Pe. Anselmo Borges [texto lido por Manuel Vilas Boas]
Francisco Sarsfield Cabral
Pe. José Tolentino Mendonça
Moderador: Pe. Peter Stilwell
O CRC é um espaço de diálogo entre cristãos de diferentes sensibilidades, e entre cristãos e não cristãos.
Intervenção de Maria das Neves, coordenadora nacional da JOC - Juventude Operária Católica, na 2ª Conferência de Maio, 2007
Na 2ª feira, 7 de Maio.2007, na RTP 2, no programa A Fé dos Homens, foi emitida uma entrevista sobre o CRC, a sua história, as suas actividades e em particular sobre as próximas Conferências de Maio, com a participação do José Leitão e António José Paulino.
Pode ser vista aqui.
O QUE NOS FAZ CORRER?
PODER E PRAZER, FORÇA E FRAQUEZA
8 de Maio, 3ª feira, 18:30 H
Eduardo Lourenço
Moderador: José Leitão
TROCA, TRABALHO E DOM
15 de Maio, 3ª feira, 18:30 H
Isabel Pinto Correia
Maria das Neves Jesus
Manuel Carvalho da Silva
Moderador: Guilherme d’Oliveira Martins
O CULTO DO CORPO: ENCANTO DESENCANTO
22 de Maio, 3ª feira, 18:30H
Eduardo Sá
Laurinda Alves
Helena Marujo
Luís Miguel Neto
Moderador: Manuel Vilas Boas
DE QUE ESPÍRITO SOMOS ?
29 de Maio, 3ª feira, 18:30 H
Anselmo Borges
Francisco Sarsfield Cabral
José Tolentino Mendonça
Moderador: Pe. Peter Stilwell
Local: Centro de Estudos da Ordem do Carmo
Rua de Santa Isabel, 128-130. Lisboa (Metro: Rato)
Próximo Colóquio:
19 de Dezembro 2006, 3ª feira, às 18:30 h
no Centro Nacional de Cultura
Intervenções:
Pe. João Lourenço
Pe. Joaquim Carreira das Neves
José Augusto Ramos
Comentário de José Leitão sobre o último colóquio do CRC, publicado no seu blog:
(...)
Ficou claro para todos o lugar de relevo que o Alcorão atribui a Jesus, filho Maria, Profeta, Verbo de Deus e Messias, concebido virginalmente por Maria, mas que não é Deus, não foi crucificado, nem morto, mas Deus elevou-o para Ele.
O Alcorão e as tradições islâmicas têm afinidades com as narrativas sobre Jesus dos Evangelhos canónicos de Mateus, Marcos e Lucas, manifestando também ecos de Evangelhos apócrifos.
Particularmente interessante, e diria mesmo perturbante, foi a intervenção e o testemunho da mais notável teóloga muçulmana portuguesa, da corrente xiita ismaili, Faranaz Keshavjee do seu encontro com o Jesus muçulmano. (...)
Realizou-se a 28 de Novembro 2006 o 2º Colóquio desta série, com as intervenções de:
António Dias Farinha
Faranaz Keshavjee
Artur Cunha Oliveira
Guilherme d'Oliveira Martins (moderador)
Relato sobre o último colóquio do CRC, por José Leitão:
O CRC (Centro de Reflexão Cristã) iniciou um ciclo de «Diálogos sobre Jesus», extremamente interessante que nos colocam perante diversas compreensões da sua identidade, o que nos suscita a pergunta quem é para mim este homem.
Jesus nasceu judeu na Palestina, é considerado como profeta pelo Islão, são várias as narrativas gnósticas que dele nos dão retratos inesperados, é confessado como o Cristo por milhões de cristãos.
Os debates começaram pelo princípio, falando de Jesus judeu da Palestina. Jesus nasceu judeu, foi circuncidado, apresentado no Templo, frequentou e ensinou em sinagogas.
Estes debates começaram por interrogar Jesus como judeu da Palestina, com as intervenções de Alain Hayat e de José Tolentino de Mendonça.
