O CRC é um espaço de diálogo entre cristãos de diferentes sensibilidades, e entre cristãos e não cristãos.

12 de abril de 2005

Novos Corpos Sociais

Na Assembleia Geral realizada a 29.Março.2005 foram eleitos os novos Corpos Sociais para o biénio 2005/2006:

MESA DA ASSEMBLEIA GERAL
Presidente: José Torres Campos
Vice-presidente: Adelaide Rocha
Secretários: Ana Paula Barros e Ana Teresa Leitão

DIRECÇÃO
Presidente: Guilherme d'Oliveira Martins
Vice-presidente: Maria Cristina Clímaco
Secretário: António José Paulino
Tesoureiro: Carlos Leonel Santos
Vogal: Maria João Rebordão

CONSELHO FISCAL
Presidente: Alberto Pinto de Magalhães
Secretário: António Sampaio de Carvalho
Relator: Luís Wemans

CONSELHO CONSULTIVO
António Freitas Leal
Bento Domingues
Francisco Sarsfield Cabral
Julieta Mendes Dias
Manuel Vilas-Boas
Pax Christi
Peter Stilwell

21 de março de 2005

Conferências de Maio

Durante o mês de Maio teremos as habituais Conferências.
3, 10, 17 e 24 de Maio.2005

3ªs. feiras, às 18:30 h no Auditório do Centro de Estudos da Ordem do Carmo, na R. de Stª Isabel, 130, Lisboa
Metro: Rato
Autocarros: 9, 20, 32 e 38

Tema Geral:
Boa Nova na Cidade Moderna

Em breve serão apresentados mais detalhes.

Gaudium et Spes - 4º Colóquio

CICLO DE COLÓQUIOS
Gaudium et Spes
Revisitação 40 anos depois


Dignidade da Família
19 Abril 2005, 3ª f, 18:30 h
Carlos Zorrinho
Francisco Sarsfield Cabral
Laurinda Alves
Local: Auditório do Centro Nacional de Cultura
Largo do Picadeiro, nº 10-1º. Lisboa.
(metro Baixa-Chiado)

14 de janeiro de 2005

Gaudium et Spes

CICLO DE COLÓQUIOS
Gaudium et Spes
Revisitação 40 anos depois

Terças feiras às 18h30m

1º Esperanças e Angústias do Homem no Mundo
18 Janeiro 2005
Alfreda Fonseca
João Salgueiro
P.e José Tolentino de Mendonça

2º A Igreja e a Vocação da Pessoa Humana
22 Fevereiro 2005

Manuel Carmo Ferreira
P.e Peter Stilwell
Teresa Venda

3º Papel da Igreja no Mundo Contemporâneo
15 Março 2005

Armando Salles Luís
Isabel Allegro
P.e Joaquim Carreira das Neves

Local: Auditório do Centro Nacional de Cultura
Largo do Picadeiro, nº 10-1º. Lisboa.
(metro Baixa-Chiado)

ENTRADA LIVRE

Os restantes colóquios deste ciclo serão posteriormente divulgados.

4 de novembro de 2004

Colóquios

Vamos retomar o CICLO DE COLÓQUIOS, com o tema genérico:
SETE PECADOS SOCIAIS
SETE SINAIS DE ESPERANÇA


6º - Fraude Fiscal/Responsabilidade Tributária
9 Novembro 2004 (3ª feira), 18:30 h
José Silva Lopes
José Luís Saldanha Sanches
Moderador: Ulisses Garrido

7º - Exclusão Social/Integração Humana
30 Novembro 2004 (3ª feira), 18:30 h
P.e Agostinho Jardim
Helena Cidade Moura
Moderador: José Pedro Castanheira

Local: Auditório do Centro Nacional de Cultura
Largo do Picadeiro, nº 10-1º. Lisboa.
(Metro: Baixa-Chiado)
ENTRADA LIVRE

31 de maio de 2004

Tragédia na Estrada / Responsabilidade Cívica

3ª feira, 8.Junho.2004, às 18:30 h
Tragédia na Estrada / Responsabilidade Cívica

Debate com:
Francisca Van Dunen (magistrada, Directora do DIAP)
Luís Osório (jornalista, director d'A Capital)

Moderador: Guilherme d'Oliveira Martins

Local: Centro Nacional de Cultura, R. do Picadeiro
Metro: Baixa/Chiado

Colóquio integrado na série 7 Pecados Sociais/7 Sinais de Esperança.

