O CRC é um espaço de diálogo entre cristãos de diferentes sensibilidades, e entre cristãos e não cristãos.

27 de janeiro de 2006

Deus Caritas Est - Bento XVI

A propósito da recente publicação da 1ª encíclica do Papa Bento XVI, num artigo do Público, de 26.Jan.06, veio publicado o seguinte comentário do Presidente do CRC, Guilherme d'Oliveira Martins:

UMA ENCÍCLICA PARA O NOSSO TEMPO

“Deus Caritas est” (Deus é Amor) constitui uma agradável surpresa. Estamos perante uma encíclica que trata de um tema central no mundo contemporâneo – o lugar do outro e a relação entre as pessoas. E é muito interessante que Bento XVI tenha escolhido um tema transversal e susceptível de mobilizar vontades e energias. Assim, com um aparato teológico e filosófico bastante rico, fazendo jus a um percurso intelectual fecundo, o Papa põe no centro da reflexão da Igreja Católica o tema crucial da mensagem cristã – susceptível de lançar pontes de encontro e de diálogo, designadamente entre as várias religiões e todas as pessoas de boa vontade. “O amor é possível, e nós somos capazes de o praticar porque criados à imagem de Deus. Viver o amor é (…) fazer entrar a luz de Deus no mundo…” E que método preconiza o Sumo Pontífice nesta encíclica? O método simples e ancestral do exemplo, dos sinais concretos sobre “o amor com que Deus nos cumula e que deve ser comunicado aos outros por nós”. Num tempo em que tanto se fala de comunicação, torna-se indispensável ir os fundamentos da relação entre as pessoas e tirar consequências em termos de responsabilidade para com os outros. Trata-se de assumir e de preparar o “face a face”, de que fala S. Paulo, e que transforma a terceira virtude teologal, a caridade, em primeira, de que a fé e a esperança são subsidiárias. Eros, philia e agape são formas diferentes da relação humana. E Eros tem de ser compreendido, como equilíbrio na relação com o corpo, em lugar de esquecido o suprimido (“o eros quer-nos elevar ‘em extase’ para o Divino, conduzir-nos para além de nós próprios, mas por isso mesmo requer um caminho de ascese, renúncias, purificações e saneamentos”). E aqui há pistas muito importantes e inovadoras que lançam sinais de esperança. Bento XVI analisa cada uma das formas da relação humana e fá-lo citando não apenas (como era tradicional nas encíclicas) os livros sagrados e os padres da Igreja, mas também grandes autores, como Virgílio, Descartes, Kant, Nietzsche, a propósito do amor como “cuidado do outro e pelo outro”. Não se trata de cultivar uma abstracção, mas de partir e chegar às situações concretas. “Se na minha vida negligencio completamente a atenção do outro, importando-me apenas com ser ‘piedoso’ e cumprir os meus ‘deveres religiosos’, então definha também a relação com Deus”. No fundo, mais do que a felicidade, o que está em causa é o bem do outro – a partir da concepção de Deus como “fonte originária de todo o ser”. Mas, como construir uma “comunidade de amor”? Como assumir a “caridade como dever da Igreja”? Como ligar caridade e justiça? Eis o que está em causa.

18 de janeiro de 2006

Gaudium et Spes/A Vida Económico-Social

Revisitação 40 anos depois
6º Colóquio
A Vida Económico-Social
31 Janeiro 2006 (3ª f, às 18:30h)

D. Carlos Azevedo
Jorge Wemans
Manuela Silva

Lançamento da edição do CRC da Gaudium et Spes
com Prefácio de D. Carlos Azevedo

Local: Auditório do Centro Nacional de Cultura
Largo do Picadeiro, nº 10-1º. Lisboa.
(metro Baixa-Chiado)
ENTRADA LIVRE
Nota:
O 7º e último colóquio deste ciclo será divulgado em breve.

17 de janeiro de 2006

CRC 30 anos - fotos





5 de dezembro de 2005

CRC 30 Anos

No sábado 3 de Dezembro foi feita a comemoração dos 30 anos do CRC.
Aqui está o texto da intervenção do José Leitão:


CRC – TRINTA ANOS DE PRESENÇA CRISTÃ

O Centro de Reflexão Cristã é, como todos sabeis, uma Associação espontânea e livremente constituída por leigos, religiosos, uma ou outra comunidade e movimentos cristãos, agindo sobre a sua exclusiva responsabilidade.
Completou já trinta anos de existência e faço votos que este encontro mais do que olhar para trás permita identificar linhas de acção para o futuro.
O facto de já ter trinta anos, durante os quais foi pioneiro em muitas áreas de reflexão e investigação, mostra que tinha razão de ser, e acrescento que continua a ter um lugar singular no quadro da Igreja e da sociedade portuguesa. Só permanece o que é e se torna imprescindível.
Não sou historiador e, por isso, não irei abordar estes trinta anos como tal, espero que outros o venham a fazer.
Constato no entanto, que hoje existe a tese de doutoramento da Catarina Silva Nunes, que nasceu um ano após a fundação do CRC, que faz uma aproximação ao que tem sido a intervenção de CRC, e que felizmente está publicada sob o título Compromissos Incontestados. A auto-representação dos intelectuais católicos portugueses, Edições Paulinas, Fevereiro de 2005 e que o Paulo Fontes publicou um texto interessante no 3.º volume da História Religiosa de Portugal, edição Círculo de Leitores.
É enorme a riqueza de vida que por ele tem passado: ideias, esperanças, amizades, redescobertas do sabor libertador da fé, experiências de celebração e oração.
Vale a pena tentar perceber em que medida o CRC tem conseguido concretizar o que foi definido como constituindo a sua identidade e os seus objectivos.
O art.º.2º dos Estatutos define como objectivo do Centro “o estudo da Teologia para crescimento na fé cristã, ao serviço da evangelização e da libertação, inicialmente do Povo Português, actualmente da Pessoa Humana” num registo que, creio, pretende ser mais universalista.
Para a realização dos seus fins, o Centro propõe-se, sobretudo através do trabalho cooperativo dos seus membros
a) promover e efectuar cursos, conferências, palestras, jornadas de estudo, seminários e congressos;
b) investigar e aprofundar teologicamente as experiências que grupos de cristãos estejam a viver no sentido da evangelização libertadora;
c) fomentar a constituição e funcionamento de grupos de trabalho ou de investigação em domínios ligados à sua actividade;
d) promover a edição de publicações.
Previa-se também a criação de um centro de documentação, que foi eliminado, por razões que ignoro, dos objectivos na última reforma estatutária.
Creio que muitos destes objectivos têm estado presentes nas actividades desenvolvidas pelo CRC nestes trinta anos., em que funcionou como incubador de iniciativas, muitas das quais pelo seu próprio sucesso deram origem a novas realidades.
O CRC promoveu, por exemplo, numa nova abordagem da história da Igreja, tendo contado com a colaboração do José Mattoso, sendo muitos dos que participaram nesta iniciativa hoje docentes, nesta área, na Universidade Católica Portuguesa.
O Departamento de Pesquisa Social, uma das muitas iniciativas da Manuela Silva, desenvolveu trabalhos em torno da pobreza e da exclusão social, e também sobre o que então foi designado por “minorias étnicas pobres”, numa época em que eram raros os estudos sobre a imigração. O Departamento viria a estar na origem de um centro de investigação, totalmente autónomo conhecido hoje como CESIS.
O CRC participou também activamente em múltiplas realizações sobre o lugar e a participação das mulheres na vida da Igreja.
Merece uma referência especial a continuidade e a qualidade, que apesar das dificuldades económicas, tem tido a revista Reflexão Cristã, bem como iniciativas marcantes como têm sido as Conferências de Maio.
O CRC foi o espaço onde se realizaram as primeiras iniciativas de diálogo inter-religioso, reunindo cristãos, muçulmanos e judeus, que há que prosseguir de forma mais organizada e sistemática.
Outras iniciativas extremamente interessantes não conseguiram a mesma continuidade. Refiro-me, por exemplo, aos Cadernos de Estudos Africanos, dirigidos pelo Frei Bento Domingues, que foi uma das iniciativas de diálogo com os cristãos de África através da atenção à teologia africana, que está tão ausente da Igreja portuguesa, apesar da África estar aqui tão perto e aqui tão dentro.
Sendo um espaço de reflexão, entendeu, por vezes tomar posições sobre questões concretas, pelo menos há mais de quinze anos, como a situação nas prisões, a lei de segurança interna, os salários em atraso, os efeitos da crise económica, o direito à objecção de consciência.
Mas o que considero ser um dos contributos mais continuados do CRC é o de procurar reflectir sobre os desafios da mutação cultural e a necessidade de pensar a presença dos cristãos e da Igreja numa sociedade democrática, plural e laica.
O facto de não ter desaparecido, como aconteceu com outras iniciativas, demonstra que é necessário institucionalizar minimamente a espontaneidade e a criatividade, recusar o espírito de seita iluminada e abrir-se permanentemente ao diálogo com outros grupos cristãos e não-cristãos, manter liberdade de iniciativa e de expressão, mas ter, ao mesmo tempo, um muito claro sentido de comunhão eclesial.
O CRC tem sido um espaço em que cristãos, a partir do seu empenhamento diverso e plural na construção de uma sociedade mais justa e fraterna, procuram reflectir sobre o sentido a dar a tudo isso à luz da sua fé no Deus de Jesus Cristo.
Há que reconhecer que muitos dos objectivos não têm sido prosseguidos, ou então têm-no sido com descontinuidade.
Temos de reconhecer que temos contribuído para a reflexão cristã, mas não para a investigação teológica. Por outro lado, O CRC não está a promover suficientemente o trabalho cooperativo dos seus membros, fomentando o funcionamento de grupos de trabalho ou de investigação em domínios ligados à sua actividade, tendo no seu historial muitas iniciativas interessantes neste domínio, que deram origem a publicações.
Não sendo o CRC uma comunidade não quero terminar sem deixar duas observações sobre esta questão.
A primeira prende-se com um encontro que tive quando fui Presidente do CRC com o Cardeal D. António Ribeiro. Discutia-se, então, se o CRC se deveria integrar organicamente na Igreja, tendo em conta as possibilidades abertas pelo novo Código de Direito Canónico. D. António Ribeiro entendia que não era necessário, o facto de sermos uma associação civil permitia uma maior liberdade de iniciativa no diálogo com os não-crentes e, sobretudo, acolher os que não sendo praticantes se sentiam atraídos por Jesus Cristo, embora tivessem reservas relativamente à Igreja. Caber-nos-ia avivar a chama que fumega e promover celebrações da fé, que não fossem necessariamente de natureza eucarística.
Tudo isto prende-se com uma ideia que julgo vale a pena considerar. Não sendo o CRC, uma comunidade, interrogo-me, se não seria de promover uma maior ligação com a Capela do Rato, e com a celebração das sete horas de sábado, ou com outras liturgias que se considere deverem ser promovidas.
A segunda e última observação que queria deixar era no sentido do CRC aproveitar a comemoração deste aniversário, não para qualquer reflexão hamletiana sobre a sua existência, mas para se abrir à entrada de novos sócios, que representem melhor a pluralidade crescente da sociedade portuguesa aos quais caberá promover a celebração dos próximos aniversários.

