O CRC é um espaço de diálogo entre cristãos de diferentes sensibilidades, e entre cristãos e não cristãos.

10 de maio de 2008

Laicidade, Lacismo e Modernidade (3)

A José Vera Jardim coube encerrar a sequência de reflexões desta primeira Conferência de Maio 2008.







Laicidade, Lacismo e Modernidade (2)

Eis a segunda comunicação, por Maria Lúcia Amaral.



Laicidade, Lacismo e Modernidade (1)

Por cortesia de Marco Oliveira, aqui apresentamos a primeira de três comunicações apresentadas na passada quarta-feira, por Fr. Bento Domingues, o.p.



1 de maio de 2008

Conferências de Maio - Programa

Conferências de Maio 2008
Questões sobre Laicidade

1 - Laicidade, Laicismo e Modernidade
Dia 7 de Maio, 4ªfeira, 18h30m

Fr. Bento Domingues
José Vera Jardim
Maria Lúcia Amaral


2 - Laicidade, Laicismo e Democracia
Dia 14 de Maio, 4ªfeira, 18h30m

Esther Mucznik
José Carlos Calazans
Pe. José Tolentino Mendonça


3 - A Construção da Laicidade
Dia 21 de Maio, 4ªfeira, 18h30m

José Eduardo Franco
Leonor Xavier
Luís Salgado de Matos


4 - Portugal, Democracia Laica e Plural
Dia 28 de Maio, 4ªfeira, 18h30m

José Lamego
Pe. Peter Stilwell


Local: Centro de Estudos da Ordem do Carmo
Rua de Santa Isabel, 128-130. Lisboa (Metro: Rato)
[vide mapa aqui]

22 de abril de 2008

Novo Número da "Reflexão Cristã"

Já saiu o nº 29-30 da Reflexão Cristã. Nesta edição encontram-se glosadas as comunicações apresentadas durante o ciclo de conferências 2006-2007, dedicadas a diferentes aspectos do tema "Diálogos sobre Jesus". Alain Hayat, José Tolentino Mendonça, Artur da Cunha Oliveira, Faranaz Keshavjee, António Dias Farinha, Joaquim Carreira das Neves, João Duarte Lourenço, José Augusto Ramos, Irmã Maria Julieta, rscm, D. Manuel Clemente, D. Carlos Moreira de Azevedo, Caetano Pacheco de Andrade, Joaquim Teles Sampaio e Maria Joaquina Nobre Júlio foram os seus autores. Germano Cleto oferece uma pequena recensão sobre a recente obra de José Luís de Matos, Igreja Católica - Choque de Paradigmas (Caminho, 2007).

21 de abril de 2008

Salvos na Esperança - Leitura e Testemunho

O 5º Colóquio 200/2008 do CRC foi dedicado à reflexão e debate da Carta Encíclica Spe Salvi, assinada por Bento XVI em Roma a 30 de Novembro do passado ano. A sua apresentação foi feita pelo P.Peter Stilwell, que começou por destacar a clareza das ideias contidas nesta meditação sobre a esperança, a abordagem aos grandes momentos de cisão teológica ocorridos na história do Cristianismo, e o diálogo estabelecido com o pensamento de diversos filósofos da contemporaneidade. Nesse quadro de leitura da tradição ocidental, sublinha a interpelação papal ao significado cristão de esperança na sua articulação com a fé e o amor, demais virtudes teologais. A experiência da oração, a prática do exame de consciência e a vivência solidária do padecimento alheio são alguns dos caminhos propostos no documento.
Após intervenção a cargo de João Bénard da Costa [vide post anterior], Laurinda Alves comunicou a sua perspectiva sobre a prática quotidiana da esperança: reportando-se à própria experiência como voluntária em meio hospitalar, reflectiu acerca do testemunho de integridade que muitos dos que se debatem com a sua própria finitude aí conseguem, ainda, manifestar. Como cultivar, então, tal virtude? Segundo a jornalista, a busca de uma unidade interior passa pela recusa do entendimento mediaticamente descalibrado da realidade, bem como pela procura de uma espiritualidade assente na reflexão e no serviço.

20 de abril de 2008

Salvos na Esperança - Comunicação

[A pedido de vários participantes, aqui disponibilizamos na íntegra o artigo que esteve na base da intervenção de João Bénard da Costa durante o 5º Colóquio CRC 2007/2008.]


Em Esperança salvos somos...

