O CRC é um espaço de diálogo entre cristãos de diferentes sensibilidades, e entre cristãos e não cristãos.

31 de maio de 2015

Programa Ecclesia - Entrevista ao Presidente da Direcção do Centro de Reflexão Cristã - José Leitão

IV Conferência de Maio 2015 - Ecos e Testemunhos

No momento de publicação das imagens da última das conferências do corrente ano, a Direcção do CRC agradece aos que fizeram das Conferências de Maio 2015 espaço de verdadeira reflexão e diálogo sociais e eclesiais - anfitriões, intervenientes, participantes e divulgadores.
Contamos com todos vós para a dinamização de próximas iniciativas, a divulgar em breve. 

[Painel: Da esquerda para a direita: Guilherme d'Oliveira Martins, 
José Leitão, José Oulman Carp e Abdool Karim Vakil.]
 [Perspectivas do painel e auditório.]

















24 de maio de 2015

IV Conferência de Maio 2015 - Diálogo Inter-Religoso: Caminho para a Paz

Lembramos os nossos sócios e amigos que no próximo dia 27 de Maio, quarta-feira, pelas 18h:30m, se realizará no Centro Nacional de Cultura a última das Conferências de Maio CRC 2015, dedicada ao tema Diálogo Inter-Religioso: Caminho para a Paz. Nesta intervirão Guilherme d'Oliveira Martins, José Oulman Carp e Abdool Karim Vakil. Contamos com a vossa presença!

III Conferência de Maio 2015 - Ecos e Testemunhos












[Diversos aspectos dos participantes na conferência; 
acima, da esquerda para a direita, o painel: Tomás Virtuoso, Maria do Rosário Carneiro, 
José Leitão e Alfredo Bruto da Costa.]

19 de maio de 2015

III Conferência de Maio - Doutrina Social da Igreja, Inclusão e Desenvolvimento - Dia 20

As nosso associados e amigos chamamos a atenção para que se realizará no próximo dia 20 de maio, amanhã, quarta-feira, pelas 18h30m, a 3.ª Conferência de Maio  CRC 2015. Esta será dedicada ao tema Doutrina Social da Igreja, Inclusão e Desenvolvimento promovida pelo Centro de Reflexão Cristã no Centro Nacional de Cultura [Largo do Picadeiro, n.º  68 Metro: Baixa-Chiado]. 
Tal conferência contará com a participação de Alfredo Bruto da Costa, Maria do Rosário Carneiro e Tomás Virtuoso.

Contamos consigo amanhã.

II Conferência de Maio 2015 - Ecos e Testemunhos














[Vários aspectos do painel, composto (da esquerda para a direita) por Miguel Raimundo, José Tolentino Mendonça, José Leitão e Emília Nadal, bem como do auditório]