Alain Hayat é um judeu francês nascido em Tunes, que trabalhou durante muitos anos em Portugal e que é Reitor da Sinagoga de Lisboa, e autor do livro “Éclats de Tora” e empenhado no diálogo inter-religioso no quadro do Forum Abraâmico. Fez uma abordagem muito serena e objectiva.
Considerou que seria mais correcto dizer que Jesus nasceu no Reino da Judeia, que era um protectorado de Roma, no qual exercia poder um governador romano e um rei local, e não na Palestina, designação mais associada, em seu entender ao mandato britânico sobre a região. Sublinhou que as fontes que dispomos sobre Jesus são textos gerados pela fé dos homens e não trabalhos de historiadores. Apoiando-se no historiador judeu do I século Flavius Joseph referiu que quando surgiu Jesus, a religião judaica estava dividida em várias tendências, numa situação de confronto e de desordem total.
Caracterizou várias tendências ou seitas: os saduceus, aristocracia conservadora muito ligada ao Templo de Jerusalém abertos a todo o tipo de compromissos com os romanos; os fariseus mais exigentes com um fundo nacionalista, que desenvolveram uma tradição oral, grupos místicos como os de Qumran, que desenvolvem conceitos como o de Mestre da Justiça, que pode ter tido eco em Jesus. Havia ainda os “brigantes”, os zelotas, que hoje chamaríamos fundamentalistas e que recorriam a atentados contra os romanos.
Não havia apenas uma grande divisão, mas também uma pergunta enorme sobre o futuro. Era um momento propício para uma mensagem forte. Jesus aparece ligado a símbolos fortes. Jesus é filho de José, filho preferido do patriarca Jacob, de cujo ramo sairá o Messias. Há um conjunto de coincidências e de pormenores relativos a Jesus que o ligam à tradição judaica. Jesus era um judeu que estava à procura de promover a santidade e de a generalizar. Naquela altura as discussões entre judeus, eram constantes e não provocavam rupturas. Jesus foi considerado durante toda a vida como judeu, com uma visão diferente. Só depois com os apóstolos e o desenvolvimento do cristianismo como religião se deu a ruptura.
José Tolentino de Mendonça, padre católico, doutorado em Ciências Bíblicas, poeta e escritor, reconheceu que faltam fontes para conhecer o judaísmo no tempo de Jesus. Jesus é-nos dado sempre através dos testemunhos e de uma comunidade que tem a referência da sua fé É necessária a mediação da linguagem e da comunidade e precisamos sempre de uma hermenêutica.
Estamos actualmente na terceira vaga de estudos acerca de Jesus. As duas anteriores descreviam Jesus com critérios de separação relativamente ao judaísmo. Hoje vinga o critério da plausibilidade.
É mais credível inseri-lo no contexto de um judaísmo que era uma realidade fragmentada, como o comprova o facto de se falar em tendências, o que vai permitir que um pregador da Galileia pudesse fazer o caminho que Jesus fez. Os próprios Evangelhos vão costurando os filamentos que explicam o movimento de Jesus. De referir, por exemplo, a sua ligação a João Baptista que bebe do entusiasmo reformador que existe no seu tempo.
Hoje muitos autores judeus escrevem sobre Jesus, sobre a sua dimensão de sábio à maneira dos rabinos com os seus grupos de discípulos, debatendo a partir de citações do Antigo Testamento. O método parabólico não é desconhecido da tradição judaica. Jesus explora a margem desse judaísmo plural de onde vai emergir o cristianismo. Outra dimensão de Jesus, é a profética e apocalíptica. Não é por acaso que Isaías é citado nos Evangelhos. O profetismo judaico é uma chave essencial para compreender.
Jesus faz um percurso solitário. A partir do capítulo 3 do Evangelho de Lucas não pode entrar nas cidades. Sofre a perseguição que sofriam os que reclamavam uma mudança do sistema religioso e social.