Esta série de colóquios será retomada em Setembro.

9 de maio de 2004

A ALMA DA EUROPA

Público
Por FREI BENTO DOMINGUES O.P.
Domingo, 09 de Maio de 2004


1. A questão das raízes cristãs" da Europa já foi muito debatida. Será, no entanto, pelo alcance das práticas de solidariedade entre os países ricos e pobres que essas raízes poderão provar se estão vivas ou mortas na grande aventura do recente alargamento.
Será também esse o teste mais adequado à verdade da tão falada "Nova Evangelização". Só com o desenvolvimento do espírito de fraternidade activa entre países tão diversos ela poderá fazer brilhar a luz de Cristo no coração do projecto europeu.
Pertence à vocação dos movimentos cristãos, às paróquias, às congregações religiosas e aos bispos, com sentido ecuménico, abraçar o desafio das exigências da construção europeia, isto é, a responsabilidade de todos por todos. Perante situações de grandes desigualdades sociais e económicas, é de justiça que as medidas a tomar favoreçam os mais débeis.
A Comissão das Conferências Episcopais da Comunidade Europeia tocou no essencial: a solidariedade deve tornar-se a verdadeira alma da Europa. Os cristãos dispõem de uma teologia da justiça, da generosidade e do amor gratuito que deve fermentar o debate político e as opções económicas.
A solidariedade não é fruto nem alimento do sentimentalismo. É um sinal de alta clarividência num mundo exposto aos choques das suas contínuas transformações e à ferocidade neoliberal.

2. Se os membros da UE abordarem os seus conflitos e dificuldades só em termos de perdas e ganhos económicos, atraiçoam o mais audacioso projecto humano dos séculos XX e XXI. Ora, no recente alargamento, os meios de comunicação social gastaram o tempo todo a falar do que iríamos ganhar ou perder em termos de ajudas europeias. Pareciam alérgicos à descoberta da identidade cultural e espiritual dos novos companheiros de viagem. E os emigrantes - que deveriam ser para nós a introdução diária ao conhecimento de outros povos - são vistos apenas sob o ângulo das vantagens económicas para empregadores ou como ladrões do trabalho.
Mas se a solidariedade se tornar a alma da Europa, se esta olhar as sociedades a partir das faixas como menos oportunidades, estaremos a criar algo de novo no mundo, uma enorme força moral de acolhimento do diferente, aberta a todos os povos e sobretudo à África, o continente à espera de vez e de voz.
Embora seja muito importante, a EU não deve fazer da defesa militar uma prioridade. A sua missão consiste em provar que o diálogo da solidariedade é a forma mais bela e eficaz para combater o terrorismo. Em nome da defesa, não deve gastar com o poder bélico aquilo que precisa para o desenvolvimento solidário dos povos, para a prática do diálogo intercultural e inter-religioso.

