrítica do cristianismo moderno”, fala expressamente do cristianismo que já conhece o desespero das esperanças frustradas da Revolução Francesa ou da Revolução de 1917.
“Não é a ciência que redime o homem”, diz o Papa. “O homem é redimido pelo Amor”. Aquele amor de que fala S. Paulo (Rom.VIII, 38-39): Porque cero estava, que nem morte nem vida, nem anjos nem Principados, nem Potestades, nem o presente nem o porvir, nem a altura nem a profundeza, nem alguma outra criatura, nos poderá afastar do Amor de Deus, que em Cristo Jesus, Senhor nosso está”.
Sempre me espantou – e sempre admirei – a esperança de homens que não acreditam em qualquer vida para além desta, num futuro paraíso terreno, seja o da sociedade sem classes, seja o do progresso ilimitado. Se eu for só poeira ou cinza nesse futuro distante, como poderei saber se a minha esperança se alcançou? A minha última visão do mundo é uma visão de ódio e desespero, de raivas e de vinganças. Como consolar-me com um futuro que não conhecerei?
Bento XVI di-lo, com força admirável, nesta Encíclica, em que também interpela a consolação de tais esperanças.
“A época moderna desenvolveu a esperança da instauração de um mundo perfeito que, graças aos conhecimentos da ciência e a uma política cientificamente fundada, parecia tornar-se realizável. (…).Mas, com o passar do tempo fica claro que esta esperança escapa sempre para mais longe. Primeiro deram-se conta de que esta era talvez uma esperança para os homens de amanhã, mas não uma esperança para mim. E, embora o elemento « para todos » faça parte da grande esperança – com efeito, não posso ser feliz contra e sem os demais – o certo é que uma esperança que não me diga respeito a mim pessoalmente não é sequer uma verdadeira esperança”.
Qual é a verdadeira esperança? Essa, a tal que “espanta o próprio Deus”, vem da con-solatio, a consolação do amor solidário de Deus.
Para exprimir essa solidariedade, Bento XVI, nesta assombrada e assombrosa encíclica, cita, de São Bernardo, a frase que o próprio Papa adjectiva como “maravilhosa”. Impassibilis est Deus, sed non incompassibilis” (“Deus é O que não pode padecer, mas se pode compadecer”).
Acreditá-lo depende mais da nossa Esperança do que da nossa Fé. Ou, talvez, da nossa Caridade. “Uma chama inatingível, que nem o sopro da morte / consegue sufocar”, para acabar re-citando Péguy.
João Bénard da Costa, Público, 16.12.2007.
6 de abril de 2008
Salvos na Esperança
CICLO DE COLÓQUIOS 2007/2008 - 5º
Salvos na Esperança
Dia 15 de Abril de 2008, 3ª feira às 18h30m
João Bénard da Costa
Laurinda Alves
Pe. Peter Stilwell
Local: Sala Sophia de Mello Breyner Andresen
Centro Nacional de Cultura
Rua António Maria Cardoso, nº 68. Lisboa.
(metro Baixa-Chiado)
22 de fevereiro de 2008
Cristianismo nos Meios de Comunicação - Ecos do Colóquio
este 4º Colóquio 2007/2008 pretendeu perspectivar o presente da relação entre os mass media e o fenómeno religioso - particularmente o Cristianismo - em Portugal. O primeiro interveniente, José António Santos (Agência Lusa), reflectiu sobre esta questão no âmbito específico da actividade de uma agência de notícias. Da sua comunicação constou uma apreciação estatística da informação veiculada entre Maio e Dezembro últimos, da qual se pôde concluir que 0,9% da mesma se reportou a matéria religiosa, a longa distância das temáticas mais noticiadas, relativas aos domínios político (27%) e económico (17%), configurando mesmo um dos aspectos da agenda noticiosa menos abordados.Para António Marujo (Jornal Público), a actualidade do religioso faz-se do seu cruzamento com inúmeros outros domínios do real. Persistem, contudo, problemas de desconhecimento, preconceito e linguagem na relação daquele fenómeno com os media, nomeadamente com a imprensa. Por um lado, as religiões manifestam medo do imediato, ignorando frequentemente a oportunidade de comunicar em tempo mediaticamente útil; por outro, os profissionais de comunicação, dotados de formação cada vez mais generalista, desconhecem amiúde a mundividência e orgânica das instituições religiosas, transmitindo informação pouco rigorosa. O mútuo preconceito tem, pois, obviado à informação acerca tais realidades.
Seguiu-se um breve período de discussão, onde foram debatidas questões em torno da reserva eclesiástica na relação com a comunicação social, da intercomunicabilidade no seio do catolicismo, e da viabilidade de um título semanal católico português.