Os milagres, as curas, as refeições são essenciais para compreender o personagem Jesus, mostrando, por exemplo, na multiplicação dos pães a sua visão da sociedade.
O critério da plausibilidade é essencial para compreender Jesus, mas há um limite. Fica por explicar como morreu, como foi excluído dentro daquele sistema religioso e social. Jesus tem de ser explicado pela continuidade e pela ruptura. Jesus foi um judeu marginal, um camponês do Mediterrâneo, aberto ao helenismo, segundo outros autores. A pertença judaica é uma dimensão de Jesus, não nos diz tudo sobre ele.
Ao deixar aqui este apontamento quero sublinhar que a importância das questões abordadas nesta sessão justificariam a organização entre cristãos e judeus de um Seminário sobre este tema.
Era muito importante divulgar entre nós os autores desta terceira vaga de estudos sobre Jesus, incluindo os autores judeus. O suplemento “Mil Folhas”, de 8 de Julho de 2006 do jornal “Público” divulgou, por exemplo, um desses autores, Geza Vermes, mas infelizmente as suas obras ainda não estão publicadas em português.
Se me permitem uma sugestão não percam os próximos debates sobre Jesus, o primeiro dos quais será sobre Jesus como profeta do Islão.
Olhar em volta é a única forma de viver livre e de pensar livremente.
CICLO DE COLÓQUIOS 2006/2007
Terças-feiras às 18h30m
1º Jesus judeu da Palestina
24 de Outubro 2006
Alain Hayat
Pe. José Tolentino de Mendonça
2º Jesus profeta do Islão
28 de Novembro 2006
António Dias Farinha
Faranaz Keshavjee
Artur Cunha Oliveira
3º Jesus nos Evangelhos apócrifos
19 de Dezembro 2006
Pe. João Lourenço
Pe. Joaquim Carreira das Neves
José Augusto Ramos
4º Jesus Cristo História e Fé
23 de Janeiro 2007
Maria Julieta, rscm
D. Manuel Clemente
Local: Auditório do Centro Nacional de Cultura
Largo do Picadeiro, nº 10-1º. Lisboa.
(metro Baixa-Chiado)
ENTRADA LIVRE
Saiu um novo número da Reflexão Cristã, que inicia uma nova série, com novo grafismo e novo formato.
Este número dá realce à celebração do 30º aniversário do CRC, com a publicação do texto do José Leitão "CRC - Trinta anos de Presença Cristã" e publica um conjunto de intervenções que foram proferidas nas Conferências de Maio de 2005 - BOA NOVA NA CIDADE MODERNA. Textos de D. Carlos Azevedo, Jorge Wemans, Graça Franco, Catarina Pereira Miguel, Pe. Hermínio Rico, sj, Manuel Vilas Boas, Acácio Catarino, Pe. António Janela, Maria José Nogueira Pinto, Alfredo Bruto da Costa e Pe. José Manuel Pereira de Almeida.
Publica-se também o resumo da intervenção do Presidente do CRC na Catedral de Notre-Dame de Paris durante o Congresso da Nova Evangelização.
DOIS COMPROMISSOS
D. ANTÓNIO FERREIRA GOMES
D. SEBASTIÃO SOARES DE RESENDE
Colóquio
Dia 11de Julho de 2006
3ª feira às 18h30m
D. Carlos Azevedo
Caetano Pacheco de Andrade
Moderador: Guilherme d’Oliveira Martins
Local: Auditório do Centro Nacional de Cultura
Largo do Picadeiro, nº 10-1º. Lisboa.
(metro Baixa-Chiado)

· José Vera Jardim
· D. Manuel Clemente 

24 de Maio, 4ª feira,18:30 H
A LIBERDADE RELIGIOSA NUM MUNDO PLURAL
· Pastora Idalina Sitanela
Moderadora: Maria Cristina Clímaco
José Leitão publicou o seguinte post sobre as Conferências de Maio no seu blog
IMAGEM DO SAGRADO, IMAGENS DO MUNDO
(...)