José Leitão

21 de novembro de 2005

CRC - 30 Anos de Memória Viva

Passaram 30 anos.
No sábado, 3 de Dezembro de 2005, vamos comemorar.
Será no Mosteiro de Santa Maria, das Monjas Dominicanas, na Quinta do Frade à Praça da Rainha D. Filipa (Lumiar - Av. Rainha D. Amélia)

CRC 30 ANOS DE MEMÓRIA VIVA

11h00 - Encontro
11h15 - Que história do CRC no Portugal democrático
Guilherme d’Oliveira Martins
José Leitão
12h00 - Eucaristia
13h00 - Almoço
14h30 - Que sentido de ser cristão hoje
Testemunhos
17h30 – Oração comunitária de encerramento

______
Notas:
Almoço - 10 euros.
Agradece-se inscrição por e-mail ou Tel. (3as e 5as, das 15h às 18h)
Haverá possibilidade de regularização de quotas.

Rua Castilho, 61 - 2º Dto. 1250-068 LISBOA. Tel. 21 386 19 52 - Fax 21 386 20 88
E-mail: centroreflexaocrista@oninet.pt - BLOG: www.centroreflexaocrista.blogspot.com

9 de outubro de 2005

Reflexão Cristã nº 23-24 de 2004



Este número realça o ciclo de Colóquios organizados pelo CRC a partir da interpelação dos bispos portugueses – “SETE PECADOS SOCIAIS – SETE SINAIS DE ESPERANÇA”, com textos de Manuela Silva, Lídia Jorge, Helena Cidade Moura e do Pe. Agostinho Jardim.
Apresenta-se também uma súmula das intervenções das Conferências de Maio de 2004 – CIDADE DE DEUS – CIDADE DAS PESSOAS.

Um texto do fr. Luís de França, op sobre Yves-Marie Congar – um homem de fronteira, a transcrição da entrada sobre o CRC no 3º volume da “História Religiosa de Portugal”, da autoria de Paulo Oliveira Fontes, edição do Círculo de Leitores e uma selecção de textos apresentada por D. Manuel Clemente – “Ecclesia in Europa” numa conferência na sede do CRC, completam este número, com 88 páginas.

