Prestes a celebrar 32 anos, o Centro de Reflexão Cristã surgiu de uma iniciativa de um conjunto de católicos, leigos e sacerdotes, com experiências e práticas diferentes, que pretendiam propor uma reflexão inovadora acerca da forma de viver a fé em Jesus Cristo, face um novo contexto social e cultural.
Nos encontros do CRC destacam-se cristãos que sentem que pertencer a uma Igreja não é uma prática da esfera privada, mas antes amadurecida e reflectida com outras pessoas tornando essa acção mais eficaz. “Foi precisamente isso que ditou a minha participação nestes cursos, encontros e actividades”, sublinha o membro da direcção.
Esta é concretamente uma preocupação dos participantes do CRC. Ter uma prática cristã que vai além da sacramental e litúrgica. Todos os que participam nas actividades, sócios e não sócios, são pessoas muito activas na sua actividade profissional, que inevitavelmente levam para a reflexão promovida pelo CRC essas preocupações.
As pessoas que participam nas Conferências de Maio, talvez a iniciativa mais visível do CRC, são pessoas que “imbuídas das suas características enquanto cristãos” lêem a sua actividade profissional à luz da própria fé, aponta António Paulino..
O CRC foi pioneiro no debate inter religioso - sublinha José Leitão - mas o centro tem sido um espaço incubador de iniciativas que ganham autonomia e se projectam noutros espaços - exemplo disso é a reflexão sobre a exclusão e a pobreza “numa perspectiva analítica e científica”, promovida pelo Centro de Pesquisa Social.
A necessidade de renovar o estudo e ensino da História da Igreja, que contou com a iniciativa de José Matoso que animou um conjunto de jovens, teve o seu início no CRC, “havendo ainda outras iniciativas que infelizmente não as conseguimos projectar, como foi o caso da reflexão em torno da teologia africana”. Mas este quadro diverso mostra uma preocupação, diversa também, pelos problemas que vão acontecendo na sociedade portuguesa e internacional.
O último tema vai centrar-se na reflexão sobre “De que Espírito Somos?”, terminando o Pe. José Tolentino Mendonça, Pe. Anselmo Borges e Francisco Sarsfield de Cabral.
As conferências de Maio são um espaço que “já ganhou uma marca”, aponta José Leitão, pois é uma iniciativa que já se prolonga há muitos anos, com a tónica de um debate plural sobre questões que se relacionam com o quotidiano, com a mutação social e cultural, com os desafios que se enfrentam e “no qual têm participado intelectuais católicos com os mais diversos trajectos, mas também não cristãos das mais diversas origens profissionais, etárias, de confissões religiosas ou sem ter qualquer referência espiritual.
Os participantes das conferências “dão um feedback de participação efectiva na sociedade”, fruto da reflexão proporcionada pelo conteúdo das conferências. “Há sempre um espaço para debate” e, relembra António Paulino, alguns debates «acesos», “facto revelador de uma apetência para este tipo de pessoas que não se resignam a pertencer à Igreja de um modo pouco activo, mas procuram, nestes espaços, o seu local de intervenção”.
O CRC vive da iniciativa dos seus associados, “cabendo aos seus associados dar a orientação dos debates e temas”, aponta António Paulino.
Os debates têm lugar às 18h30 de cada terça-feira, no Centro de Estudos da Ordem do Carmo (Rua de Santa Isabel, 128-130).