Na primeira conferência sobre o tema "A representação do sagrado no mundo da imagem" a escultora Clara Menéres referiu-se aos problemas e às querelas que suscitou a representação do sagrado no confronto entre o judaísmo, o islamismo e o cristianismo, bem como, em diversos momentos no interior do cristianismo, manifestando-se criticamente contra a forma como a figura humana é hoje muitas vezes degradada designadamente em campanhas publicitárias, muito longe da seriedade e o rigor que, por exemplo, se punha na produção de ícones no quadro da espiritualidade ortodoxa.
João Bénard da Costa analisou também esta questão referindo-se a outros períodos de questionamento da representação do sagrado no interior do cristianismo, por exemplo, por parte da reforma protestante. Ambos sublinharam que a questão da representação do sagrado se tornou mais viável no interior do cristianismo, em virtude de como diz S. João «o Verbo fez-se homem e habitou entre nós».
O facto de Deus se ter feito homem em Jesus, do qual nenhum Evangelho canónico ou apócrifo descreve os traços físicos, tornou legítima a sua representação, a qual teve uma influência decisiva na própria emergência e desenvolvimento da pintura e esculturas europeias.
O padre Peter Stilwell, como teólogo, sublinhou que a representação do sagrado reveste hoje outras formas e nos chega pelo cinema, por vezes, onde menos se espera e pela televisão. Referiu a propósito a morte de João Paulo II, a procissão da Imagem da Virgem de Fátima pelas ruas de Lisboa e os funerais da Madre Teresa de Calcutá ou até da Princesa Diana dada a imagem que tinha criado de dedicação a causas humanitárias. Ficou a convicção de que sem a opção do cristianismo pela representação do sagrado teria sido outra a arte na Europa, tendo a esse propósito, João Bénard da Costa evocado os trabalhos de Cristina Campo, para quem sem o cristianismo não teríamos tido a arte moderna.
Na segunda conferência o debate centrou-se sobre "Património da fé e na liberdade criadora", Faranaz Keshavjee deu como exemplo de liberdade criadora a forma como na comunidade ismaili é encarado o património cultural, referindo-se com detalhe ao Centro Ismaili de Lisboa e ao culto doméstico dos ismailis do Tajiquistão. Sublinhou como procuram conjugar a tradição, com o enraizamento local, pela utilização de materiais e formas que estabelecem pontes com o património local.
José Luís de Matos abordou a evolução das concepções e representações do sagrado desde as civilizações agrícolas, às civilizações mercantis, da oralidade ao audiovisual, passando pela escrita. Fez o que se poderemos designar como um itinerário de Deus, para evocar os trabalhos de Régis Debray sobre estas matérias, que citou.
Nuno Teotónio Pereira evocou como foi difícil o emergir do Movimento de Renovação da Arte Religiosa, há cerca de cinquenta anos, num contexto marcado pelas limitações que o salazarismo colocava à expressão artística, que não tivesse uma inspiração nacionalista.
Contou como arquitectos, pintores e músicos procuraram uma arte cristã, que estivesse de acordo com as realidades sociais, a sensibilidade e a espiritualidade modernas e não procurasse repetir de forma artificial o que tinha correspondido a outros tempos.
Foram referidos, como exemplos, a Igreja de Santo António de Moscavide, concebida por António Freitas Leal e João Almeida e a Igreja do Sagrado Coração de Jesus da autoria de Nuno Teotónio Pereira.
Em aberto ficou uma afirmação de José Luís de Matos de que o audiovisual e a Internet colocam desafios de grande novidade e radicalidade à representação e à ligação com o sagrado, que a Igreja tem dificuldade em pensar.
Este é precisamente o tema da próxima quarta-feira "Imagens do religioso na comunicação social", com a participação de Abddoal Karim Vakil, da comunidade islâmica, Ester Mucznik, da comunidade israelita de Lisboa, e do Padre José Manuel Pereira de Almeida.