O CRC é um espaço de diálogo entre cristãos de diferentes sensibilidades, e entre cristãos e não cristãos.

14 de junho de 2015

IV Conferência de Maio 2015 - Comunicação de Abdool Karim Vakil

Bismillah-hir-Rahman-I-Rahim, Em Nome de Deus o Misericordioso o Misericordiador.

Meus caros irmãos e irmãs em Deus,

Assalamo Aleikum, Que a Paz de Deus esteja convosco.
Começo por invocar o nome de Deus, todo Glorioso, todo Misericordioso, Deus Criador da Terra e do Céu, e de tudo o que se encontra entre estes, Deus de Abraão, de Ismael, de Isaac, de Moisés e de Aarão, Deus de João Baptista, de Jesus Cristo e da Virgem Maria, e Deus de Mahomé, que a Paz e a Graça de Deus estejam com todos estes nobres Profetas e Mensageiros de Deus.
O tema proposto para reflexão é “Diálogo Inter-Religioso” e ocorre aqui perguntar “Que Diálogo?”. Em primeiro lugar importa assentar ideias sobre o pano de fundo desse diálogo. Estão aqui reunidos representantes das três religiões Abraâmicas havendo aqui um elemento comum, uma raiz que emana do Patriarca Abraão que faz parte integrante da fé de todos nós. Como elemento essencial da sua fé, o muçulmano aceita-o como um Profeta e Mensageiro de Deus, por sinal aquele que lançou as raízes da religião monoteísta – a crença num só Deus
Deve causar surpresa a alguns dos presentes se eu disser que Abraão para nós muçulmanos foi o primeiro Muslim ou Muçulmano e isso porque foi submisso a Deus.
Muslim quer dizer precisamente “aquele que se submete a Deus”. E o mesmo acontece a todos os outros Mensageiros de Deus que mencionei no início. Ora, nós muçulmanos, nas nossas cinco orações diárias, mencionamos, em todas elas, o nome do Profeta Abraão a quem enviamos bênçãos de Deus.

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13 de junho de 2015

IV Conferência de Maio 2015 - Intervenção de José Oulman Carp

O dialogo entre as religiões Abraâmicas surge, pela primeira vez na Península Ibérica, durante o califado Al-Andalus.  Estima-se que a população nessa época fosse de  cerca de 10 milhões: bastante heterogénea, constituída por árabes e berberes, moçárabes (hispano-godos que, sob o domínio muçulmano conservaram a religião cristã mas com ritos moçárabes; adoptaram  assim a forma de vida exterior dos muçulmanos;  e ainda judeus que se dedicavam ao comércio e à recolha dos impostos; para  além destas duas profissões eram também  médicos, embaixadores e tesoureiros cientistas  

As cidades de Toledo, Mérida, Valencia e Lisboa eram importantes centros moçárabes na península.
Existia geralmente um respeito mútuo entre os seguidores das três religiões e as tensões eram somente causadas devido a problemas referentes ao domínio territorial.
O diálogo inter-religioso termina no período entre 1525 e 1648 quando surge na Europa uma guerra religiosa que termina com o tratado de Vestefália, em 1648;
A falta de diálogo foi agravada pela Inquisição que começa nos territórios Ibéricos em 1492 e em Portugal em 1536 terminando somente em 1821.

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