Como tema da sua segunda encíclica, Bento XVI escolheu a Esperança. Spe Salvi é o título dela. No Natal de 2005, ano primeiro do seu pontificado, falou sobre a Caridade (Deus Caritas Est). É quase certo poder afirmar que, na terceira, invocará a Fé e ver, nesta ordenação das virtudes teologais, a Palavra do Apóstolo das Gentes na Primeira Epístola aos Coríntios: “Porém a maior destas, a Caridade é” (Cor.I, XII, 13) “porque tudo encobre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta” (Cor.I, XIII, 7). Esta poderosa encíclica em que, dos autores não canónicos, Santo Agostinho é o mais citado, pode resumir-se na glosa à passagem do comentário do autor das Confissões ao Salmo 91:

“O objecto da fé reside em coisas que não vemos, mas cuja realidade brilhará plenamente quando as pudermos ver.

O objecto da esperança reside, também, em coisas que não possuímos, mas que virão. Mas já não virão em esperança, porque as possuiremos e não teremos que as esperar.

Mas a caridade, pelo contrário, não deixará de aumentar. Porque se amamos a Deus, que não vemos, quanto mais O amaremos quando O virmos”.

E, no entanto, para alguns, a Esperança permanece a virtude mais misteriosa, aquela que pasma o próprio Deus, como escreveu Péguy em Le Porche du Mystère de la Deuxième Vertu, quando lhe chamou petite fille esperance. “Que esta gente veja como tudo hoje se passa / e creia que amanhã irá melhor, / Que vejam como tudo hoje se passa e creiam / que amanhã de manhã irá melhor / E espantoso é mesmo a grande maravilha da minha graça / É o que a mim mesmo me espanta”, como de Péguy traduziu Manuel de Lucena em idos que já lá vão.

Bento XVI não se quedou poeticamente no pórtico do Mistério da chamada segunda virtude. Abordou-a, como havia abordado a Caridade. Como pastor e como Filósofo, se me é lícito transpor para o autor da encíclica uma imagem que usa a propósito de Cristo, e que não me recordo ter visto alguma vez com tanta clareza e com tanta força.

Diz o Papa, no sexto capítulo da sua carta encíclica: “A figura de Cristo é interpretada, nos antigos sarcófagos, sobretudo através de duas imagens: a do filósofo e a do pastor. Em geral, por filosofia não se entendia então uma difícil disciplina académica, tal como ela se apresenta hoje. O filósofo era antes aquele que sabia ensinar a arte essencial: a arte de ser rectamente homem, a arte de viver e de morrer.” (…) Quase ao fim do século terceiro, encontramos pela primeira vez em Roma, no sarcófago de um menino e no contexto da ressurreição de Lázaro, a figura de Cristo como o verdadeiro filósofo que, numa mão, segura o Evangelho e, na outra, o bastão do viandante, próprio do filósofo.” (…) “O mesmo se torna visível na imagem do pastor. Tal como sucedia com a representação do filósofo, assim também na figura do pastor a Igreja primitiva podia apelar-se a modelos existentes da arte romana. Nesta, o pastor era, em geral, expressão do sonho de uma vida serena e simples de que as pessoas, na confusão da grande cidade, sentiam saudade. Agora a imagem era lida no âmbito de um novo cenário que lhe conferia um conteúdo mais profundo.” (…) A certeza que existe Aquele que, mesmo na morte, me acompanha com o seu bastão e com o seu cajado conforta-me. Esta era a nova ‘esperança’ que surgia na vida dos crentes”.

O Vigário de Cristo na Terra não é Cristo e sabe-o bem. Mas a ele lhe cabe ensinar, como seu bastão, a arte de viver e de morrer, como a ele lhe cabe, com o seu cajado, amparar-nos no caminho, Pastor que também é, desde que Cristo disse a Pedro: “Apascenta as minhas ovelhas”. De Pedro é Bento XVI o sucessor.

No XI capítulo da Epístola aos Hebreus (v.1) diz S. Paulo: “A fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se vêem”. Curiosamente, esta tradução do Padre Annes de Almeida aproxima-se da leitura do Papa, depois de ter sido posta em causa tanto por Lutero como por alguma exegese católica. Bento XVI demora-se na interpretação desta passagem. Como ele próprio diz, ela não traduz apenas uma convicção (“estar convencido das coisas que não se vêem”) mas estabelece objectivamente uma prova. A fé fundamenta a esperança, a fé prova-nos as coisas que ainda não vemos e só esperamos. Como diz o Papa: “Atrai o futuro para dentro do presente, de modo que aquele já não é o puro ‘ainda-não’. O facto de este futuro existir, muda o presente; o presente é tocado pela realidade futura, e assim as coisas futuras derramam-se naquelas presentes e as presentes nas futuras”. Não é o corriqueiro “enquanto há vida há esperança”, é a prova de que a única esperança é a que se concretizará depois da morte. Nenhuma esperança se pode realizar totalmente na nossa vida terrena, mas todas se realizarão na “vida eterna”.