3. Foi o sentido da solidariedade que impulsionou a preparação do Encontro Internacional de 150 movimentos, comunidades e grupos católicos, evangélicos, ortodoxos e anglicanos, com o lema "Juntos pela Europa", previsto para ontem em Estugarda (Alemanha). Com essa grandiosa manifestação ecuménica pretende-se afirmar que a Europa a construir tem de respeitar e promover a polifonia de todas as suas vozes e as suas fronteiras serão pontes entre todos os continentes, a começar pela África.
O Congresso Internacional para a Nova Evangelização que deve afirmar hoje a antiga descoberta de S. Paulo - "em Cristo, não há judeu nem grego, escravo ou livre, homem ou mulher" - optou pela missão urbana. Começou em Viena em 2003. Este ano concretiza-se em Paris. Em 2005 chegará a Lisboa. Seguirá depois para Bruxelas e Budapeste.
O cristianismo nasceu e difundiu-se como realidade marcada pela vida urbana. Pagãos, segundo a etimologia latina, eram os aldeões, aqueles a quem ainda não tinha chegado a fé cristã. Por isso, à partida, o cristianismo foi, em primeiro lugar, uma mensagem de libertação e de alegria para quem vivia nas cidades. A cidade, entretanto, mudou. Quem acredita na energia inovadora do Evangelho tem de vencer novos obstáculos para testemunhar a sua eficácia.
É ainda mal conhecida a preparação do Congresso para a evangelização de Lisboa. Mas o Centro de Reflexão Cristã (CRC) não ficou à espera. Tomou a iniciativa de propor o tema "Cidade de Deus - Cidade das Pessoas" para as Conferências de Maio deste ano, que se realizam todas as terças-feiras, pelas 18h30, no Centro de Estudos da Ordem do Carmo, Rua de Santa Isabel, n.º 128.
O seu programa assume as questões essenciais: "A cidade como espaço de solidariedade"; "Sinais de Deus na cultura"; "Cultura e Religiões - Que diálogo?"; "Igreja - que presença no mundo urbano?"

Depois desta boa notícia de Lisboa, não posso esquecer que amanhã, dia 10, às 18h, no Centro D. António Ferreira Gomes, junto à Igreja de Cristo Rei (Porto), será prestada homenagem a Mário Figueirinhas, uma grande figura da renovação católica proposta pelo concílio Vaticano II, um editor de obras marcantes da cultura portuguesa e do humanismo cristão. E como poderia eu esquecer, nesta coluna, um grande amigo que teve a iniciativa de editar as crónicas que, domingo a domingo, entrego ao PÚBLICO? Por feliz coincidência, durante a homenagem de amanhã, será lançado o 2º volume do livro "As Religiões e a Cultura da Paz".

4 de maio de 2004

Crentes e Descrentes Debatem Deus nas Cidades

Por ANTÓNIO MARUJO
Público, Terça-feira, 04 de Maio de 2004

Debater a presença de Deus nas cidades é o pretexto para a edição de 2004 das "Conferências de Maio", do Centro de Reflexão Cristã (CRC), que hoje se inicia em Lisboa. Com o título genérico "Cidade de Deus - Cidade das Pessoas", o ciclo - sempre às terças-feiras, às 18h30h, no Centro de Estudos da Ordem do Carmo, Rua de Santa Isabel, 128, ao Rato, em Lisboa - pretende suscitar o diálogo entre crentes e descrentes, bem como entre pessoas de diferentes religiões.
"O papel histórico das religiões deve ser revalorizado. Os fundamentalismos, as seitas e o regresso da irracionalidade e da magia desenvolvem-se no vazio religioso", justifica o CRC, e combatem-se pelo "diálogo e no reconhecimento mútuo". "Conceitos como diálogo, erro, salvação, libertação e compaixão devem voltar a merecer atenção", até porque "a sobrevivência do fenómeno religioso, não como organização social mas como facto cultural vivo, num mundo secular, é um desafio positivo a que a religião e o pensamento devem responder seriamente".
O ciclo abre hoje com o debate sobre a cidade como espaço de solidariedade, com o arquitecto Nuno Teotónio Pereira, a ex-vereadora da Câmara de Lisboa Maria Calado e o padre Valentim Gonçalves, que se tem dedicado ao trabalho com populações mais desfavorecidas.
Na próxima semana, o poeta António Osório e o padre João Resina Rodrigues conversam sobre "Sinais de Deus na cultura". Dia 18, um muçulmano (AbdoolKarim Vakil), uma judia (Esther Mucznik) e um padre católico (Peter Stilwell) debatem o diálogo entre culturas e religiões. A última das Conferências de Maio vira-se para a "Igreja: que presença no mundo urbano?", com as intervenções do investigador social Alfredo Bruto da Costa, o arquitecto Duarte Nuno Simões e o padre António Janela, prior de uma paróquia de Lisboa.