24 de junho de 2005

5º Colóquio

5º Colóquio
Gaudium et Spes
Revisitação 40 anos depois

A Expansão da Cultura
3ª feira, 28 Junho 2005, às 18:30 h

Emília Nadal
Jorge Barreto Xavier
Pedro Sena-Lino

Local: Auditório do Centro Nacional de Cultura
Largo do Picadeiro, nº 10-1º Lisboa
(Metro Baixa-Chiado)

11 de maio de 2005

Conferências de Maio

Próximas Conferências:

17 de Maio, 3ª feira, 18:30H
ORGANIZAR A COMUNIDADE CRISTÃ NO SÉC. XXI

Acácio Catarino
Pe. António Janela

Moderadora: Maria João Rebordão

24 de Maio, 3ª feira,18:30 H
AVIVAR A CHAMA QUE FUMEGA

Alfredo Bruto da Costa
Pe. José Manuel Pereira de Almeida
Maria José Nogueira Pinto

Moderador: Guilherme d'Oliveira Martins

Local: Centro de Estudos da Ordem do Carmo
R. de Santa Isabel, 130. Lisboa (Metro: Rato)

Conferências de Maio - 2005

Conferências já realizadas:

3 de Maio, 3ª feira, 18:30 H
PRESENÇA DOS CRISTÃOS NA CIDADE
D. Carlos Azevedo
Jorge Wemans
Graça Franco

Moderador: José Leitão

10 de Maio, 3ª feira,18:30 H
ANUNCIAR A FÉ, VIVER EM JESUS CRISTO
Pe. Hermínio Rico, S.J.
Manuel Vilas Boas
Catarina Miguel

Moderador: António José Paulino

12 de abril de 2005

Novos Corpos Sociais

Na Assembleia Geral realizada a 29.Março.2005 foram eleitos os novos Corpos Sociais para o biénio 2005/2006:

MESA DA ASSEMBLEIA GERAL
Presidente: José Torres Campos
Vice-presidente: Adelaide Rocha
Secretários: Ana Paula Barros e Ana Teresa Leitão

DIRECÇÃO
Presidente: Guilherme d'Oliveira Martins
Vice-presidente: Maria Cristina Clímaco
Secretário: António José Paulino
Tesoureiro: Carlos Leonel Santos
Vogal: Maria João Rebordão

CONSELHO FISCAL
Presidente: Alberto Pinto de Magalhães
Secretário: António Sampaio de Carvalho
Relator: Luís Wemans

CONSELHO CONSULTIVO
António Freitas Leal
Bento Domingues
Francisco Sarsfield Cabral
Julieta Mendes Dias
Manuel Vilas-Boas
Pax Christi
Peter Stilwell

21 de março de 2005

Conferências de Maio

Durante o mês de Maio teremos as habituais Conferências.
3, 10, 17 e 24 de Maio.2005

3ªs. feiras, às 18:30 h no Auditório do Centro de Estudos da Ordem do Carmo, na R. de Stª Isabel, 130, Lisboa
Metro: Rato
Autocarros: 9, 20, 32 e 38

Tema Geral:
Boa Nova na Cidade Moderna

Em breve serão apresentados mais detalhes.

Gaudium et Spes - 4º Colóquio

CICLO DE COLÓQUIOS
Gaudium et Spes
Revisitação 40 anos depois


Dignidade da Família
19 Abril 2005, 3ª f, 18:30 h
Carlos Zorrinho
Francisco Sarsfield Cabral
Laurinda Alves
Local: Auditório do Centro Nacional de Cultura
Largo do Picadeiro, nº 10-1º. Lisboa.
(metro Baixa-Chiado)

14 de janeiro de 2005

Gaudium et Spes

CICLO DE COLÓQUIOS
Gaudium et Spes
Revisitação 40 anos depois

Terças feiras às 18h30m

1º Esperanças e Angústias do Homem no Mundo
18 Janeiro 2005
Alfreda Fonseca
João Salgueiro
P.e José Tolentino de Mendonça

2º A Igreja e a Vocação da Pessoa Humana
22 Fevereiro 2005

Manuel Carmo Ferreira
P.e Peter Stilwell
Teresa Venda

3º Papel da Igreja no Mundo Contemporâneo
15 Março 2005

Armando Salles Luís
Isabel Allegro
P.e Joaquim Carreira das Neves

Local: Auditório do Centro Nacional de Cultura
Largo do Picadeiro, nº 10-1º. Lisboa.
(metro Baixa-Chiado)

ENTRADA LIVRE

Os restantes colóquios deste ciclo serão posteriormente divulgados.