“Vida eterna”. Bento XVI demora-se nessa expressão e demora-se de modo inusitado. “Queremos nós realmente isto: viver eternamente? Hoje, muitas pessoas rejeitam a fé, talvez simplesmente porque a vida eterna não lhes parece uma coisa desejável. Não querem de modo algum a vida eterna, mas a presente; antes, a fé na vida eterna parece, para tal fim, um obstáculo. Continuar a viver eternamente – sem fim – parece mais uma condenação do que um dom. Certamente a morte queria-se adiá-la o mais possível. Mas, viver sempre, sem um termo, acabaria por ser fastidioso e, em última análise, insuportável”.

Jorge de Sena, num poema sublime, escreveu: “De morte natural nunca ninguém morreu / não foi para morrer que nós nascemos”. Conheceria ele de Santo Ambrósio, o De excessu fratris sui Satyri (Elegia à morte de Sátiro, irmão defunto) citado pelo Papa, e em que Ambrósio diz também que a morte não é natural, que Deus não instituiu a morte. “Deu-a como remédio quando a vida dos homens começou a ser miserável. Deus teve que pôr fim a estes males, para que a mote reutilizasse o que a vida havia perdido”. Sena, de novo, referindo-se a Deus: “De nós se acresce ele mesmo, que será / o espírito que formos, o saber e a força. / Não é nos braços dele que repousamos / mas ele se encontrará nos nossos braços / quando chegarmos mais além do que ele. / Não nos aguarda – a mim, a ti, a quem amaste / a quem te amou a quem te deu o ser – / não nos aguarda, não. Por cada morte / a que nos entregamos el’se vê roubado / roído pelos ratos do demónio, / o homem natural que aceita a morte / a natureza que de morte é feita”.

Não vou tão longe que diga que o Papa subscreva estes versos. Mas o Papa põe-se a questão, e pergunta o que é que na verdade a vida e o que é que significa realmente eternidade. “Não sabemos o que queremos, não conhecemos vida verdadeira”. Permanecemos no que Agostinho chamou docta ignorantia. Mas, citando de novo Agostinho, o que sabemos que deve existir é algo que não conhecemos e o que nos impele para ele é a Esperança. “Quando a hora chegar” onde “em Espaço caiba a Eternidade”, como se diz no final do poema de Sena (A Morte, o Espaço, a Eternidade, in Metamorfoses) que algo sacrilegamente e algo sagradamente conflui para mim como as palavras de Bento XVI.

Escreve o Papa: “Conjecturar que a eternidade não seja uma sucessão contínua de dias do calendário, mas algo parecido com o instante repleto de satisfação, onde a totalidade nos abraça e nós abraçamos a totalidade.” “Mergulhamos no oceano do amor infinito” como o Mergulhador de Paestum, “no quando antes, depois, o tempo deixar de existir”.

Esta impossibilidade de pensar ou imaginar a vida eterna tem anulado todas as visões do Paraíso, quer seja a de Dante, tão demoradamente humana, quer seja a das inúmeras representações do Céu dos grandes pintores do século XV. Que vemos nelas? Vultos de plácidos rostos e de azul vestidos, sentados em adoração. Vida nunca ninguém a imaginou no reino de Bemaventurança. E é no entanto na esperança dela que reside a nossa Esperança.

Bento XVI demora-se na análise das imagens terrenas que tentaram substituir a vida eterna, a vida depois da morte, pelos vários paraísos terrenos.

Remonta a Francis Bacon e à crença no progresso que fará surgir um mundo totalmente novo. “Do arco e da flecha à megabomba” ironizou no século XX Adorno, também citado pelo Papa, certamente na primeira encíclica que o cita e ele e a Hockheimer. Como cita o Gorgias de Platão e vários textos de Kant.

E quando o Papa pede uma “autocrítica do cristianismo moderno”, fala expressamente do cristianismo que já conhece o desespero das esperanças frustradas da Revolução Francesa ou da Revolução de 1917.

“Não é a ciência que redime o homem”, diz o Papa. “O homem é redimido pelo Amor”. Aquele amor de que fala S. Paulo (Rom.VIII, 38-39): Porque cero estava, que nem morte nem vida, nem anjos nem Principados, nem Potestades, nem o presente nem o porvir, nem a altura nem a profundeza, nem alguma outra criatura, nos poderá afastar do Amor de Deus, que em Cristo Jesus, Senhor nosso está”.