19 de fevereiro de 2008
17 de fevereiro de 2008
O Cristianismo nos Meios de Comunicação
CICLO DE COLÓQUIOS 2007/2008 - 4º
O Cristianismo nos Meios de Comunicação
Dia 19 de Fevereiro de 2008, 3ª feira às 18h30m
António Marujo
Francisco Sarsfield Cabral
José António dos Santos
Manuel Vilas-Boas
Paulo Rocha
Local: Auditório do Centro Nacional de Cultura
Largo do Picadeiro, nº 10-1º. Lisboa.
(metro Baixa-Chiado)
ENTRADA LIVRE
7 de janeiro de 2008
Cristianismo em Rede – A Igreja na Net
CICLO DE COLÓQUIOS 2007/2008 - 3º
Cristianismo em Rede – A Igreja na Net
Dia 15 de Janeiro de 2008, 3ª feira às 18h30m
Ana Cláudia Vicente
Carlos Cunha
Tiago Cavaco
Local: Auditório do Centro Nacional de Cultura
Largo do Picadeiro, nº 10-1º. Lisboa.
(metro Baixa-Chiado)
ENTRADA LIVRE
6 de dezembro de 2007
Ciclo de Colóquios 2007/08 - 2º
Jesus de Nazaré segundo Ratzinger / Bento XVI
Dia 11 de Dezembro de 2007
José Luís de Matos
Pe. Henrique Noronha Galvão
Local: Auditório do Centro Nacional de Cultura
Largo do Picadeiro, nº 10-1º. Lisboa.
(metro Baixa-Chiado)
ENTRADA LIVRE
10 de novembro de 2007
CICLO DE COLÓQUIOS 2007/08 - 1º
Terças-feiras às 18h30m
A actualidade de Cristo - Abrir horizontes
Dia 20 de Novembro de 2007
Anselmo Borges
Maria José Bijóias Mendonça
Local: Auditório do Centro Nacional de Cultura
Largo do Picadeiro, nº 10-1º. Lisboa.
(metro Baixa-Chiado)
ENTRADA LIVRE
27 de setembro de 2007
CRC - Assembleia Geral
Na Assembleia Geral do CRC efectuada a 27 de Setembro de 2007, foram tomadas diversas decisões sobre o funcionamento do Centro, sendo de destacar as seguintes:
a) Admissão de 7 novos Sócios;
b) Foram apreciados e votados favoravelmente o Relatório das Actividades 2006/07, assim como, o Relatório e Contas de 2006;
c) Foram divulgadas as propostas em estudo para as próximas iniciativas do CRC;
d) Foram eleitos os novos Corpos Sociais, que ficaram assim constituídos:
Direcção
Guilherme d'Oliveira Martins (Presidente)
Maria Cristina Clímaco (Vice-Presidente)
José Luís de Matos (Secretário)
Carlos Leonel Santos (Tesoureiro)
Ana Cláudia Vicente (vogal)
Mesa da Assembleia Geral
José Torres Campos (Presidente)
António José Paulino (Vice-Presidente)
Germano Cleto (Secretário)
Conselho Fiscal
Alberto Pinto de Magalhães (Presidente)
António Sampaio Carvalho
Luís Wemans
Conselho Consultivo
Alfreda Fonseca
fr. Bento Domingues, op
Fernando Melro
Francisco Sarsfield Cabral
Manuel Vilas Boas
Irmã Maria Julieta, rscm
Pax Christi
Pe. Peter Stilwell
20 de setembro de 2007
Assembleia-Geral
Vai realizar-se na 5ª feira, 27 de Setembro de 2007, pelas 18:00 h uma Assembleia Geral do CRC, na sede [R. Castilho, 61-2ºD Lisboa], com a seguinte Ordem de Trabalhos:
1. Informações
2. Admissão de Novos Sócios
3. Apreciação do Relatório e Contas referente ao ano de 2006 e do Parecer do Conselho Fiscal
4. Eleição dos Corpos Sociais para o biénio 2007/8
5. Apresentação do Programa de Actividades do CRC
6. Outros assuntos de interesse para o CRC.
18 de junho de 2007
30 ANOS DE “REFLEXÃO CRISTÔ
Num País em que as iniciativas que procuram reflectir com liberdade e espírito crítico sobre a fé em Jesus Cristo e no Deus de Jesus Cristo e sobre o papel e o lugar da Igreja Católica na sociedade portuguesa e no mundo costumam ser intensas e fugazes, o facto desta revista ter já durado trinta anos é um acontecimento que merece ser assinalado.