4 de novembro de 2004

Colóquios

Vamos retomar o CICLO DE COLÓQUIOS, com o tema genérico:
SETE PECADOS SOCIAIS
SETE SINAIS DE ESPERANÇA


6º - Fraude Fiscal/Responsabilidade Tributária
9 Novembro 2004 (3ª feira), 18:30 h
José Silva Lopes
José Luís Saldanha Sanches
Moderador: Ulisses Garrido

7º - Exclusão Social/Integração Humana
30 Novembro 2004 (3ª feira), 18:30 h
P.e Agostinho Jardim
Helena Cidade Moura
Moderador: José Pedro Castanheira

Local: Auditório do Centro Nacional de Cultura
Largo do Picadeiro, nº 10-1º. Lisboa.
(Metro: Baixa-Chiado)
ENTRADA LIVRE

31 de maio de 2004

Tragédia na Estrada / Responsabilidade Cívica

3ª feira, 8.Junho.2004, às 18:30 h
Tragédia na Estrada / Responsabilidade Cívica

Debate com:
Francisca Van Dunen (magistrada, Directora do DIAP)
Luís Osório (jornalista, director d'A Capital)

Moderador: Guilherme d'Oliveira Martins

Local: Centro Nacional de Cultura, R. do Picadeiro
Metro: Baixa/Chiado

Colóquio integrado na série 7 Pecados Sociais/7 Sinais de Esperança.

Esta série de colóquios será retomada em Setembro.

9 de maio de 2004

A ALMA DA EUROPA

Público
Por FREI BENTO DOMINGUES O.P.
Domingo, 09 de Maio de 2004


1. A questão das raízes cristãs" da Europa já foi muito debatida. Será, no entanto, pelo alcance das práticas de solidariedade entre os países ricos e pobres que essas raízes poderão provar se estão vivas ou mortas na grande aventura do recente alargamento.
Será também esse o teste mais adequado à verdade da tão falada "Nova Evangelização". Só com o desenvolvimento do espírito de fraternidade activa entre países tão diversos ela poderá fazer brilhar a luz de Cristo no coração do projecto europeu.
Pertence à vocação dos movimentos cristãos, às paróquias, às congregações religiosas e aos bispos, com sentido ecuménico, abraçar o desafio das exigências da construção europeia, isto é, a responsabilidade de todos por todos. Perante situações de grandes desigualdades sociais e económicas, é de justiça que as medidas a tomar favoreçam os mais débeis.
A Comissão das Conferências Episcopais da Comunidade Europeia tocou no essencial: a solidariedade deve tornar-se a verdadeira alma da Europa. Os cristãos dispõem de uma teologia da justiça, da generosidade e do amor gratuito que deve fermentar o debate político e as opções económicas.
A solidariedade não é fruto nem alimento do sentimentalismo. É um sinal de alta clarividência num mundo exposto aos choques das suas contínuas transformações e à ferocidade neoliberal.

2. Se os membros da UE abordarem os seus conflitos e dificuldades só em termos de perdas e ganhos económicos, atraiçoam o mais audacioso projecto humano dos séculos XX e XXI. Ora, no recente alargamento, os meios de comunicação social gastaram o tempo todo a falar do que iríamos ganhar ou perder em termos de ajudas europeias. Pareciam alérgicos à descoberta da identidade cultural e espiritual dos novos companheiros de viagem. E os emigrantes - que deveriam ser para nós a introdução diária ao conhecimento de outros povos - são vistos apenas sob o ângulo das vantagens económicas para empregadores ou como ladrões do trabalho.
Mas se a solidariedade se tornar a alma da Europa, se esta olhar as sociedades a partir das faixas como menos oportunidades, estaremos a criar algo de novo no mundo, uma enorme força moral de acolhimento do diferente, aberta a todos os povos e sobretudo à África, o continente à espera de vez e de voz.
Embora seja muito importante, a EU não deve fazer da defesa militar uma prioridade. A sua missão consiste em provar que o diálogo da solidariedade é a forma mais bela e eficaz para combater o terrorismo. Em nome da defesa, não deve gastar com o poder bélico aquilo que precisa para o desenvolvimento solidário dos povos, para a prática do diálogo intercultural e inter-religioso.