Sempre me espantou – e sempre admirei – a esperança de homens que não acreditam em qualquer vida para além desta, num futuro paraíso terreno, seja o da sociedade sem classes, seja o do progresso ilimitado. Se eu for só poeira ou cinza nesse futuro distante, como poderei saber se a minha esperança se alcançou? A minha última visão do mundo é uma visão de ódio e desespero, de raivas e de vinganças. Como consolar-me com um futuro que não conhecerei?

Bento XVI di-lo, com força admirável, nesta Encíclica, em que também interpela a consolação de tais esperanças.

“A época moderna desenvolveu a esperança da instauração de um mundo perfeito que, graças aos conhecimentos da ciência e a uma política cientificamente fundada, parecia tornar-se realizável. (…).Mas, com o passar do tempo fica claro que esta esperança escapa sempre para mais longe. Primeiro deram-se conta de que esta era talvez uma esperança para os homens de amanhã, mas não uma esperança para mim. E, embora o elemento « para todos » faça parte da grande esperança – com efeito, não posso ser feliz contra e sem os demais – o certo é que uma esperança que não me diga respeito a mim pessoalmente não é sequer uma verdadeira esperança”.

Qual é a verdadeira esperança? Essa, a tal que “espanta o próprio Deus”, vem da con-solatio, a consolação do amor solidário de Deus.

Para exprimir essa solidariedade, Bento XVI, nesta assombrada e assombrosa encíclica, cita, de São Bernardo, a frase que o próprio Papa adjectiva como “maravilhosa”. Impassibilis est Deus, sed non incompassibilis” (“Deus é O que não pode padecer, mas se pode compadecer”).

Acreditá-lo depende mais da nossa Esperança do que da nossa Fé. Ou, talvez, da nossa Caridade. “Uma chama inatingível, que nem o sopro da morte / consegue sufocar”, para acabar re-citando Péguy.

João Bénard da Costa, Público, 16.12.2007.

6 de abril de 2008

Salvos na Esperança

CICLO DE COLÓQUIOS 2007/2008 - 5º

Salvos na Esperança

Dia 15 de Abril de 2008, 3ª feira às 18h30m
João Bénard da Costa
Laurinda Alves
Pe. Peter Stilwell

Local: Sala Sophia de Mello Breyner Andresen
Centro Nacional de Cultura
Rua António Maria Cardoso, nº 68. Lisboa.
(metro Baixa-Chiado)


ENTRADA LIVRE

22 de fevereiro de 2008

Cristianismo nos Meios de Comunicação - Ecos do Colóquio

Moderado por Manuel Vilas-Boas (TSF), este 4º Colóquio 2007/2008 pretendeu perspectivar o presente da relação entre os mass media e o fenómeno religioso - particularmente o Cristianismo - em Portugal. O primeiro interveniente, José António Santos (Agência Lusa), reflectiu sobre esta questão no âmbito específico da actividade de uma agência de notícias. Da sua comunicação constou uma apreciação estatística da informação veiculada entre Maio e Dezembro últimos, da qual se pôde concluir que 0,9% da mesma se reportou a matéria religiosa, a longa distância das temáticas mais noticiadas, relativas aos domínios político (27%) e económico (17%), configurando mesmo um dos aspectos da agenda noticiosa menos abordados.
Francisco Sarsfield Cabral (Rádio Renascença) começou por caracterizar o actual quadro mediático como o de uma realidade em profunda mudança, no qual se destaca a crise da imprensa e a adaptação de alguns dos seus títulos ao meio virtual. Reportou-se, de seguida, à dificuldade e morosidade que as instituições religiosas portuguesas, em particular a Igreja Católica (mas também outras instituições tradicionais, como as forças armadas, ou as corporações profissionais), apresentaram e apresentam ainda na adaptação ao novo contexto de comunicação, caracterizado pela quasi-instantaneidade. Segundo este interveniente, a necessária aposta na formação de interlocutores nessas instituições deveria corresponder, do lado dos media, ao investimento na especialização dos profissionais de comunicação. Sobre media de inspiração confessional em Portugal, considerou condição indispensável para o seu sucesso o abandono de um discurso apologético e propagandístico, em favor da produção de informação rigorosa, criada por profissionais reconhecidos.
Paulo Rocha (Agência Ecclesia/Programa Ecclesia) caracterizou a abordagem televisiva ao fenómeno religioso como tradutora da pluralidade hoje vivida em Portugal: no canal público têm expressão (em programa dedicado) 14 confissões. Não obstante, considerou clara a hegemonia do catolicismo na mesma, em reflexo da realidade sociológica. Estando a Igreja Católica ligada ao próprio nascimento da RTP, lamentou não ter sido o seu contributo reportado nas celebrações do seu cinquentenário, rememorando de seguida alguns dos seus principais marcos na programação do canal. Fora do âmbito estrito do serviço público, considerou ser a actualidade religiosa perspectivada pelas estações televisivas como atractiva quando veiculada com enfoque no valor emocional das narrativas apresentadas, e não propriamente pelas características que lhe são intrínsecas. Em sua opinião, a presença de jornalistas de diferentes confissões nas redacções dos diversos media é o melhor meio de assegurar a investigação e transmissão de informação religiosa com qualidade.
Para António Marujo (Jornal Público), a actualidade do religioso faz-se do seu cruzamento com inúmeros outros domínios do real. Persistem, contudo, problemas de desconhecimento, preconceito e linguagem na relação daquele fenómeno com os media, nomeadamente com a imprensa. Por um lado, as religiões manifestam medo do imediato, ignorando frequentemente a oportunidade de comunicar em tempo mediaticamente útil; por outro, os profissionais de comunicação, dotados de formação cada vez mais generalista, desconhecem amiúde a mundividência e orgânica das instituições religiosas, transmitindo informação pouco rigorosa. O mútuo preconceito tem, pois, obviado à informação acerca tais realidades.
Seguiu-se um breve período de discussão, onde foram debatidas questões em torno da reserva eclesiástica na relação com a comunicação social, da intercomunicabilidade no seio do catolicismo, e da viabilidade de um título semanal católico português.
Outros ecos do colóquio: Agência Ecclesia.