II Conferência de Maio 2015 - Intervenção de Miguel Raimundo

Cultura da beleza, do dom e da gratuidade

Conferências de Maio – 2015


Ao preparar esta intervenção, constatei que me estava a orientar essencialmente para dois ou três temas que correspondem a domínios onde a minha experiência pessoal me diz que há dificuldades sérias de fazer valer uma cultura da beleza, do dom e da gratuidade.
Desde logo, o trabalho: sendo professor universitário, sou sensível ao tema do trabalho, porque a minha tarefa depende muito da forma como outras pessoas (os alunos) vivem o trabalho e como lhe dão (ou não) sentido.
Também quis falar sobre a forma como é patente, e talvez objecto de crescente indiferença, o egoísmo na vida social e em particular nas relações familiares. Ligo isto, também, ao tema do valor da vida, à importância da fidelidade, não como abstracção, mas como realidade de todos os dias, e à forma como tudo isso se relaciona com o tema da pertença a uma cultura.
Procurarei tornar claras as relações que me parece que existem entre todos estes temas, entre si e com o tema geral de que me cabe falar; esta comunicação decorre, assim, em temas dos quais a actividade do CRC muito se tem feito eco, ao longo destes 40 anos da sua existência; faço aqui, desde logo, essa justa homenagem, e sublinho que é com muita honra que procuro contribuir para continuar essa reflexão.
Começarei pelo tema do trabalho. No seu livro “Alegrias e Tristezas do Trabalho” (D. Quixote, 2009), Alain de Botton dedica um capítulo à actividade do fabrico de biscoitos, onde procura perceber, entre outras coisas, o processo que levou à concepção e produção de uma nova marca de biscoito para ser lançada no mercado. Aplicando a sua combinação típica de profundidade e leviandade, o autor revela-nos elementos curiosos. Um responsável, depois de confessar que não tem quaisquer conhecimentos de pastelaria, revela que o processo, por si dirigido, demorou dois anos e custou três milhões de libras, visando satisfazer, com precisão cirúrgica, não um genérico e indiferenciado desejo de comer uma guloseima, mas uma específica necessidade de conforto, para cuja identificação foi constituído um grupo de estudo, reunido num hotel durante uma semana, de modo a comunicar ao responsável pelo projecto todas as ansiedades e desejos insatisfeitos. As tarefas assumem tal complexidade que no processo que vai da concepção à comercialização, participam um total de 5.000 trabalhadores. Como o autor comenta mais adiante, “o pesar era a única resposta racional à notícia de que um funcionário tinha passado três meses a conceber uma promoção para supermercados, baseada na oferta de três autocolantes” de personagens de desenhos animados.    
Não se trata, naturalmente, de denegrir o trabalho, ou certos tipos de trabalho. Trata-se de sublinhar que a forma como hoje a vida se organiza torna mais difícil que as pessoas encontrem, naquilo que fazem, uma razão para continuar. Não pode deixar de impressionar uma tamanha concentração de recursos, de tempo, de esforço humano, em tarefas cujos horizontes são tão estreitos. Há aqui, como sublinha Alain de Botton, uma disparidade entre a seriedade dos meios e a vacuidade dos fins; os biscoitos são desenhados da melhor forma possível para responder a uma carência, mas fazem-no de uma forma que paradoxalmente aumenta o vazio por trás dessa carência, e portanto, a ideia que fica é a da inutilidade do esforço. Botton cita um trecho de Ruskin, onde se diz que não há pior desperdício, nem pior forma de matar alguém, do que desperdiçar o seu trabalho.

O texto bíblico já reflectia sobre estas coisas: “Porque gastais o vosso dinheiro naquilo que não alimenta? E o vosso salário naquilo que não pode saciar-vos?” (Isaías, 55, 2). É que as coisas não são todas iguais: umas salvam, outras não.

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12 de maio de 2015

II Conferência de Maio - Cultura da Beleza, do Dom e da Gratuidade - Dia 13

Relembramos os nosso associados e amigos que se realizará no próximo dia 13 de maio, quarta-feira, pelas 18h30m, a 2.ª Conferência de Maio  CRC 2015. Esta será dedicada à Cultura da Beleza, do Dom e da  Gratuidade promovida pelo Centro de Reflexão Cristã no Centro Nacional de Cultura [Largo do Picadeiro, n.º  6: Metro-Baixa-Chiado]. 
Tal conferência contará com a participação de Emília Nadal, Miguel Raimundo e José Tolentino de Mendonça.

Contamos consigo na próxima quarta-feira e nas seguintes.

11 de maio de 2015

Comunicação de Isabel Balbino - Igreja Serva e Pobre

Um novo olhar por uma janela antiga

Não é algo de novo que quero trazer. É algo comum que pretendo atrair à consciência. Talvez por isso, por ser comum, aquilo que quero partilhar convosco corre o risco de se esvanecer diante dos nossos olhos.
Há algum tempo defendi a minha dissertação em Psicologia Clínica, sobre Autenticidade e Bem-Estar. O arguente perguntou-me: “Que traz a sua dissertação de novo, em que acresce ao que já se sabe?” Fiquei perplexa pois a relevância dos resultados empíricos que obtive, tal como os li, não estava em algo novo ou surpreendente mas em algo que, em maior ou menor grau, nos acompanha desde sempre: auto alienação e não aceitação de si. São dois dados tão conhecidos, tão adquiridos que parecem inofensivos. Quem não se perdeu já em considerações sobre como seria a sua vida se tivesse outras condições, aptidões ou medidas? Quem não se queixa de algo que lhe falta ou tem a mais? A insatisfação é uma espada de dois gumes! Pode lançar-nos na Vida ou no Vazio.
Eis-me então perante o desafio de agarrar em algo quotidiano e insuflar-lhe interesse!

Tal como me foi proposto, vou referir-me aos Homens e Mulheres numa Igreja Serva e Pobre mas, antes disso, queria introduzir três palavras que me ajudarão a abordar o tema: Habituação, Guardar e Finitude. Vou ainda socorrer-me de algumas imagens da área da saúde e da psicologia, pois são as que me são mais familiares e penso que servem o propósito de fazer-me entender.