3. Foi o sentido da solidariedade que impulsionou a preparação do Encontro Internacional de 150 movimentos, comunidades e grupos católicos, evangélicos, ortodoxos e anglicanos, com o lema "Juntos pela Europa", previsto para ontem em Estugarda (Alemanha). Com essa grandiosa manifestação ecuménica pretende-se afirmar que a Europa a construir tem de respeitar e promover a polifonia de todas as suas vozes e as suas fronteiras serão pontes entre todos os continentes, a começar pela África.
O Congresso Internacional para a Nova Evangelização que deve afirmar hoje a antiga descoberta de S. Paulo - "em Cristo, não há judeu nem grego, escravo ou livre, homem ou mulher" - optou pela missão urbana. Começou em Viena em 2003. Este ano concretiza-se em Paris. Em 2005 chegará a Lisboa. Seguirá depois para Bruxelas e Budapeste.
O cristianismo nasceu e difundiu-se como realidade marcada pela vida urbana. Pagãos, segundo a etimologia latina, eram os aldeões, aqueles a quem ainda não tinha chegado a fé cristã. Por isso, à partida, o cristianismo foi, em primeiro lugar, uma mensagem de libertação e de alegria para quem vivia nas cidades. A cidade, entretanto, mudou. Quem acredita na energia inovadora do Evangelho tem de vencer novos obstáculos para testemunhar a sua eficácia.
É ainda mal conhecida a preparação do Congresso para a evangelização de Lisboa. Mas o Centro de Reflexão Cristã (CRC) não ficou à espera. Tomou a iniciativa de propor o tema "Cidade de Deus - Cidade das Pessoas" para as Conferências de Maio deste ano, que se realizam todas as terças-feiras, pelas 18h30, no Centro de Estudos da Ordem do Carmo, Rua de Santa Isabel, n.º 128.
O seu programa assume as questões essenciais: "A cidade como espaço de solidariedade"; "Sinais de Deus na cultura"; "Cultura e Religiões - Que diálogo?"; "Igreja - que presença no mundo urbano?"

Depois desta boa notícia de Lisboa, não posso esquecer que amanhã, dia 10, às 18h, no Centro D. António Ferreira Gomes, junto à Igreja de Cristo Rei (Porto), será prestada homenagem a Mário Figueirinhas, uma grande figura da renovação católica proposta pelo concílio Vaticano II, um editor de obras marcantes da cultura portuguesa e do humanismo cristão. E como poderia eu esquecer, nesta coluna, um grande amigo que teve a iniciativa de editar as crónicas que, domingo a domingo, entrego ao PÚBLICO? Por feliz coincidência, durante a homenagem de amanhã, será lançado o 2º volume do livro "As Religiões e a Cultura da Paz".

4 de maio de 2004

Crentes e Descrentes Debatem Deus nas Cidades

Por ANTÓNIO MARUJO
Público, Terça-feira, 04 de Maio de 2004

Debater a presença de Deus nas cidades é o pretexto para a edição de 2004 das "Conferências de Maio", do Centro de Reflexão Cristã (CRC), que hoje se inicia em Lisboa. Com o título genérico "Cidade de Deus - Cidade das Pessoas", o ciclo - sempre às terças-feiras, às 18h30h, no Centro de Estudos da Ordem do Carmo, Rua de Santa Isabel, 128, ao Rato, em Lisboa - pretende suscitar o diálogo entre crentes e descrentes, bem como entre pessoas de diferentes religiões.
"O papel histórico das religiões deve ser revalorizado. Os fundamentalismos, as seitas e o regresso da irracionalidade e da magia desenvolvem-se no vazio religioso", justifica o CRC, e combatem-se pelo "diálogo e no reconhecimento mútuo". "Conceitos como diálogo, erro, salvação, libertação e compaixão devem voltar a merecer atenção", até porque "a sobrevivência do fenómeno religioso, não como organização social mas como facto cultural vivo, num mundo secular, é um desafio positivo a que a religião e o pensamento devem responder seriamente".
O ciclo abre hoje com o debate sobre a cidade como espaço de solidariedade, com o arquitecto Nuno Teotónio Pereira, a ex-vereadora da Câmara de Lisboa Maria Calado e o padre Valentim Gonçalves, que se tem dedicado ao trabalho com populações mais desfavorecidas.
Na próxima semana, o poeta António Osório e o padre João Resina Rodrigues conversam sobre "Sinais de Deus na cultura". Dia 18, um muçulmano (AbdoolKarim Vakil), uma judia (Esther Mucznik) e um padre católico (Peter Stilwell) debatem o diálogo entre culturas e religiões. A última das Conferências de Maio vira-se para a "Igreja: que presença no mundo urbano?", com as intervenções do investigador social Alfredo Bruto da Costa, o arquitecto Duarte Nuno Simões e o padre António Janela, prior de uma paróquia de Lisboa.

CIDADE DE DEUS, CIDADE DAS PESSOAS

1. O Centro de Reflexão Cristã propõe para as Conferências de Maio de 2004 a especial ponderação do tema da presença de Deus e da religiosidade nas cidades dos nossos dias.
Temos de nos interrogar sobre o que se está a passar na transformação nas sociedades contemporâneas, e em especial na vida urbana. Vivemos num tempo em que a indiferença e a incompreensão dos outros parecem constituir a regra. Desconhecemo-nos mutuamente. O imediato e o efémero tomam o lugar dos valores da dignidade humana.
A economia é sobretudo vista como satisfação das necessidades materiais de curto prazo. A sociedade da comunicação e da informação tem levado, paradoxalmente, a que as pessoas tenham dificuldade em conhecer-se e em compreender a complexidade das diferenças. A exclusão e a injustiça criam barreiras que dificultam ou impedem o desenvolvimento humano.