19 de fevereiro de 2008

CRC no CNC, hoje à tarde

[António Marujo (Imprensa); Paulo Rocha(TV); Francisco Sarsfield Cabral (Rádio);
Manuel Vilas-Boas (Rádio/ Moderador); José António dos Santos (Agência Noticiosa)]

17 de fevereiro de 2008

O Cristianismo nos Meios de Comunicação

CICLO DE COLÓQUIOS 2007/2008 - 4º

O Cristianismo nos Meios de Comunicação

Dia 19 de Fevereiro de 2008, 3ª feira às 18h30m
António Marujo
Francisco Sarsfield Cabral
José António dos Santos
Manuel Vilas-Boas
Paulo Rocha

Local: Auditório do Centro Nacional de Cultura
Largo do Picadeiro, nº 10-1º. Lisboa.
(metro Baixa-Chiado)

ENTRADA LIVRE

7 de janeiro de 2008

Cristianismo em Rede – A Igreja na Net

CICLO DE COLÓQUIOS 2007/2008 - 3º

Cristianismo em Rede – A Igreja na Net

Dia 15 de Janeiro de 2008, 3ª feira às 18h30m
Ana Cláudia Vicente
Carlos Cunha
Tiago Cavaco

Local: Auditório do Centro Nacional de Cultura
Largo do Picadeiro, nº 10-1º. Lisboa.
(metro Baixa-Chiado)

ENTRADA LIVRE

6 de dezembro de 2007

Ciclo de Colóquios 2007/08 - 2º

Jesus de Nazaré segundo Ratzinger / Bento XVI
Dia 11 de Dezembro de 2007

José Luís de Matos
Pe. Henrique Noronha Galvão

Local: Auditório do Centro Nacional de Cultura
Largo do Picadeiro, nº 10-1º. Lisboa.
(metro Baixa-Chiado)

ENTRADA LIVRE

10 de novembro de 2007

CICLO DE COLÓQUIOS 2007/08 - 1º

Terças-feiras às 18h30m

A actualidade de Cristo - Abrir horizontes
Dia 20 de Novembro de 2007

Anselmo Borges
Maria José Bijóias Mendonça

Local: Auditório do Centro Nacional de Cultura
Largo do Picadeiro, nº 10-1º. Lisboa.
(metro Baixa-Chiado)

ENTRADA LIVRE

27 de setembro de 2007

CRC - Assembleia Geral

Na Assembleia Geral do CRC efectuada a 27 de Setembro de 2007, foram tomadas diversas decisões sobre o funcionamento do Centro, sendo de destacar as seguintes:

a) Admissão de 7 novos Sócios;
b) Foram apreciados e votados favoravelmente o Relatório das Actividades 2006/07, assim como, o Relatório e Contas de 2006;
c) Foram divulgadas as propostas em estudo para as próximas iniciativas do CRC;
d) Foram eleitos os novos Corpos Sociais, que ficaram assim constituídos:

Direcção

Guilherme d'Oliveira Martins (Presidente)
Maria Cristina Clímaco (Vice-Presidente)
José Luís de Matos (Secretário)
Carlos Leonel Santos (Tesoureiro)
Ana Cláudia Vicente (vogal)

Mesa da Assembleia Geral

José Torres Campos (Presidente)
António José Paulino (Vice-Presidente)
Germano Cleto (Secretário)

Conselho Fiscal

Alberto Pinto de Magalhães (Presidente)
António Sampaio Carvalho
Luís Wemans

Conselho Consultivo

Alfreda Fonseca
fr. Bento Domingues, op
Fernando Melro
Francisco Sarsfield Cabral
Manuel Vilas Boas
Irmã Maria Julieta, rscm
Pax Christi
Pe. Peter Stilwell

20 de setembro de 2007

Assembleia-Geral

Vai realizar-se na 5ª feira, 27 de Setembro de 2007, pelas 18:00 h uma Assembleia Geral do CRC, na sede [R. Castilho, 61-2ºD Lisboa], com a seguinte Ordem de Trabalhos:
1. Informações
2. Admissão de Novos Sócios
3. Apreciação do Relatório e Contas referente ao ano de 2006 e do Parecer do Conselho Fiscal
4. Eleição dos Corpos Sociais para o biénio 2007/8
5. Apresentação do Programa de Actividades do CRC
6. Outros assuntos de interesse para o CRC.

18 de junho de 2007

30 ANOS DE “REFLEXÃO CRISTÔ


A revista “Reflexão Cristã” comemorou o seu trigésimo aniversário com a publicação do número 27-28, relativo ao ano de 2006.

Num País em que as iniciativas que procuram reflectir com liberdade e espírito crítico sobre a fé em Jesus Cristo e no Deus de Jesus Cristo e sobre o papel e o lugar da Igreja Católica na sociedade portuguesa e no mundo costumam ser intensas e fugazes, o facto desta revista ter já durado trinta anos é um acontecimento que merece ser assinalado.

Este número tem dois temas centrais: revisitando a constituição pastoral a igreja no mundo contemporâneo; imagens do sagrado, imagens do mundo. Reúne conferências proferidas nestas duas importantes iniciativas do CRC – Centro de Reflexão Cristã e contem textos muito interessantes de: Maria Alfreda Fonseca, Teresa Venda, Armando Sales Luís, Isabel Allegro de Magalhães, Pe. Joaquim Carreira Das Neves, Carlos Zorrinho, Pedro Sena Lino, Jorge Barreto Xavier, Emília Nadal, Jorge Wemans, Manuela Silva, D. Carlos Moreira Azevedo, Maria Armanda Saint-Maurice, José Manuel Torres Campos, João Benard da Costa, Pe. Peter Stilwell, Faranaz Keshavje, José Luís Matos, Nuno Teotónio Pereira, Abdool Karim Vakil, Esther Mucznik, Pe. Manuel Pereira de Almeida, Pastora Idalina Sitanela, José Vera Jardim, D. Manuel Clemente.
Francisco Sarsfield Cabral, Guilherme d’Oliveira Martins e Fernando Gomes da Silva assinam respectivamente uma nota de abertura, uma nota da direcção do CRC e uma evocação dos 30 anos da revista. O teólogo Henrique Noronha Galvão faz uma recensão da tradução portuguesa do livro de Santiago Madrigal, SJ., “No seguimento do Concílio:Karl Rahner e Joseph Ratzinger”.
A diversidade de participações deste número tem sido uma constante destes trinta primeiros anos de publicação, tendo nela colaborado centenas de cristãos e não-cristãos, incluindo judeus, muçulmanos, agnósticos, portugueses e estrangeiros, muitos deles figuras incontornáveis da teologia e da cultura contemporâneas.

Frei Bento Domingues no primeiro número da “Reflexão Cristã”, sublinhou em termos programáticos que a teologia «tem de deixar de ser monopólio seja de quem for e tornar-se a cultura do povo cristão. Tem de tornar-se a forma crítica dos cristãos pensarem o conteúdo e as relações da fé com todas as realidades que interferem na orientação profunda da vida dos homens feita por todos os cristãos». A revista foi ensaiando diversas aproximações à mutação cultural e aos desafios do ser cristão numa sociedade laica e plural, reflectindo diversos tempos e modos, ligados não apenas a uma atenção aos mutáveis sinais dos tempos, mas também às diferentes sensibilidades dos seus directores, que foram sucessivamente Fernando Gomes da Silva, Manuela Silva, José Leitão, José Manuel Pureza e, actualmente, Francisco Sarsfield Cabral.
Constitui uma referência incontornável do catolicismo português do século XX, que continua no século XXI, como se comprova pela leitura do artigo de Paulo Fontes, na História Religiosa de Portugal, vol 3, coordenado por Manuel Clemente e António Matos Ferreira, Círculo de Leitores, páginas 291-292.