Uma revista com este activo tem de voltar a publicar-se com maior regularidade, o que não tem sido fácil dado o carácter totalmente militante de que se reveste a sua publicação, a qual deve muito ao empenho e competência com que Germano Cleto procede à recolha e organização dos textos. Num mundo marcado por poderosas indústrias culturais, a revista inscreva-se na lógica do dom e da cidadania.
Deixo por isso duas sugestões para comemorar os 30 anos da “Reflexão Cristã”. Seria bom que para o próprio CRC, a “Reflexão Cristã” fosse cada vez mais vista como uma revista e não apenas como um boletim, publicando mais números temáticos com textos redigidos apenas para a revista, como aconteceu em alguns períodos da sua história.
Seria também muito interessante que fosse possível ter acesso on-line ao conteúdo dos seus números, a começar pelos mais antigos. O CRC que já dispõe do interessante blogue que podem consultar aqui e que se deve à criatividade de António José Paulino, seria uma vez mais pioneiro se tornasse acessível o conteúdo da “Reflexão Cristã”.
Será isto um sonho. É possível, mas na verdade o sonho comanda a vida.
José Leitão, no seu blogue
31 de maio de 2007
DE QUE ESPÍRITO SOMOS ?
Pe. Anselmo Borges [texto lido por Manuel Vilas Boas]
Francisco Sarsfield Cabral
Pe. José Tolentino Mendonça
Moderador: Pe. Peter Stilwell
23 de maio de 2007
Conferências de Maio questionam «O que nos faz correr»
Prestes a celebrar 32 anos, o Centro de Reflexão Cristã surgiu de uma iniciativa de um conjunto de católicos, leigos e sacerdotes, com experiências e práticas diferentes, que pretendiam propor uma reflexão inovadora acerca da forma de viver a fé em Jesus Cristo, face um novo contexto social e cultural.
Nos encontros do CRC destacam-se cristãos que sentem que pertencer a uma Igreja não é uma prática da esfera privada, mas antes amadurecida e reflectida com outras pessoas tornando essa acção mais eficaz. “Foi precisamente isso que ditou a minha participação nestes cursos, encontros e actividades”, sublinha o membro da direcção.
Esta é concretamente uma preocupação dos participantes do CRC. Ter uma prática cristã que vai além da sacramental e litúrgica. Todos os que participam nas actividades, sócios e não sócios, são pessoas muito activas na sua actividade profissional, que inevitavelmente levam para a reflexão promovida pelo CRC essas preocupações.
As pessoas que participam nas Conferências de Maio, talvez a iniciativa mais visível do CRC, são pessoas que “imbuídas das suas características enquanto cristãos” lêem a sua actividade profissional à luz da própria fé, aponta António Paulino..
O CRC foi pioneiro no debate inter religioso - sublinha José Leitão - mas o centro tem sido um espaço incubador de iniciativas que ganham autonomia e se projectam noutros espaços - exemplo disso é a reflexão sobre a exclusão e a pobreza “numa perspectiva analítica e científica”, promovida pelo Centro de Pesquisa Social.
A necessidade de renovar o estudo e ensino da História da Igreja, que contou com a iniciativa de José Matoso que animou um conjunto de jovens, teve o seu início no CRC, “havendo ainda outras iniciativas que infelizmente não as conseguimos projectar, como foi o caso da reflexão em torno da teologia africana”. Mas este quadro diverso mostra uma preocupação, diversa também, pelos problemas que vão acontecendo na sociedade portuguesa e internacional.
O último tema vai centrar-se na reflexão sobre “De que Espírito Somos?”, terminando o Pe. José Tolentino Mendonça, Pe. Anselmo Borges e Francisco Sarsfield de Cabral.
As conferências de Maio são um espaço que “já ganhou uma marca”, aponta José Leitão, pois é uma iniciativa que já se prolonga há muitos anos, com a tónica de um debate plural sobre questões que se relacionam com o quotidiano, com a mutação social e cultural, com os desafios que se enfrentam e “no qual têm participado intelectuais católicos com os mais diversos trajectos, mas também não cristãos das mais diversas origens profissionais, etárias, de confissões religiosas ou sem ter qualquer referência espiritual.
Os participantes das conferências “dão um feedback de participação efectiva na sociedade”, fruto da reflexão proporcionada pelo conteúdo das conferências. “Há sempre um espaço para debate” e, relembra António Paulino, alguns debates «acesos», “facto revelador de uma apetência para este tipo de pessoas que não se resignam a pertencer à Igreja de um modo pouco activo, mas procuram, nestes espaços, o seu local de intervenção”.
O CRC vive da iniciativa dos seus associados, “cabendo aos seus associados dar a orientação dos debates e temas”, aponta António Paulino.
Os debates têm lugar às 18h30 de cada terça-feira, no Centro de Estudos da Ordem do Carmo (Rua de Santa Isabel, 128-130).