Habituação
É um processo mental saudável mas, como em tudo, ‘não há bela sem senão’. Em que consiste? Um exemplo simples: vivo há seis anos junto à linha de comboio de Entrecampos e perto do Aeroporto. No primeiro dia em que dormi na nova casa ouvi todos os comboios e aviões e não ‘preguei olho’. Agora não ouço comboios, nem aviões, nem carros e eles passam bem perto todos os dias. O som destes transportes tornou-se uma coisa tão adquirida, tão presente, tão comum que, pouco a pouco, foi-se esvanecendo da minha atenção e passou de (saliente) figura a (plano de) fundo. E ainda bem que é assim ou já teria enlouquecido...
A questão é que não nos habituamos só a estímulos desagradáveis ou perturbadores. Podemos habituar-nos a tudo o que está próximo, presente, que é constante no nosso dia-a-dia, incluindo as pessoas (rotina!). Os seus movimentos, a sua maneira de ser e pensar, o tom da sua voz pode tornar-se tão familiar que deixa de despertar a atenção e chegamos a dá-las por adquiridas. São pessoas inerentes ao nosso mundo e, imperceptivelmente, deixamos de dar por elas ou, pelo menos, pelo que elas representam para nós. Passam também de figura a fundo… Recuperam a ribalta ao nosso olhar quando, por alguma razão, percebemos quão significativas são como acontece nos sustos, nos acidentes, morte ou então em celebrações festivas em que elas são protagonistas.
Alienarmo-nos do que nos envolve (ou de nós próprios) pode ir do normal ao patológico. Todos nós já sonhámos acordados ou nos distraímos e isso é normal mas não conseguir recuperar a relação consigo mesmo, com os outros ou com o meio envolvente é patológico. Volto muitas vezes a uma imagem de Jeremias que me ajuda a despertar dos sonos do ser humano alienado: “Assemelha-se ao cardo do deserto, mesmo que lhe venha algum bem, não o sente, pois habita na secura do deserto, numa terra salobra, onde ninguém mora” (Jr 17,6).
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I Conferência de Maio - Ecos e Testemunhos

Sob o tema "Homens e Mulheres numa Igreja Serva e Pobre", decorreu a I Conferência de Maio 2015 no passado dia 6, ao final da tarde. Eis alguns aspetos do auditório.

 [Painel de interventores: Ir. Isabel Balbino, Teresa Vasconcelos, Fr. Bento Domignues e José Leitão]



[Algumas perspectivas do auditório na Galeria Fernando Pessoa/CNC]

I Conferência de Maio 2015 - Intervenção de Teresa Vasconcelos

Homens e Mulheres numa Igreja serva e pobre – versão breve

CRC - Lisboa, 6 de Maio de 2015

Teresa Vasconcelos

Graal
Dedicado à Ana Vicente


Como ponto de partida quero dizer que farei uma intervenção/reflexão necessariamente existencial - uma vez que não tenho formação teológica -,  falo a partir  da teologia do meu quotidiano, como costumo dizer. Falo como cidadã desta Igreja a que pertenço.
 Partes da minha intervenção:
a.    Uma Igreja serva e pobre
b.    Mulheres e Homens...
c.      A Igreja poderá ser um third space (terceiro espaço)?

A – Uma Igreja Serva e Pobre
Jesus é a pedra que vós, os construtores, desprezastes e que veio a tornar-se pedra angular (Pedro em: Act 4, 1-12), escreve Pedro, o apóstolo a quem Jesus confiou a sua Igreja: aquele que o negou três vezes.  Pedro será a “pedra angular”;
5ª feira Santa (Jo 13, 1-5): comunhão do corpo e do vinho; “a autoridade que lhe foi dada pelo pai; lavar pés aos discípulos; “amar até ao fim”; “Entendeis o que vos fiz? dei-vos o exemplo para que façais como eu” – igreja serva e pobre a exemplo de Cristo –
·      pelos vistos ainda HOJE não entendemos, por isso continuamos à espera de ”uma Igreja serva e pobre”.  

No capítulo O Grande Inquisidor do romance Os Irmãos Karamazof Dostoiévsky imagina que  Cristo volta à Terra no tempo da Inquisição em Sevilha, é por esta julgado pelos erros do seu pensamento e condenado à morte. E se fosse hoje?  - que faríamos a Cristo? Que faria a Igreja - institucionalizada, incluindo a Cúria e seus “pecados” (como afirma o Papa Francisco),  hierárquica, dogmática, auto-protetora e reprodutora... a Cristo?. Seria/mos como O Grande Inquisidor?


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