2. As cidades dos nossos dias são lugares onde coexistem os membros de uma multidão indiferenciada, com dificuldade em encontrar um caminho de liberdade, responsabilidade e emancipação. Os egoísmos, o primado dos bens materiais, o culto do sucesso fácil e o consumismo como um fim em si constituem factores de esquecimento dos valores humanos.
A fragmentação social e económica, a intolerância e o esquecimento dos valores solidários caracterizam a sociedade em que vivemos. A afluência contrasta com a pobreza. A comunicação esconde a solidão. A ausência de memória e a desatenção aos sinais dos tempos contribuem ainda para o afastamento dos valores da compreensão mútua e do bem comum. No mundo de hoje, há um forte risco, por força da lógica cega do mercado, de transformar os cidadãos em seres egoístas, capazes de usar a lei apenas para afirmar os interesses próprios de uns contra os outros.

3. Como afirmou o Concílio Vaticano II, “o mundo moderno aparece, ao mesmo tempo, poderoso e fraco, capaz do melhor e do pior, na sua frente rasga-se o caminho da liberdade ou da escravidão, do progresso ou da regressão, da fraternidade ou do ódio” (G.S., 9). E assim, o “homem toma consciência de que depende dele a boa orientação das forças que pôs em movimento e que podem esmagá-lo ou servi-lo” (id.).

4. Uma “nova evangelização” e uma consciência religiosa capaz de transformar positivamente o mundo de liberdade e responsabilidade exigem a compreensão do que se passa na sociedade contemporânea e da necessidade de uma outra atitude – dialogante, solidária e exigente, que respeite a dignidade humana. Como viver a fé e os valores religiosos numa sociedade que permanentemente se transforma? Como ligar valores religiosos e modernidade? Como favorecer as relações humanas numa cidade de desconhecidos? Como tornar a cidade de hoje habitável, hospitaleira, lugar de encontro e factor positivo no sentido do enriquecimento das relações entre as pessoas? Como contrariar a tendência para o isolamento e a indiferença, numa cidade de condomínios fechados e de “ghettos”, que separa e favorece a solidão, em lugar de unir e de promover a convivialidade e o altruísmo? Como mobilizar energias e favorecer a cidadania activa no sentido de tornar as cidades contemporâneas sociedades de pessoas e não de “robots” anónimos?

5. Uma das questões mais urgentes no mundo contemporâneo, tem a ver com o modo como as culturas que se relacionam podem encontrar fundamentos éticos comuns. Como compreender os efeitos irracionais do confronto entre a fé dos fracos e a arrogância dos poderosos? Num tempo em que o vazio de valores gera a intolerância e os fundamentalismos, é tempo de favorecer a criação de pontes que permitam unir as pessoas, em lugar de continuar a construir cidades caracterizadas pela desunião e pela indiferença, pelo desconhecimento e pela incompreensão.

6. Numa sociedade aberta e pluralista é fundamental interrogarmo-nos sobre a presença de Deus. Não se trata de usar os valores religiosos como elementos de separação e triunfalismo, mas de partir da sua compreensão para o enriquecimento mútuo e para a construção durável de uma cultura de diálogo e de paz. A liberdade religiosa, o diálogo inter-religioso, a compreensão da dimensão espiritual da vida humana têm de constituir elementos de enriquecimento humano e social.
Eis por que é fundamental interrogarmo-nos sobre a presença de Deus na cultura das sociedades contemporâneas. Eis por que é necessário suscitarmos o diálogo entre pessoas, religiosas ou não, e entre diferentes confissões em torno do fenómeno religioso. O papel histórico das religiões deve ser revalorizado. Os fundamentalismos, as seitas e o regresso da irracionalidade e da magia desenvolvem-se no vazio religioso. Conceitos como diálogo, erro, salvação, libertação e compaixão devem voltar a merecer atenção.
Os cidadãos laicos e os concidadãos religiosos devem contribuir activamente para o debate das grandes questões da actualidade. O único modo de combater a indiferença e o relativismo, de um lado, e os fundamentalismos, de outro, está no diálogo e no reconhecimento mútuo. A sobrevivência do fenómeno religioso, não como organização social mas como facto cultural vivo, num mundo secular, é um desafio positivo a que a religião e o pensamento devem responder seriamente. Cidade de Deus, Cidade das pessoas – o diálogo é urgente e necessário.