21 de maio de 2007
O que faz correr a JOC
Intervenção de Maria das Neves, coordenadora nacional da JOC - Juventude Operária Católica, na 2ª Conferência de Maio, 2007
O que vou partilhar convosco são sentimentos e convicções não apenas meus mas dos militantes da JOC – Juventude Operária Católica. No fundo vou partilhar aqui o que faz correr a JOC, e procurar chegar a cada vez mais jovens, especialmente os que sentem mais na pele as consequências do mundo do trabalho.
Para quem não conhece, a JOC é um movimento especializado da Acção Católica que procura formar jovens no projecto libertador de Jesus Cristo. O nosso método é a Revisão de Vida: ver a realidade, julgar e aprofundar a mesma realidade com as lentes do Evangelho e da Doutrina Social da Igreja e agir, procurando através de acções transformadoras, pessoais e de grupo mudar essas mesmas realidades.
O que faz a JOC correr perante esta dimensão humana do trabalho é acreditar que é possível e urgente, tendo em vista a felicidade dos Homens, uma nova forma de olhar e viver o trabalho. Nós acreditamos na visão cristã reflectida no livro do Génesis e na encíclica “Trabalho Humano” de João Paulo II.
No livro do Génesis Deus, após ter criado o mundo, diz ao homem e à mulher “Crescei e multiplicai-vos. Enchei e dominai a Terra.” Deus confia à Humanidade a responsabilidade de continuar a obra da Criação que Ele iniciou. O meio que o Homem tem para desenvolver esta missão confiada por Deus, é o seu trabalho.
“Na Palavra da Revelação Divina acha-se muito profundamente inscrita esta verdade fundamental: que o Homem, criado à imagem de Deus, participa mediante o seu trabalho na obra do Criador e, num certo sentido, continua, na medida das suas possibilidades, a desenvolvê-la e a completá-la, progredindo cada vez mais na descoberta dos recursos e dos valores contidos em tudo aquilo que foi criado.” (LE, 25)
Esta missão é dada a cada um de nós sem excepção. Faz parte da existência e da vida humana dar continuidade à Obra que Deus iniciou. Ninguém pode demitir-se, nem ser excluído desta responsabilidade.
Todos têm o seu lugar. A obra é grande e cada um é chamado a dar o seu contributo conforme as suas capacidades e dons. Cada pessoa tem algo de importante a dar, que não é necessariamente igual ao que o outro pode dar, porque cada homem e cada mulher comporta unicidade e especificidade que o distingue dos outros. Cada um contém características, gostos, sensibilidades, capacidades e dons que postas ao serviço da comunidade tornam esta mais diversificada e por isso mais rica.
Deste modo, o trabalho humano é fonte de partilha e de solidariedade entre todos os Homens. É o meio de cada um pôr a render os seus talentos com vista a dar resposta às necessidades da Humanidade e por isso contribuir para o bem comum. A dignidade e importância do trabalho não vem do tipo de trabalho mas do facto de ser uma pessoa que o executa. Uma pessoa consciente de si mesma e do que a rodeia. Uma pessoa livre, capaz de decidir por si e responsável pela sua vida e pelo presente e futuro da sociedade.
Assim notamos que o trabalho congrega em si duas dimensões essenciais do Homem, a dimensão pessoal e a social, o que nos permite dizer que o “trabalho humano é uma chave, provavelmente a chave essencial de toda a questão social, se nós procurarmos vê-la verdadeiramente sob o ponto de vista do bem do Homem”. (LE, 3)
Como cristãos temos que anunciar que o centro do trabalho é sempre o Homem. Que “o trabalho é para o Homem e não o Homem para o trabalho” (LE, 6).
Esta verdade, que constitui num certo sentido a medula fundamental e perene da doutrina cristã sobre o trabalho humano, teve e continua a ter um significado primordiais para a formulação dos importantes problemas sociais ao longo de épocas inteiras. (LE, 6)
Para nós cristãos, o trabalho nunca pode ser fonte de exploração ou violência, atrofio da criatividade ou da liberdade, submissão de uns face ao poder e capital de outros, desigualdades salariais e sociais cada vez gritantes e taxas de desemprego e precariedade cada vez mais elevadas. Estas realidades nós sentimo-las hoje…
Testemunhos
Natural de Castelo Branco, Soraia mudou-se para Leiria em busca de melhores oportunidades. Habilitada para leccionar a disciplina de Educação Visual e Tecnológica, candidatou-se ao Ensino Básico para aumentar as possibilidades de colocação. Depois de quatro anos consecutivos a leccionar, 2006 revelou-se um ano de revezes profissionais – passou por quatro escolas, sempre com contratos de substituição. Sem perspectivas de emprego certo, todos os projectos pessoais ficaram adiados. (…)
A professora casou, há 2 anos, mas não pensa em constituir família, devido às dificuldades económicas. O sonho de ter um filho fica adiado até melhores dias.