CIDADE DE DEUS, CIDADE DAS PESSOAS

1. O Centro de Reflexão Cristã propõe para as Conferências de Maio de 2004 a especial ponderação do tema da presença de Deus e da religiosidade nas cidades dos nossos dias.
Temos de nos interrogar sobre o que se está a passar na transformação nas sociedades contemporâneas, e em especial na vida urbana. Vivemos num tempo em que a indiferença e a incompreensão dos outros parecem constituir a regra. Desconhecemo-nos mutuamente. O imediato e o efémero tomam o lugar dos valores da dignidade humana.
A economia é sobretudo vista como satisfação das necessidades materiais de curto prazo. A sociedade da comunicação e da informação tem levado, paradoxalmente, a que as pessoas tenham dificuldade em conhecer-se e em compreender a complexidade das diferenças. A exclusão e a injustiça criam barreiras que dificultam ou impedem o desenvolvimento humano.

2. As cidades dos nossos dias são lugares onde coexistem os membros de uma multidão indiferenciada, com dificuldade em encontrar um caminho de liberdade, responsabilidade e emancipação. Os egoísmos, o primado dos bens materiais, o culto do sucesso fácil e o consumismo como um fim em si constituem factores de esquecimento dos valores humanos.
A fragmentação social e económica, a intolerância e o esquecimento dos valores solidários caracterizam a sociedade em que vivemos. A afluência contrasta com a pobreza. A comunicação esconde a solidão. A ausência de memória e a desatenção aos sinais dos tempos contribuem ainda para o afastamento dos valores da compreensão mútua e do bem comum. No mundo de hoje, há um forte risco, por força da lógica cega do mercado, de transformar os cidadãos em seres egoístas, capazes de usar a lei apenas para afirmar os interesses próprios de uns contra os outros.

3. Como afirmou o Concílio Vaticano II, “o mundo moderno aparece, ao mesmo tempo, poderoso e fraco, capaz do melhor e do pior, na sua frente rasga-se o caminho da liberdade ou da escravidão, do progresso ou da regressão, da fraternidade ou do ódio” (G.S., 9). E assim, o “homem toma consciência de que depende dele a boa orientação das forças que pôs em movimento e que podem esmagá-lo ou servi-lo” (id.).

4. Uma “nova evangelização” e uma consciência religiosa capaz de transformar positivamente o mundo de liberdade e responsabilidade exigem a compreensão do que se passa na sociedade contemporânea e da necessidade de uma outra atitude – dialogante, solidária e exigente, que respeite a dignidade humana. Como viver a fé e os valores religiosos numa sociedade que permanentemente se transforma? Como ligar valores religiosos e modernidade? Como favorecer as relações humanas numa cidade de desconhecidos? Como tornar a cidade de hoje habitável, hospitaleira, lugar de encontro e factor positivo no sentido do enriquecimento das relações entre as pessoas? Como contrariar a tendência para o isolamento e a indiferença, numa cidade de condomínios fechados e de “ghettos”, que separa e favorece a solidão, em lugar de unir e de promover a convivialidade e o altruísmo? Como mobilizar energias e favorecer a cidadania activa no sentido de tornar as cidades contemporâneas sociedades de pessoas e não de “robots” anónimos?

5. Uma das questões mais urgentes no mundo contemporâneo, tem a ver com o modo como as culturas que se relacionam podem encontrar fundamentos éticos comuns. Como compreender os efeitos irracionais do confronto entre a fé dos fracos e a arrogância dos poderosos? Num tempo em que o vazio de valores gera a intolerância e os fundamentalismos, é tempo de favorecer a criação de pontes que permitam unir as pessoas, em lugar de continuar a construir cidades caracterizadas pela desunião e pela indiferença, pelo desconhecimento e pela incompreensão.