27 de abril de 2004

Conferências de Maio 2004 do Centro de Reflexão Cristã

CIDADE DE DEUS - CIDADE DAS PESSOAS

* A cidade como espaço de Solidariedade
(3ª feira, 4.Mai.04 - 18:30 h)

Nuno Teotónio Pereira
Pe. Valentim Gonçalves
Maria Calado
moderador: Frei Bento Domingues

* Sinais de Deus na Cultura
(3ª feira, 11.Mai.04 - 18:30 h)

Adília Lopes
Pe. João Resina Rodrigues
António Osório
moderador: Guilherme d'Oliveira Martins

* Culturas e Religiões - Que diálogo?
(3ª feira, 18.Mai.04 - 18:30 h)

Pe. Peter Stilwell
Abdool Karim Vakil
Esther Muznick
moderador: Francisco Sarsfield Cabral

* Igreja - Que presença no Mundo Urbano
(3ª feira, 25.Mai.04 - 18:30 h)

Alfredo Bruto da Costa
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Morgado propõe publicitação de processos e condenações por corrupção

A propósito do Colóquio Corrupção/Cidadania Activa, com a participação de Maria José Morgado e Luís Salgado Matos
inserido no ciclo SETE PECADOS SOCIAIS / SETE SINAIS DE ESPERANÇA

Público, 17.Mar.04
Nuno Sá Lourenço


A juíza e ex-responsável da Polícia Judiciária, Maria José Morgado, defendeu ontem num colóquio a necessidade do Ministério da Justiça começar a fazer "publicidade periódica de notificações de operações suspeitas, processos, acusações e condenações ao nível do combate à corrupção". A autora do livro "Inimigo sem rosto - fraude e corrupção em Portugal" falou no Centro Nacional de Cultura, em Lisboa, sobre esse tema, tendo tido como co-orador o investigador universitário Luís Salgado Matos.

Entre as áreas abordadas, a ligação da política à corrupção foi dos mais debatidos. Depois de desafiada por Luís Salgado Matos a responder se existia falta de oferta política no combate ao fenómeno, a magistrada reconheceu "um grande fosso entre a preocupação política [com a corrupção] e os actos".

A inexistência de publicitação das investigações foi um exemplo dessa discrepância entre o discurso político e a sua conduta. Daí que Maria José Morgado tenha defendido a premência de "fazer uma estatística semestral ou anual [dos casos detectados] sem pôr em causa o bom nome das pessoas" A "falta de actuação da fiscalização em tempo real" foi outra das deficiências apontadas e "maus métodos de trabalho e más direcções", as razões apontadas para ausência de fiscalização eficiente. Sobre os métodos assinalou a "ausência de cruzamento de dados", a "impossibilidade de investigação a partir de sinais exteriores de riqueza", o "não acesso às contas bancárias", e a falta de "promoção pelo mérito". Aqui o dedo voltou a ser apontado aos políticos. A juíza afirmou que "enquanto as nomeações para as direcções fossem feitas por cartão partidário não teremos bons resultados".

O debate chegou também ao financiamento partidário, com a magistrada a defender "a demissão do líder partidário e o seu afastamento de qualquer cargo público durante uns anos". "Seria muito mais sério funcionar dessa forma, em vez de ter que se esperar pelo andamento de um processo-crime [tal como a lei prevê actualmente]", defendeu. Sobre o impacto da corrupção, e depois de questionada por Luís Salgado Matos sobre se o país não estaria a pintar um quadro demasiado negro da situação, Maria José Morgado foi buscar um exemplo para sustentar a análise "preocupante" que fez. "Hoje são os próprios empresários que reivindicam o fim do sigilo bancário, porque a corrupção só favorece a economia paralela". Maria José Morgado destacou ainda os efeitos negativos na economia ao lembrar que "a corrupção entra no bolso de cada um". Deu alguns exemplos: "Nós estamos a pagar auto-estradas mais caras por causa da corrupção. A corrupção pode até fazer aumentar o preço dos medicamentos." Maria José Morgado não se limitou a criticar o poder político, tendo considerado negativo o facto dos tribunais julgarem poucos casos. A juíza apresentou como um dos problemas no combate à corrupção "não termos o efeito disciplinador, pedagógico dos tribunais". "Falta esse barómetro", queixou-se a magistrada.

A meio do debate tentou mesmo defender a necessidade do combate à corrupção com uma comparação caseira: "A corrupção é como o pó numa casa. Pó vamos ter sempre, mas se deixamos de limpar, então é o caos."