Depois de constantes promessas de que a situação precária dos profissionais de saúde seria resolvido, Nuno está há 3 anos a trabalhar com contratos a prazo, por três meses, renováveis automaticamente. Antes, assinou outro contrato temporário, por oito meses, mas no IPO do Porto. E sabe de outros colegas na mesma situação há cerca de oito anos, o que o faz perspectivar um futuro, a médio prazo, de precariedade laboral. “ Não tenho independência para pedir um empréstimo.”
(excertos retirados da revista FOCUS, n.º 390)
“Nunca pensei em voltar a emigrar, visto que já tinha tido uma pequena experiência na Suíça, no início do meu casamento. Como já tinha uma noção do sacrifício de estar longe de tudo e de todos, jamais queria repetir tal experiência. Só que a vida muda, e quando temos os filhos como nossa prioridade abdicamos de outras coisas. O meu marido ficou desempregado e sem grandes perspectivas, eu ganhava pouco mais do que o salário mínimo e não podíamos aguentar por muito tempo essa situação. (…) O meu marido foi primeiro e ao fim de nove meses, eu e a minha filha partimos para o Luxemburgo.” (Sandra, 28 anos)
(retirado do JO – Juventude Operária, n.º 608)
Os 1300 funcionários da multinacional alemã de calçado Rohde manifestam-se amanhã em frente à Câmara de Santa Maria da Feira (…) Os trabalhadores da Rohde estão apreensivos. “Não tenho moral para trabalhar, não tenho rendimento. Não tenho pão para os meus filhos”, desabafa um dos operários no plenário que ontem teve lugar no exterior do recinto da unidade fabril. (retirado Público, 15/03/2007)
Sou trabalhadora-estudante num hipermercado em part-time. Neste emprego ao chegar atrasada 5 min são-me descontados 30 min no salário. Apesar de algumas vezes fazer horas extraordinárias não me é acrescentado nada mais no salário. (Andreia, 19 anos)
Trabalhar a recibos verdes é muito incerto e levanta-nos grandes problemas. Nunca sabemos quando vamos receber. Somos obrigados a passar recibos verdes e na maioria das vezes só recebemos muito mais tarde. E, corremos o risco de nem receber! Isso já me aconteceu. Mas independentemente disto, tens de pagar IRS, segurança social e Iva quando o volume de negócios é superior a 10.000 euros. (Sónia, 29 anos)
Trabalhei num supermercado durante 5 anos, terminei o contrato e mandaram-me embora. Fiquei a receber o subsídio de desemprego durante 1 ano e depois recorri à ADDECO. No entanto, não consegui emprego durante 2 anos. Vim para Portugal e inscrevi-me em várias empresas, mas nenhuma me chamou. Recorri, então, às empresas de trabalho temporário. (…)
Desde Junho do ano passado que estou inscrita em 3 empresas de trabalho temporário. (…)
chamaram-me e fiquei a trabalhar numa empresa durante 3 meses. Depois trabalhem Alcobaça durante 3 semanas e depois fui para uma empresa de plásticos trabalhar uma semana. De alguns meses para cá, chamam-me apenas alguns dias por mês. Nunca sei quantos dias vou trabalhar. (Cristina, 27 anos)
Outras situações: trabalho sem qualquer tipo de direitos; desigualdades salariais entre homens e mulheres; despedimento de grávidas; desemprego…
Neste momento, o trabalhador é um boneco de produção nas mãos dos grandes grupos económicos, de grandes interesses e de uma procura selvagem e feroz do lucro. De um lucro que não é distribuído por todos que contribuíram para ele mas que é acumulado pelos níveis mais elevados da hierarquia das empresas. O mercado de trabalho não tem o Homem como centro mas o dinheiro e o Homem é encarado como instrumento, como uma peça, uma coisa que faz ainda mais dinheiro.
A realidade é inegável: ao mesmo tempo que existem pessoas a serem vítimas de exploração e de pobreza cada vez de forma mais dramática, existem outros grupos que aumentam cada dia os seus ganhos e lucros. São conhecidos os lucros fabulosos e escandalosos da banca perante o endividamento, salários baixos, desemprego,… dos trabalhadores mais humildes. Como entender esta realidade numa sociedade democrática? Que desenvolvimento e progresso é este? Que sociedade estamos a construir?