6. Numa sociedade aberta e pluralista é fundamental interrogarmo-nos sobre a presença de Deus. Não se trata de usar os valores religiosos como elementos de separação e triunfalismo, mas de partir da sua compreensão para o enriquecimento mútuo e para a construção durável de uma cultura de diálogo e de paz. A liberdade religiosa, o diálogo inter-religioso, a compreensão da dimensão espiritual da vida humana têm de constituir elementos de enriquecimento humano e social.
Eis por que é fundamental interrogarmo-nos sobre a presença de Deus na cultura das sociedades contemporâneas. Eis por que é necessário suscitarmos o diálogo entre pessoas, religiosas ou não, e entre diferentes confissões em torno do fenómeno religioso. O papel histórico das religiões deve ser revalorizado. Os fundamentalismos, as seitas e o regresso da irracionalidade e da magia desenvolvem-se no vazio religioso. Conceitos como diálogo, erro, salvação, libertação e compaixão devem voltar a merecer atenção.
Os cidadãos laicos e os concidadãos religiosos devem contribuir activamente para o debate das grandes questões da actualidade. O único modo de combater a indiferença e o relativismo, de um lado, e os fundamentalismos, de outro, está no diálogo e no reconhecimento mútuo. A sobrevivência do fenómeno religioso, não como organização social mas como facto cultural vivo, num mundo secular, é um desafio positivo a que a religião e o pensamento devem responder seriamente. Cidade de Deus, Cidade das pessoas – o diálogo é urgente e necessário.

27 de abril de 2004

Conferências de Maio 2004 do Centro de Reflexão Cristã

CIDADE DE DEUS - CIDADE DAS PESSOAS

* A cidade como espaço de Solidariedade
(3ª feira, 4.Mai.04 - 18:30 h)

Nuno Teotónio Pereira
Pe. Valentim Gonçalves
Maria Calado
moderador: Frei Bento Domingues

* Sinais de Deus na Cultura
(3ª feira, 11.Mai.04 - 18:30 h)

Adília Lopes
Pe. João Resina Rodrigues
António Osório
moderador: Guilherme d'Oliveira Martins

* Culturas e Religiões - Que diálogo?
(3ª feira, 18.Mai.04 - 18:30 h)

Pe. Peter Stilwell
Abdool Karim Vakil
Esther Muznick
moderador: Francisco Sarsfield Cabral

* Igreja - Que presença no Mundo Urbano
(3ª feira, 25.Mai.04 - 18:30 h)

Alfredo Bruto da Costa
Pe. António Janela
Duarte Nuno Simões
moderador: José Torres Campos

As Conferências de Maio serão realizadas às 3ªs. feiras, das 18:30 às 20 h,
no Centro de Estudos da Ordem do Carmo,
na R. de Stª Isabel, 130, Lisboa
Metro: Rato
Autocarros: 9, 20, 32 e 38

Morgado propõe publicitação de processos e condenações por corrupção

A propósito do Colóquio Corrupção/Cidadania Activa, com a participação de Maria José Morgado e Luís Salgado Matos
inserido no ciclo SETE PECADOS SOCIAIS / SETE SINAIS DE ESPERANÇA

Público, 17.Mar.04
Nuno Sá Lourenço


A juíza e ex-responsável da Polícia Judiciária, Maria José Morgado, defendeu ontem num colóquio a necessidade do Ministério da Justiça começar a fazer "publicidade periódica de notificações de operações suspeitas, processos, acusações e condenações ao nível do combate à corrupção". A autora do livro "Inimigo sem rosto - fraude e corrupção em Portugal" falou no Centro Nacional de Cultura, em Lisboa, sobre esse tema, tendo tido como co-orador o investigador universitário Luís Salgado Matos.

Entre as áreas abordadas, a ligação da política à corrupção foi dos mais debatidos. Depois de desafiada por Luís Salgado Matos a responder se existia falta de oferta política no combate ao fenómeno, a magistrada reconheceu "um grande fosso entre a preocupação política [com a corrupção] e os actos".

A inexistência de publicitação das investigações foi um exemplo dessa discrepância entre o discurso político e a sua conduta. Daí que Maria José Morgado tenha defendido a premência de "fazer uma estatística semestral ou anual [dos casos detectados] sem pôr em causa o bom nome das pessoas" A "falta de actuação da fiscalização em tempo real" foi outra das deficiências apontadas e "maus métodos de trabalho e más direcções", as razões apontadas para ausência de fiscalização eficiente. Sobre os métodos assinalou a "ausência de cruzamento de dados", a "impossibilidade de investigação a partir de sinais exteriores de riqueza", o "não acesso às contas bancárias", e a falta de "promoção pelo mérito". Aqui o dedo voltou a ser apontado aos políticos. A juíza afirmou que "enquanto as nomeações para as direcções fossem feitas por cartão partidário não teremos bons resultados".