Uma revista com este activo tem de voltar a publicar-se com maior regularidade, o que não tem sido fácil dado o carácter totalmente militante de que se reveste a sua publicação, a qual deve muito ao empenho e competência com que Germano Cleto procede à recolha e organização dos textos. Num mundo marcado por poderosas indústrias culturais, a revista inscreva-se na lógica do dom e da cidadania.
Para todos os que se interessam não apenas pelo pensamento cristão face aos desafios da modernidade, mas mais genericamente pela história das ideias torna-se necessário a sua consulta.

Deixo por isso duas sugestões para comemorar os 30 anos da “Reflexão Cristã”. Seria bom que para o próprio CRC, a “Reflexão Cristã” fosse cada vez mais vista como uma revista e não apenas como um boletim, publicando mais números temáticos com textos redigidos apenas para a revista, como aconteceu em alguns períodos da sua história.
Seria também muito interessante que fosse possível ter acesso on-line ao conteúdo dos seus números, a começar pelos mais antigos. O CRC que já dispõe do interessante blogue que podem consultar aqui e que se deve à criatividade de António José Paulino, seria uma vez mais pioneiro se tornasse acessível o conteúdo da “Reflexão Cristã”.

Será isto um sonho. É possível, mas na verdade o sonho comanda a vida.

José Leitão, no seu blogue

31 de maio de 2007

DE QUE ESPÍRITO SOMOS ?









29 de Maio, 3ª feira, 18:30 H
Pe. Anselmo Borges [texto lido por Manuel Vilas Boas]
Francisco Sarsfield Cabral
Pe. José Tolentino Mendonça

Moderador: Pe. Peter Stilwell

23 de maio de 2007

O CULTO DO CORPO: ENCANTO DESENCANTO





Conferências de Maio questionam «O que nos faz correr»

Notícia publicada pela Agência Ecclesia, por Lígia Silveira a 09/05/2007, a propósito da entrevista feita a José Leitão e António José Paulino e que foi transmitida pela RTP2:

Prestes a celebrar 32 anos, o Centro de Reflexão Cristã surgiu de uma iniciativa de um conjunto de católicos, leigos e sacerdotes, com experiências e práticas diferentes, que pretendiam propor uma reflexão inovadora acerca da forma de viver a fé em Jesus Cristo, face um novo contexto social e cultural.
As práticas diversas de luta pela justiça e pela paz que unia os seus iniciadores, entenderam ser útil criar um espaço, da sua responsabilidade, onde pudessem perspectivar esse empenho à luz da fé, com base em temas que elegiam como questões importantes e prioritárias. O debate decorria de forma o livre, confrontando perspectivas com pessoas cristãs ou não, sempre aberto a outras confissões, numa grande abertura a não cristãos que manifestavam disponibilidade para discutir estas questões. “Mais não é do que a experiência de viver o cristianismo numa sociedade laica, plural e democrática, com base no diálogo”, sublinha José Leitão, membro do CRC, numa entrevista ao Programa ECCLESIA.
António José Paulino, membro da direcção, destaca que na criação do CRC, esteve a necessidade de as pessoas discutirem entre si e organizarem debates ao nível da teologia. Na história inicial, o “CRC promoveu muitos cursos, especialmente numa altura em que não existiam na sociedade portuguesa, em especial para leigos”.
Nos encontros do CRC destacam-se cristãos que sentem que pertencer a uma Igreja não é uma prática da esfera privada, mas antes amadurecida e reflectida com outras pessoas tornando essa acção mais eficaz. “Foi precisamente isso que ditou a minha participação nestes cursos, encontros e actividades”, sublinha o membro da direcção.
Esta é concretamente uma preocupação dos participantes do CRC. Ter uma prática cristã que vai além da sacramental e litúrgica. Todos os que participam nas actividades, sócios e não sócios, são pessoas muito activas na sua actividade profissional, que inevitavelmente levam para a reflexão promovida pelo CRC essas preocupações.
As pessoas que participam nas Conferências de Maio, talvez a iniciativa mais visível do CRC, são pessoas que “imbuídas das suas características enquanto cristãos” lêem a sua actividade profissional à luz da própria fé, aponta António Paulino..
O CRC foi pioneiro no debate inter religioso - sublinha José Leitão - mas o centro tem sido um espaço incubador de iniciativas que ganham autonomia e se projectam noutros espaços - exemplo disso é a reflexão sobre a exclusão e a pobreza “numa perspectiva analítica e científica”, promovida pelo Centro de Pesquisa Social.
A necessidade de renovar o estudo e ensino da História da Igreja, que contou com a iniciativa de José Matoso que animou um conjunto de jovens, teve o seu início no CRC, “havendo ainda outras iniciativas que infelizmente não as conseguimos projectar, como foi o caso da reflexão em torno da teologia africana”. Mas este quadro diverso mostra uma preocupação, diversa também, pelos problemas que vão acontecendo na sociedade portuguesa e internacional.
O homem e as suas preocupações é o centro dos debates do CRC. “O homem é o caminho da Igreja”, aponta José Leitão. Reflectindo sobre o homem e o significado da sua vida, “é que se faz o encontro com Jesus Cristo”. O Centro tem a preocupação de proporcionar uma reflexão sobre Jesus Cristo numa perspectiva o mais alargada possível - as conferências de 2006 foram precisamente sobre “diálogos com Jesus”.
Ultimamente as iniciativas do CRC têm-se centrado mais em conferências, dá conta António Paulino. Normalmente estas iniciativas são publicadas na Reflexão Cristã, publicação do CRC. Mais recentemente a criação de um blog permite a publicação de alguns textos das conferências “e até mesmo artigos de jornais que resultam de intervenções das conferências”. Este ano planeiam disponibilizar em pod cast o conteúdo das conferências, possibilitando chegar a pessoas que não apenas do circuito de Lisboa e num mais curto espaço de tempo.
Não há qualquer restrição à participação nas conferências, adianta António Paulino, que este ano decorrem sob o tema “O que nos faz correr”. “Qual o nosso objectivo, quais são as motivações que todos temos na nossa vida, são apenas algumas questões que se podem relacionar também com o quadro da correria que temos no nosso dia a dia”. O tema é depois dividido em quatro áreas diferentes, sendo a primeira sobre “Poder e prazer, força e fraqueza”, que contou ontem, dia 8, com a presença de Eduardo Lourenço.
A conferência é sobre “Troca, trabalho e dom”. “Uma das críticas que se ouve muito é que tem de ser tempo para fazer a sua carreira e deixam para trás muitas coisas da sua vida”. Esta área vai contar com a participação de Manuel Brandão Alves, Manuel Carvalho da Silva e Maria das Neves de Jesus.
Outra proposta é “O culto do corpo: encanto desencanto”, “e a evidência que ganha na sociedade moderna”, adianta António Paulino. Neste dia estarão presentes Eduardo Sá, Laurinda Alves, Helena Marujo e Luís Miguel Neto.
O último tema vai centrar-se na reflexão sobre “De que Espírito Somos?”, terminando o Pe. José Tolentino Mendonça, Pe. Anselmo Borges e Francisco Sarsfield de Cabral.
“O objectivo é incluir na discussão perspectivas abrangentes e pluralistas das temáticas, nas diversas formas que os convidados podem trazer para enriquecer o debate”, explica António Paulino.
As conferências de Maio são um espaço que “já ganhou uma marca”, aponta José Leitão, pois é uma iniciativa que já se prolonga há muitos anos, com a tónica de um debate plural sobre questões que se relacionam com o quotidiano, com a mutação social e cultural, com os desafios que se enfrentam e “no qual têm participado intelectuais católicos com os mais diversos trajectos, mas também não cristãos das mais diversas origens profissionais, etárias, de confissões religiosas ou sem ter qualquer referência espiritual.
Os participantes das conferências “dão um feedback de participação efectiva na sociedade”, fruto da reflexão proporcionada pelo conteúdo das conferências. “Há sempre um espaço para debate” e, relembra António Paulino, alguns debates «acesos», “facto revelador de uma apetência para este tipo de pessoas que não se resignam a pertencer à Igreja de um modo pouco activo, mas procuram, nestes espaços, o seu local de intervenção”.
O CRC vive da iniciativa dos seus associados, “cabendo aos seus associados dar a orientação dos debates e temas”, aponta António Paulino.
Os debates têm lugar às 18h30 de cada terça-feira, no Centro de Estudos da Ordem do Carmo (Rua de Santa Isabel, 128-130).