“Dada a interdependência cada vez mais estreita e a sua progressiva difusão por todo o universo, o bem comum, ou seja, o conjunto de condições da vida social que permitem, quer aos grupos, quer a cada um dos seus membros, atingir a sua própria perfeição de um modo mais total e mais fácil, toma hoje uma extensão mais universal e implica, por isso, direitos e deveres que dizem respeito a todo o género humano. Todo o grupo deve ter em conta as necessidades e legítimas aspirações dos outros grupos e, mais ainda, o bem comum de toda a família humana.
Cresce ao mesmo tempo a consciência da eminente dignidade da pessoa humana, superior a todas as coisas e cujos direitos e deveres são universais e invioláveis. É, pois, necessário tornar acessível ao homem tudo aquilo de que este tem necessidade para levar uma vida verdadeiramente humana, como a alimentação, o vestuário, a habitação, o direito de escolher livremente o seu estado de vida e de fundar uma família, o direito à educação, ao trabalho, à reputação, ao respeito, a uma informação adequada, a actuar segundo a recta norma da sua consciência, à protecção da vida privada e a uma justa liberdade, inclusivamente em matéria religiosa.” (GS, 26)
Perante esta realidade, por onde pode deve passar a nossa acção enquanto cristãos?
“A Igreja, porém, considera sua tarefa fazer com que sejam sempre tidos presentes a dignidade e os direitos dos homens do trabalho, estigmatizar as situações em que são violados e contribuir para orientar as aludidas mutações, para que se torne realidade um progresso autêntico do homem e da sociedade.” (LE, 1)
Promover a solidariedade entre os trabalhadores para lutar contra a degradação social do homem, a exploração e a crescente miséria e fome, sendo assim verdadeiramente a Igreja dos pobres, tendo nesta matéria um papel importante as organizações dos trabalhadores;
Perceber e ajudar outros a perceberem a empresa como comunidade de pessoas, em que colaboram e participam todos os seus elementos;
Anunciar a distribuição dos lucros das empresas como forma justa e verdadeira de partilha e de sentido de pertença a uma empresa;
Incentivar os trabalhadores à formação pessoal e académica para estarem mais preparados para fazer face às exigências do mercado de trabalho;
Denunciar as injustiças e desigualdades salariais e sociais gritantes existentes na nossa sociedade (o salário mínimo português é 403 euros) que excluem cada vez mais pessoas de terem acesso a bens essenciais como a habitação;
Denunciar a precariedade e temporalidade do trabalho pois estas realidades tornam toda a vida precária e temporária, nomeadamente a vida familiar e associativa;
Denunciar o desemprego como verdadeira calamidade social e humana pois ele representa a exclusão da pessoa humana da participação na Obra da Criação.
Leitura de um excerto do livro “O Profeta” de Khalil Gibran, sobre o trabalho.
Maria das Neves
15 de maio de 2007
TROCA, TRABALHO e DOM
Maria das Neves Jesus
Moderador: Guilherme d’Oliveira Martins
10 de maio de 2007
PODER E PRAZER, FORÇA E FRAQUEZA
9 de maio de 2007
A Fé dos Homens
Na 2ª feira, 7 de Maio.2007, na RTP 2, no programa A Fé dos Homens, foi emitida uma entrevista sobre o CRC, a sua história, as suas actividades e em particular sobre as próximas Conferências de Maio, com a participação do José Leitão e António José Paulino.
Pode ser vista aqui.
2 de maio de 2007
Conferências de Maio, 2007
O QUE NOS FAZ CORRER?
PODER E PRAZER, FORÇA E FRAQUEZA
8 de Maio, 3ª feira, 18:30 H
Eduardo Lourenço
Moderador: José Leitão
TROCA, TRABALHO E DOM
15 de Maio, 3ª feira, 18:30 H
Isabel Pinto Correia
Maria das Neves Jesus
Manuel Carvalho da Silva
Moderador: Guilherme d’Oliveira Martins
O CULTO DO CORPO: ENCANTO DESENCANTO
22 de Maio, 3ª feira, 18:30H
Eduardo Sá
Laurinda Alves
Helena Marujo
Luís Miguel Neto
Moderador: Manuel Vilas Boas
DE QUE ESPÍRITO SOMOS ?
29 de Maio, 3ª feira, 18:30 H
Anselmo Borges
Francisco Sarsfield Cabral
José Tolentino Mendonça
Moderador: Pe. Peter Stilwell
Local: Centro de Estudos da Ordem do Carmo
Rua de Santa Isabel, 128-130. Lisboa (Metro: Rato)
19 de dezembro de 2006
Jesus muçulmano
Membro da Comunidade Ismailita
4 de dezembro de 2006
Jesus nos Evangelhos apócrifos
Próximo Colóquio:
19 de Dezembro 2006, 3ª feira, às 18:30 h
no Centro Nacional de Cultura
Intervenções:
Pe. João Lourenço
Pe. Joaquim Carreira das Neves
José Augusto Ramos
CRISTIANISMO E ISLAMISMO - NOVOS DINAMISMOS
Comentário de José Leitão sobre o último colóquio do CRC, publicado no seu blog:
(...)