O debate chegou também ao financiamento partidário, com a magistrada a defender "a demissão do líder partidário e o seu afastamento de qualquer cargo público durante uns anos". "Seria muito mais sério funcionar dessa forma, em vez de ter que se esperar pelo andamento de um processo-crime [tal como a lei prevê actualmente]", defendeu. Sobre o impacto da corrupção, e depois de questionada por Luís Salgado Matos sobre se o país não estaria a pintar um quadro demasiado negro da situação, Maria José Morgado foi buscar um exemplo para sustentar a análise "preocupante" que fez. "Hoje são os próprios empresários que reivindicam o fim do sigilo bancário, porque a corrupção só favorece a economia paralela". Maria José Morgado destacou ainda os efeitos negativos na economia ao lembrar que "a corrupção entra no bolso de cada um". Deu alguns exemplos: "Nós estamos a pagar auto-estradas mais caras por causa da corrupção. A corrupção pode até fazer aumentar o preço dos medicamentos." Maria José Morgado não se limitou a criticar o poder político, tendo considerado negativo o facto dos tribunais julgarem poucos casos. A juíza apresentou como um dos problemas no combate à corrupção "não termos o efeito disciplinador, pedagógico dos tribunais". "Falta esse barómetro", queixou-se a magistrada.

A meio do debate tentou mesmo defender a necessidade do combate à corrupção com uma comparação caseira: "A corrupção é como o pó numa casa. Pó vamos ter sempre, mas se deixamos de limpar, então é o caos."

A renovação do CRC

Centro de Reflexão Cristã renova-se e acentua diálogo inter-religioso e com não-cristãos

Guilherme d’Oliveira Martins novo presidente

Revista do Centro pode integrar redes internacionais

António Marujo, Público

Um novo Centro de Reflexão Cristã (CRC), com menos preocupações teológicas e mais centrado na “afirmação do lugar do cristão na sociedade moderna” e na promoção do “diálogo cívico e inter-religioso” – essas são as ideias principais de Guilherme d’Oliveira Martins, deputado e ex-ministro da Educação no Governo do PS, novo presidente do CRC, apostado na renovação desta organização.
Nascido no rescaldo do 25 de Abril de 1974, juntando na sua fundação católicos e protestantes e com uma acentuada vocação de dinamizar a reflexão cultural e teológica, o CRC impôs-se, ao longo destas quase três décadas, como um lugar de encontro de diferentes sensibilidades cívicas e religiosas. Mas, nos últimos anos, vários dos fundadores lançaram-se em outras iniciativas e o CRC acabou por se reduzir à organização de conferências.
A nova direcção, liderada por Guilherme d’Oliveira Martins, pretende que a actividade do centro se alargue também à promoção de estudos e inquéritos, de modo a compreender “novas realidades urbanas e fenómenos como a exclusão, a diversidade cultural ou a imigração”.
Em declarações ao PÚBLICO, o novo presidente diz que se trata de uma “estratégia de renovação: este é um novo tempo, que exige novas respostas”. Mas a nova direcção pretende “estabilizar a vocação do CRC” e fazer da instituição um lugar de diálogo entre cristãos e não-cristãos. Por isso, a primeira iniciativa que pretende ter algum impacto é a organização de um ciclo de debates sobre os pecados sociais e os sinais de esperança na sociedade portuguesa, propostos pelos bispos na última carta pastoral, de Setembro de 2003.
“Pretendemos não só analisar a situação, mas também apontar caminhos de solução para os problemas”, diz Oliveira Martins. Também nesse sentido, o presidente do centro diz pretender ir ao encontro de jovens universitários, no que respeita à sua participação nos estudos sobre as novas realidades urbanas.