Ficou claro para todos o lugar de relevo que o Alcorão atribui a Jesus, filho Maria, Profeta, Verbo de Deus e Messias, concebido virginalmente por Maria, mas que não é Deus, não foi crucificado, nem morto, mas Deus elevou-o para Ele.
O Alcorão e as tradições islâmicas têm afinidades com as narrativas sobre Jesus dos Evangelhos canónicos de Mateus, Marcos e Lucas, manifestando também ecos de Evangelhos apócrifos.
Particularmente interessante, e diria mesmo perturbante, foi a intervenção e o testemunho da mais notável teóloga muçulmana portuguesa, da corrente xiita ismaili, Faranaz Keshavjee do seu encontro com o Jesus muçulmano. (...)
28 de novembro de 2006
Jesus profeta do Islão
Realizou-se a 28 de Novembro 2006 o 2º Colóquio desta série, com as intervenções de:
António Dias Farinha
Faranaz Keshavjee
Artur Cunha Oliveira
Guilherme d'Oliveira Martins (moderador)
29 de outubro de 2006
JESUS, JUDEU DA PALESTINA
Relato sobre o último colóquio do CRC, por José Leitão:
O CRC (Centro de Reflexão Cristã) iniciou um ciclo de «Diálogos sobre Jesus», extremamente interessante que nos colocam perante diversas compreensões da sua identidade, o que nos suscita a pergunta quem é para mim este homem.
Jesus nasceu judeu na Palestina, é considerado como profeta pelo Islão, são várias as narrativas gnósticas que dele nos dão retratos inesperados, é confessado como o Cristo por milhões de cristãos.
Os debates começaram pelo princípio, falando de Jesus judeu da Palestina. Jesus nasceu judeu, foi circuncidado, apresentado no Templo, frequentou e ensinou em sinagogas.
Estes debates começaram por interrogar Jesus como judeu da Palestina, com as intervenções de Alain Hayat e de José Tolentino de Mendonça.
Alain Hayat é um judeu francês nascido em Tunes, que trabalhou durante muitos anos em Portugal e que é Reitor da Sinagoga de Lisboa, e autor do livro “Éclats de Tora” e empenhado no diálogo inter-religioso no quadro do Forum Abraâmico. Fez uma abordagem muito serena e objectiva.
Considerou que seria mais correcto dizer que Jesus nasceu no Reino da Judeia, que era um protectorado de Roma, no qual exercia poder um governador romano e um rei local, e não na Palestina, designação mais associada, em seu entender ao mandato britânico sobre a região. Sublinhou que as fontes que dispomos sobre Jesus são textos gerados pela fé dos homens e não trabalhos de historiadores. Apoiando-se no historiador judeu do I século Flavius Joseph referiu que quando surgiu Jesus, a religião judaica estava dividida em várias tendências, numa situação de confronto e de desordem total.
Caracterizou várias tendências ou seitas: os saduceus, aristocracia conservadora muito ligada ao Templo de Jerusalém abertos a todo o tipo de compromissos com os romanos; os fariseus mais exigentes com um fundo nacionalista, que desenvolveram uma tradição oral, grupos místicos como os de Qumran, que desenvolvem conceitos como o de Mestre da Justiça, que pode ter tido eco em Jesus. Havia ainda os “brigantes”, os zelotas, que hoje chamaríamos fundamentalistas e que recorriam a atentados contra os romanos.
Não havia apenas uma grande divisão, mas também uma pergunta enorme sobre o futuro. Era um momento propício para uma mensagem forte. Jesus aparece ligado a símbolos fortes. Jesus é filho de José, filho preferido do patriarca Jacob, de cujo ramo sairá o Messias. Há um conjunto de coincidências e de pormenores relativos a Jesus que o ligam à tradição judaica. Jesus era um judeu que estava à procura de promover a santidade e de a generalizar. Naquela altura as discussões entre judeus, eram constantes e não provocavam rupturas. Jesus foi considerado durante toda a vida como judeu, com uma visão diferente. Só depois com os apóstolos e o desenvolvimento do cristianismo como religião se deu a ruptura.
José Tolentino de Mendonça, padre católico, doutorado em Ciências Bíblicas, poeta e escritor, reconheceu que faltam fontes para conhecer o judaísmo no tempo de Jesus. Jesus é-nos dado sempre através dos testemunhos e de uma comunidade que tem a referência da sua fé É necessária a mediação da linguagem e da comunidade e precisamos sempre de uma hermenêutica.