A preocupação de complementaridade com outras organizações está também nos objectivos da nova direcção. Bem como o diálogo ecuménico e inter-religioso: o CRC foi pioneiro no diálogo inter-religioso em Portugal, recorda Oliveira Martins, e agora o centro quer voltar a “lançar pontes com outras confissões cristãs e outras religiões não cristãs”.
“Muitos debates que actualmente atravessam a Europa –como o caso do véu islâmico, em França – passam pelo diálogo inter-religioso”, afirma o presidente do CRC. “Esse é o único modo de contrariar formas radicais de fundamentalismo”, acrescenta.

Também a revista “Reflexão Cristã”, que foi pioneira na produção de uma reflexão cultural e teológica católica no pós-25 de Abril, será renovada, de modo a fazer dela um espaço de debate “aberto e plural”. A publicação do CRC irá integrar redes internacionais (Europa, Brasil, América Latina) de revistas especializadas, podendo mesmo vir a publicar, para Portugal, exclusivos de revistas como as francesas “Esprit” ou “Études”.

22 de abril de 2004

Estado investe pouco mas exige medalhas

A propósito do último colóquio do CRC - Mercantilização do Desporto, Competição Saudável:

Diário de Notícias, 22.Abr.04

CIPRIANO LUCAS

«Em Portugal não se conhece a percentagem do PIB para as actividades desportivas, factor determinante para compreender o atraso estrutural do desporto no nosso país», referiu Vicente de Moura, no decorrer do debate sobre o tema «A mercantilização do desporto», promovido pelo Centro de Reflexão Cristã, no Centro Nacional de Cultura em Lisboa, e com a presença do presidente do Comité Olímpico de Portugal (COP), José Couceiro, treinador do Alverca, Manuel Brito, professor universitário, e Guilherme Oliveira Martins, deputado.

O presidente COP apresentou uma síntese sobre a evolução do movimento olímpico e a sua «comercialização», referindo que Portugal é dos países da Europa que menos investem no desporto, mas é também onde «os políticos exigem resultados de alto nível, que custam milhares de contos». A média do investimento nos países da União Europeia é de 2%. «Nas minhas contas, o Estado português nem sequer chega a disponibilizar 1%... talvez 0,8%», acrescenta. Por isso, «as federações vivem com dificuldades e são obrigadas a recorrer a outras fontes de financiamento» com a envolvente comercial, adianta o presidente do COP, que de seguida defende, sem complexos, «a aposta na base da prática desportiva em detrimento da alta competição». Em traços gerais, Vicente Moura defende que deveríamos equacionar o investimento do desporto profissional numa «lógica de autonomia financeira, caso contrário... não é profissional». No entender do dirigente, vivemos em Portugal uma «situação artificial, pois o mecenato não funciona... só as empresas estatais é que aderem, o que inviabiliza a Fundação do Desporto».

Para José Couceiro, ex-presidente do sindicato dos jogadores e director da SAD do Sporting, a evolução do profissionalismo deve-se, antes de mais, «ao interesse dos governos em ganharem competições, medalhas. Marx acertou em cheio quando defendeu que a base económica iria vencer... e isso verificou-se também no desporto». Para o técnico, «o desporto viveu como uma escravatura no século XX, liderado por instituições com modelos fascistas como a UEFA e a FIFA, onde só interessa o rendimento desportivo e económico. Ainda assim, refere, hoje, o futebol é «a única actividade onde as mais-valias vão para os trabalhadores».

16 de abril de 2004

Ciclo de Colóquios - 7 Pecados Sociais 7 Sinais de Esperança

Próximo Colóquio:
Mercantilização do Desporto/Competição Saudável 20 Abril.2004 (3ª feira) às 18h30m

José Vicente Moura [presidente do Comité Olímpico Português]
José Couceiro [treinador do Alverca, antigo presidente do Sindicato dos Jogadores de Futebol]
Moderador: Manuel Brito

Local: Auditório do Centro Nacional de Cultura
Largo do Picadeiro, nº 10-1º Lisboa
(metro Baixa-Chiado)