Estamos actualmente na terceira vaga de estudos acerca de Jesus. As duas anteriores descreviam Jesus com critérios de separação relativamente ao judaísmo. Hoje vinga o critério da plausibilidade.
É mais credível inseri-lo no contexto de um judaísmo que era uma realidade fragmentada, como o comprova o facto de se falar em tendências, o que vai permitir que um pregador da Galileia pudesse fazer o caminho que Jesus fez. Os próprios Evangelhos vão costurando os filamentos que explicam o movimento de Jesus. De referir, por exemplo, a sua ligação a João Baptista que bebe do entusiasmo reformador que existe no seu tempo.
Hoje muitos autores judeus escrevem sobre Jesus, sobre a sua dimensão de sábio à maneira dos rabinos com os seus grupos de discípulos, debatendo a partir de citações do Antigo Testamento. O método parabólico não é desconhecido da tradição judaica. Jesus explora a margem desse judaísmo plural de onde vai emergir o cristianismo. Outra dimensão de Jesus, é a profética e apocalíptica. Não é por acaso que Isaías é citado nos Evangelhos. O profetismo judaico é uma chave essencial para compreender.
Jesus faz um percurso solitário. A partir do capítulo 3 do Evangelho de Lucas não pode entrar nas cidades. Sofre a perseguição que sofriam os que reclamavam uma mudança do sistema religioso e social.
Os milagres, as curas, as refeições são essenciais para compreender o personagem Jesus, mostrando, por exemplo, na multiplicação dos pães a sua visão da sociedade.
O critério da plausibilidade é essencial para compreender Jesus, mas há um limite. Fica por explicar como morreu, como foi excluído dentro daquele sistema religioso e social. Jesus tem de ser explicado pela continuidade e pela ruptura. Jesus foi um judeu marginal, um camponês do Mediterrâneo, aberto ao helenismo, segundo outros autores. A pertença judaica é uma dimensão de Jesus, não nos diz tudo sobre ele.
Ao deixar aqui este apontamento quero sublinhar que a importância das questões abordadas nesta sessão justificariam a organização entre cristãos e judeus de um Seminário sobre este tema.
Era muito importante divulgar entre nós os autores desta terceira vaga de estudos sobre Jesus, incluindo os autores judeus. O suplemento “Mil Folhas”, de 8 de Julho de 2006 do jornal “Público” divulgou, por exemplo, um desses autores, Geza Vermes, mas infelizmente as suas obras ainda não estão publicadas em português.
Se me permitem uma sugestão não percam os próximos debates sobre Jesus, o primeiro dos quais será sobre Jesus como profeta do Islão.
Olhar em volta é a única forma de viver livre e de pensar livremente.
18 de outubro de 2006
Diálogos sobre Jesus
CICLO DE COLÓQUIOS 2006/2007
Terças-feiras às 18h30m
1º Jesus judeu da Palestina
24 de Outubro 2006
Alain Hayat
Pe. José Tolentino de Mendonça
2º Jesus profeta do Islão
28 de Novembro 2006
António Dias Farinha
Faranaz Keshavjee
Artur Cunha Oliveira
3º Jesus nos Evangelhos apócrifos
19 de Dezembro 2006
Pe. João Lourenço
Pe. Joaquim Carreira das Neves
José Augusto Ramos
4º Jesus Cristo História e Fé
23 de Janeiro 2007
Maria Julieta, rscm
D. Manuel Clemente
Local: Auditório do Centro Nacional de Cultura
Largo do Picadeiro, nº 10-1º. Lisboa.
(metro Baixa-Chiado)
ENTRADA LIVRE
7 de agosto de 2006
Reflexão Cristã nº 25-26 de 2005
Saiu um novo número da Reflexão Cristã, que inicia uma nova série, com novo grafismo e novo formato.
Este número dá realce à celebração do 30º aniversário do CRC, com a publicação do texto do José Leitão "CRC - Trinta anos de Presença Cristã" e publica um conjunto de intervenções que foram proferidas nas Conferências de Maio de 2005 - BOA NOVA NA CIDADE MODERNA. Textos de D. Carlos Azevedo, Jorge Wemans, Graça Franco, Catarina Pereira Miguel, Pe. Hermínio Rico, sj, Manuel Vilas Boas, Acácio Catarino, Pe. António Janela, Maria José Nogueira Pinto, Alfredo Bruto da Costa e Pe. José Manuel Pereira de Almeida.
Publica-se também o resumo da intervenção do Presidente do CRC na Catedral de Notre-Dame de Paris durante o Congresso da Nova Evangelização.


